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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Blog da Redação

Nota de esclarecimento

24/03 14h50

O Jornal Comunicação é um veículo laboratorial. Toda a produção é organizada e dirigida por alunos do curso de Jornalismo da UFPR: seleção de temas, pautas, linha editorial, diagramação, reportagens e demais etapas da construção de um jornal completo distribuem-se em cargos ocupados por estudantes. Não temos vínculos comerciais com o mercado de notícias, nem compromisso com a linha editorial defendida por algum dono do veículo; não há donos. O jornal é de todos nós, e cada integrante da equipe tem a possibilidade de se posicionar como lhe convém, desde que respeitadas as condições básicas da ética jornalística.

A postura autônoma e independente do Comunicação nunca foi contestada, talvez porque poucas vezes foi causa de desconforto. E o jornal seguiu tranquilamente, até que todo o curso de Comunicação Social decidiu romper com a tranquilidade e mobilizar-se por uma série de reivindicações antigas: alunos de Publicidade e Propaganda, Relações Públicas e Jornalismo paralisaram as aulas e entraram em greve na última quinta-feira, por motivos e reivindicações que foram amplamente abordados pelo Comunicação.

Tomando por base o aprendizado que tivemos até agora, a equipe do Comunicação, presente na assembleia de estudantes que deliberou a greve, decidiu continuar suas atividades durante o período – ainda que, em tese, a produção do jornal esteja associada a uma disciplina. A equipe não furou o protesto e ninguém foi às aulas em que as ideias de reportagens eram discutidas, mas reuniu-se paralelamente sem os professores orientadores, apenas para dar continuidade à produção e não parar o jornal.

Quando a greve passou a ser noticiada pela equipe, que claramente manifestava apoio à campanha, passamos a sofrer a hostilidade de professores que finalmente se deram conta da abrangência e da força do nosso modesto veículo. O Departamento de Comunicação Social (DECOM) pressionou estudantes, e professores chegaram a exigir que textos fossem retirados do ar. Diante da resistência dos alunos, para garantir a liberdade de expressão e de posicionamento, houve um caso grave de humilhação e ofensa pessoal a membros da equipe.

Por meio dessa nota pública, repudiamos a tentativa de censura e a hostilização, e reforçamos nosso apoio à greve. Percebemos que, por pressa ou entusiasmo, nossa cobertura teve falhas. Erramos ao não dar espaço para a contraparte se manifestar – de fato, não demos chance aos professores do Departamento e da Coordenação do Curso para mostrarem seu ponto de vista, e agora reconhecemos e assumimos a falha. Cada erro é um aprendizado, e como jornal laboratório, temos o direito e o dever de errar, principalmente quando há falta de orientação adequada ao longo do curso. A repúdia é contra professores que, mesmo sabendo que os alunos do jornal estão em processo de aprendizagem, optaram por humilhar, ofender e praticar censura em vez de orientar com ética e sensatez.

Apesar da falha técnica, ouvir a contraparte não significa que não podemos nos posicionar; nós também fazemos parte da greve. Nosso papel como estudantes é indissociável do papel como jornalistas, e qualquer aluno da Universidade que decida buscar seus direitos de alguma forma receberá apoio no Comunicação.

Com o fim da greve, damos continuidade ao trabalho habitual. Pretendemos continuar construindo o Comunicação de forma independente e autônoma, abrindo espaço para todas as visões. Acreditamos, acima de tudo, no direito à livre manifestação e na justiça, e pedimos nada mais do que liberdade de expressão e a orientação que nos é devida. Queremos ser jornalistas íntegros e que não se colocam em um pedestal de imparcialidade.

Equipe do Jornal Comunicação

Esse texto foi construído coletivamente entre os alunos da equipe - repórteres, editores e secretários de redação.

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"Intercâmbio - Uruguai": Primeiras impressões

22/11 10h15

Com 1,3 milhões de pessoas, Montevidéu é uma cidade velha para os padrões de modernidade brasileiros. Tudo aqui é muito particular, intimista, remete a momentos de profunda reflexão. É só andar dez minutos pelas ruas para comprovar o traço principal que define os uruguaios. De uma tranqüilidade quase irritante, não é difícil atropelar um deles em meio ao seu lento descompromisso de caminhar. Com o tempo se percebe que a calma é fruto do estilo de vida do país e que, se assim não fosse, o Uruguai não seria Uruguai.

O mate é companheiro inseparável, como extensão do próprio corpo. Mais que aquecer, a bebida carrega um simbolismo arraigado nas tradições de compartilhar e reunir. Seria como tomar uma cerveja com os amigos, só que o dia inteiro sem parar. As garrafas térmicas, aqui chamadas de termo s, estão nas salas de aula, nos carros, na praia, nos ônibus, em um mundo particular embaixo do braço de cada uruguaio.

O país vive um momento de muita agitação popular. De um lado, os seguidos escândalos na Marinha Nacional, agora completamente desacreditada por aqui. As denúncias dão conta de que pelo menos US$ 5 milhões foram desviados da instituição nos últimos 4 anos. A coisa ficou tão preta que até o grandecíssimo Chefe-Geral pediu pra sair. Qualquer semelhança com o Mensalão não é mera coincidência.

Mas o que me toca diretamente é a luta, a bem dizer quase geral, pela destinação de 6% do PIB para a Educação Pública do Uruguai. Desde que cheguei, já foram 3 greves gerais de estudantes e funcionários da Universidad de la Republica. E são greves memoráveis, com estudantes de cara pintada, batucada e trânsito parado na 18 de julho, principal avenida de Montevidéu.

Como esse filme eu já vi antes, me atrevo a dizer que por aqui a representação estudantil é aparentemente mais ativa que na UFPR. A começar pelas aulas. Nenhuma delas termina sem um debate dos bons sobre as últimas notícias e toda a temática que envolve a difícil tarefa de comunicar. Seja nas aulas de Metodologia de Pesquisa ou de Direito, uruguaio gosta mesmo é de falar, de contrapor, de comparar. E com todo o respeito a Adorno e Horkheimer, mas era justamente disso que eu mais sentia falta por aí. De discutir coisas palpáveis, do dia a dia, da política, da universidade. Vejo que aqui esses assuntos são colocados ao alcance de todos os estudantes e que as disposições teóricas são mais complemento que prioridade.

Das lições pessoais, muita coisa acontece aqui todos os dias. Com o objetivo mater de me formar em 4 anos, estou cursando seis matérias. Recorde de resistência, segundo os gringos latinos que vieram pra cá e levam duas, três. Mal sabem eles o que era o semestre passado. A pequena maratona na faculdade não me impede de aproveitar as sutilezas do lugar e de passar mais tempo comigo mesma, pensando como nunca. Coisas necessárias pra todo mundo alguma vez na vida. Um recarregador de baterias.

Tenho me saído bem nos desafios da convivência. Uma coisinha estranha aqui, outra ali, mas nada que me faça cair os cabelos. Interessante é perceber que nenhuma das aulas de história de já tive (que saudades, Julymar!) conseguiu me fazer entender tão bem o que aprendo com todos os companheiros de morada. Colômbia, Chile, Argentina e Paraguai. Mundos vizinhos e marcados pelas mais profundas diferenças. As intermináveis conversas, os olhos cheios de água, o mate passando. Todos os dias eu presencio algumas Canções do Exílio dignas de Gonçalves Dias em terras uruguaias. O ufanismo é comparativo, mas nem por isso menos forte ou digno de respeito. Comparar é refletir sobre o que deixamos pra estar aqui.

Saudades as sinto, e muito. Do cheiro que tem a minha casa quando abro a porta à cerveja da sexta no Casa Verde. Saudades de ler textos dos amados repórteres do Co:::unicação, de revisar a planilha e colorir com as cores de quem entregou ou não, de quem falta ou não, mas mandei, não recebeu, mas será possível, Zeca? Saudades também de não dormir pra fazer pauta. Mas essa passa rapidinho, porque o sono devia ser um direito expresso no PNDH.

Aproveitando o alô, queria dar aquele parabéns bonito para a série “Eles também são candidatos” e a “Paraná rumo a Rio-2016”. Nas duas, sobra competência nas entrevistas, na edição e na concepção da ideia. Estou certa de que elas reavivaram o site e, sobremaneira, a equipe. Me resta desejar sorte a todos e ressaltar, ainda e mais uma vez, o orgulho que eu sinto do Jornal Co:::unicação.

Helen Anacleto
é estudante de jornalismo da UFPR e está fazendo intercâmbio em Montevidéu

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A abominável ojeriza à canela humana

28/10 22h47

Mentalize o seguinte quadro: um estudante magro e moreno, entre 18 e 21 anos, atravessa uma movimentada rua de Curitba em direção ao Centro Cívico. Mais informações: este jovem está em uma bicicleta, com uma grande bolsa preta pendurada sobre o guidão, uma mochila nas costas e um tripé de câmera entre os dois (mochila e costas), incômodo e desconfortável. Este jovem sou eu mesmo, e estou indo gravar as observações do Ombudsman do Telejornal aqui da faculdade. O homem trabalha na TV Sinal, que cobre as sessões governamentais, e tem o estúdio instalado em um prédio na Assembleia Legislativa. Minha missão é levar nosso telejornal da semana, para que ele possa assistir, e gravar suas críticas em seguida.

Suado debaixo de um sol de 26 graus, óculos embaçados na cara, encosto a magrela naquela grade cinzenta ao lado do portão da Assembleia. Com uma careta de dor, tiro o tripé das vértebras, ponho no chão a mochila com os apetrechos de gravação, bato o cadeado na bicicleta e me encaminho ao portão de pedestres.

Antes mesmo de eu ter a chance de dizer porque estava ali, o leão-de-chácara do local me olha de alto a baixo. E acaba parando o olhar ali embaixo, nas minhas pernas. Quando eu inclino a cabeça para ver se havia algo errado, ouço o sujeito dizer: “Ih, rapaz, sem calça não pode entrar não”. Calma, leitor, eu não estava nu ou cometendo qualquer atentado ao pudor. Apenas usava bermudas jeans, totalmente adequadas ao clima subsaariano que fazia na nossa capital, mas aparentemente curtas demais para o engomado porteiro que me barrava a entrada.

“Sem calça não pode entrar não”. Não gosto de calças. Elas me prendem o movimento, me sufocam e amplificam a sensação de calor que sinto em dias como este. O simples ato de montar na bicicleta usando calças jeans já é um aborrecimento. Me senti como uma mulher num país islâmico. Elas, coitadas, são proibidas de sair na rua exibindo sensualíssimas partes do corpo, tais como o cotovelo e o ossinho do tornozelo. Minha situação não parecia ser tão grave: eu apenas deixo à mostra minha bronzeada canela de maratonista queniano, enquanto rasgo as ruas da cidade na minha Caloi azul-e-branca.

Mas minha indumentária não era decorosa o suficiente para entrar naquele prédio de figurões da política que, aposto, devem todos odiar a obrigação de usar terno e gravata todo santo dia. Contra o funcionário do portão, de nada adiantaram meus argumentos, meu pedido de chamar alguém que autorizasse ou fizesse uma caridade em forma de vista grossa. Durante o curto diálogo, ainda fui obrigado a aguentar o olhar de escárnio de uma transeunte, usando saias. Ela podia entrar no recinto oficial mostrando a canela, eu não.

Com síndrome de Geisy Arruda, fui obrigado a montar na bicicleta, ir até minha casa, colocar trajes mais distintos e voltar. Transportando, obviamente, a pesada mochila no guidão e o tripé cutucando nas costas. Mas prometo: se um dia for deputado, o primeiro Projeto de Lei de minha autoria será o banimento da exigência de calças para entrar em prédios do governo. Se por aqui a medida não fizer muito sucesso, certamente irá agradar meus colegas de lugares menos glaciais, como o Ceará e possivelmente o Acre.

PS: No final das contas, a gravação foi feita e o nosso vídeo acabou entregue dentro do prazo. E o Telejornal TV Comunicação dessa semana fica por aqui. Até semana que vem! Tchau!

Rafael Neves
é aluno do sexto período de Jornalismo da UFPR

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Eles também são candidatos

09/09 09h12

A ideia surgiu após o primeiro debate da Band. O jornalista e então mediador Ricardo Boechat apresentou a mim e a outros milhões de telespectadores quatro candidatos à Presidência da República, e a emissora se orgulhava ao adjetivar o debate como “democrático”. Decepcionada, pensei em trocar de canal, mas antes dei uma chance à Band. Talvez os outros cinco presidenciáveis estivessem atrasados, ou tomavam um cafezinho no camarim, entretidos numa discussão sobre a reforma agrária enquanto a produtora lhes retocava o pó-de-arroz.

O debate começou e aparentemente continuaria da mesma forma, até o fim. O único reconhecimento que Ivan Pinheiro (PCB), Rui Costa Pimenta (PCO), José Maria Almeida (PSTU), Levy Fidelix (PRTB) e José Maria Eymael (PSDC) receberam da emissora foi uma breve menção no início do debate, do qual que não fariam parte por falta de representação parlamentar.

O desapontamento ressurgiu quando, na semana seguinte, o Jornal Nacional seguiu a linha da companheira-mas-faz-de-conta-que-somos-inimigas Rede Bandeirantes e deu início a uma série de entrevistas com os mesmos quatro candidatos do debate, durante o tempo que considerava adequado a cada um.

Quem depende ou opta pela TV para se informar sobre a campanha, ou seja, 65% dos eleitores, tem à disposição apenas quatro projetos políticos para escolher em 3 de Outubro (e ainda a divisão desses quatro é absolutamente desigual entre horários políticos obrigatórios, telejornais e propagandas). Nos impressos de grande circulação, a postura é a mesma: a Veja os chama pejorativamente de nanicos e ironiza quando aparecem na mídia, como se fossem café-com-leite na disputa pela presidência.

Posso estar sendo injusta. Talvez minha repulsa tenha sido infundada e a grande mídia não mereça nem o meu desprezo nem o da sociedade. O artigo 46 da Lei Eleitoral garante o direito de participar dos debates aos candidatos que fazem parte de um partido ou coligação com representação parlamentar. Assim, na disputa pela presidência, apenas o PV, O PT, o PSDB e o PSOL – que têm deputados seus ou de sua coligação ocupando cadeiras na Câmara – têm a participação assegurada pela Lei. A Constituição nada exige quanto aos candidatos cujo partido ou coligação não tenha nenhum deputado eleito, e os cinco presidenciáveis são como um ponto facultativo: a emissora convida se quiser.

Mas é o “convida se quiser” que deve incomodar. Se a grande mídia se propõe a fazer um trabalho jornalístico e ignora na cara dura mais da metade do processo eleitoral para o cargo de líder do Executivo, privilegiando uns em detrimento de outros, esse trabalho deve ser questionado. A falta de imparcialidade fica escancarada em época de campanha eleitoral e as emissoras decidem quais são os candidatos de maior relevância, quando deveriam – e a crítica é gasta, mas sempre válida – servir ao cidadão apresentando-lhe todas as suas opções de voto.

Como o repúdio é inútil se não for acompanhado de reações práticas, o Comunicação surge no cenário da comunicação brasileira como um tímido veículo alternativo. Aqui ninguém pode ser demitido – no máximo, estamos sujeitos a reprovar na disciplina por se tratar de um jornal laboratório, o que não seria assim tão terrível, já que teríamos novamente a oportunidade (talvez pela única vez na vida profissional) de experimentar um jornalismo desprovido de segundas, terceiras, quartas e infinitas intenções.

Para cumprir nosso papel de informar com a máxima isonomia e manifestar um repúdio prático, damos início à série “Eles também são candidatos”. Trata-se de entrevistas em formato ping pong com os cinco presidenciáveis que a grande mídia ignora, e que os veículos alternativos têm o dever de mostrar. Na série, o Comunicação oferece seu modesto espaço não apenas para que os candidatos exponham suas propostas, mas principalmente como forma de reação à postura incoerente e antidemocrática da grande mídia. Nenhum dos cinco precisa desse espaço, pois têm maturidade política suficiente para driblar o oportunismo sem precisar que pequenos veículos estudantis intervenham por eles; tampouco temos algo contra os outros quatro candidatos. O material, aqui, é nossa forma de protesto contra a postura da mídia. A Veja nos zombaria com gosto, também, se algum dia tivesse acesso ao nosso quase ingênuo manifesto. “Nanico se unindo com nanico”. Previsível.

Por que não dar espaço a todos os candidatos?

Porque não se encaixam na proposta da série. Talvez um leitor perspicaz constate que, ao entrevistar apenas cinco e não os nove, estamos agindo da mesma forma que as grandes redes, mas no sentido contrário. Concluímos que a série perderia o papel contestador se assumíssemos uma postura cínica querendo dar lição de moral nos colegas de profissão. Entrevistar todos seria dizer, apenas, que aqui vemos todos da mesma forma, e isso limita a missão de questionar. Mais que fazer as coisas da forma correta, queremos contestar as que estão erradas.

Por que não o Plínio?

O candidato do PSOL também enfrenta o oportunismo da mídia hegemônica, que lhe oferece alguns minutos aqui e ali para fingir que não é assim tão injusta. Decidimos não incluir o Plínio na série a partir de um único critério: ele participou do debate. Nada pessoal.


Não posso acabar esse texto antes de enfatizar que as opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do jornal. Porque, felizmente, o Comunicação não entra no raciocínio mercadológico, e cada membro da equipe pode, dentro da ética jornalística, posicionar-se e manifestar-se como quiser.

Carolina Goetten
É estudante do 6º período de jornalismo e editora de Política do Comunicação

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A difícil arte de inovar

19/05 00h12

Passamos tanto tempo trabalhando nosso texto para que ele se torne o mais próximo possível do padrão tradicional do Jornalismo, que podemos pensar, ser diferentes, ousar. E assim vamos levando e esquecemos de tentar ser criativos

[leia na íntegra]
Luciane Belin
aluna no 7º período de Jornalismo da UFPR

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Brave News World

12/04 11h41
O repórter-símbolo, pronto para apurar

Entrevistar pessoas e colocar fatos 'relevantes' no papel requer prática, mas não é o maior desafio do jornalista. Seu grande desafio é permanecer ele mesmo, apesar da padronização de texto que a profissão impõe.

[leia na íntegra]
Guilherme de Souza
Guilherme de Souza é aluno do 7º período de Jornalismo na UFPR e é editor de Fotografia do Jornal Comunicação

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Aprendiz de Tintim

31/03 17h39
Pense sobre isso...

Careca e alto como um vaso chinês, com olhos verdes, óculos e aparentando ser um pouco mais velho que a maioria de nós. Essa é a fiel descrição do mais novo amigo que eu acabava de fazer em Bruxelas. Enquanto ele ajustava algumas funções na câmera fotográfica pendurada em seu pescoço, me aproximei e logo parti para o protocolo formal de apresentação desenvolvido quase que tacitamente pelos cem delegados das diversas nações ali presentes: “Qual o seu nome? De onde você é? O que você faz?” Ele se chamava Thomas. Vinha de Viena e era jornalista. Junto com a delegação da Bulgária – que mais tarde recebeu o curioso apelido de ‘máfia’ –, e na companhia de um PhD norueguês e um estudante de Hong Kong, fomos conhecer a vida noturna da famosa capital da Europa.

Sentamos em um Café na Grand Place e conversamos, em tantos idiomas quanto o possível, sobre os quatro cantos do mundo. Ao trocar idéias com alguns eslovenos, ouço uma voz me chamar. É Helena, a representante da Polônia. Ela queria treinar o português que aprendeu enquanto esteve em Uganda e na Tanzânia, como documentarista. Mas desistiu. Percebeu que ela não era páreo para um falante nativo. Nessa altura da madrugada, resolvi me despedir. Thomas também decidiu ir para o hotel e dissemos adeus para todos.

Na manhã do outro dia, eu não acreditava no que via, ou melhor, no que eu lia na programação. Qual não foi a minha surpresa quando descobri que aquele meu amigo de Viena – o dito cujo da câmera – não era um mero participante como eu. Ele era Thomas Seifert, correspondente internacional de um dos mais importantes diários da Áustria, o Die Presse. Sem saber, eu tinha feito amizade com um dos meus ídolos de profissão. Custou a cair a ficha. Mais tarde, confessei para mim mesmo em um cochicho pueril: “Quero ser como ele quando eu crescer!”

Além de ter feito reportagens inspiradoras sobre o Kosovo e o Sudão, Seifert cobriu a queda do Talibã no Afeganistão, presenciou a queda da estátua de Saddam Hussein no Iraque e escreveu o famoso livro “The Black Book on Oil” – “O Livro Negro sobre o Petróleo”, em tradução livre. Convidado pelo Centro Europeu de Jornalismo , ele foi fazer uma palestra para os cem participantes – o que incluía eu, como o único representante do Brasil na Competição Européia de Blogs.

O desafio deste ano é uma quimera: discutir como alcançar as Metas do Milênio e debater o ‘mundo em desenvolvimento’ até o mês de agosto. Na terra natal do aventureiro Tintim, nós, os TH!NKers, tivemos diversos workshops e palestras com profissionais tão excelentes que deixaram nossas pernas bambas. Muito do que foi dito lá fez alguns paradigmas aprendidos por aqui caírem por terra. Quer saber um?

Vamos lá. Aqui somos atrelados àquela cultura burocrática de ter que provar e comprovar todo e qualquer conhecimento com documentos, como se apenas os documentos tenham poder de conferir autoridade. Inclua nesse grupo intragável da parafernália burocrática os diplomas, certificados e afins. Oliver Wates, jornalista de desenvolvimento (lembra-se do termo ‘Jornalismo de Desenvolvimento’?) da Reuters por mais de 21 anos disse em alto e bom som: “Vocês acham que eu sou formado em jornalismo? Não. Graças a deus, eu nunca precisei fazer uma faculdade de Jornalismo. E nunca senti falta.” No entanto, mesmo sem um curso específico na área, ele tem um conhecimento invejável, superável ao de muitos doutores da vida. É um jornalista exemplar. Com ética de sobra, diga-se de passagem.

No tocante ao jornalismo de desenvolvimento, a solução chave apontada pelos palestrantes presentes foi a humanização. Eles frisaram isso em uníssono, tanto os independentes quanto os ligados a grandes redes. Eis aqui um bom exemplo de como explorar o lado humano nas nossas histórias.

Fato é que me senti como o jovem repórter Tintim, célebre personagem das histórias em quadrinhos belgas. Perdido por uma semana em Bruxelas entre pessoas tão incríveis, vivi uma aventura ainda difícil de acreditar.

Luan Galani
é aluno de Jornalismo da UFPR e editor de Opinião do Jornal Comunicação.

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Nova editoria no Comunicação

27/03 13h01

O Jornal Comunicação, enquanto veículo laboratorial, tem por encargo não apenas uma produção jornalística de qualidade, mas sobretudo o aprendizado da equipe – constituída, em absoluto, por alunos do curso de Jornalismo da UFPR.

Dessa forma, o Comunicação deve ter um compromisso com o ensaio jornalístico ao representar o espaço em que todo tipo de produção tem a possibilidade de ser publicada. O material noticioso alocado no Comunicação é abrangente e permite que a equipe inove, arrisque e se aventure no universo das notícias para trazer uma produção cada vez mais ampla e diferenciada ao jornal.

O Tubo de Ensaio, nossa nova editoria, faz parte de uma proposta de incentivo às peripécias jornalísticas e à experimentação. A produção prioriza um jornalismo subjacente ao que se produz nos veículos tradicionais: no Tubo, a linguagem é subjetiva e exercita a literatura da realidade, em que o repórter vive a pauta jornalística e a transpõe ao texto de acordo com suas próprias experiências sensoriais.

A equipe do Jornal Comunicação acredita que o jornalismo literário é uma vertente fundamental da profissão, que estimula o aprofundamento do repórter no tema pautado e mostra que a notícia não é sempre limitada a normas produtivas. O Tubo de Ensaio é uma oportunidade de experimentar textos jornalísticos cujos preceitos limitam-se ao compromisso com a ética e à relevância da informação tratada. As demais regras são de livre escolha do repórter; a única norma definida é a fuga da normalidade.

Carolina Goetten
É editora de Cultura e Tubo de Ensaio

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Entrevista Coletiva: um olhar sobre essa prática em declínio

21/03 20h21

Hoje eu, uma simples aspirante à jornalista, fui a uma coletiva de imprensa. Dessas que já estão praticamente extintas no universo jornalístico. Motivos para extinção? Esse tipo de entrevista gera matérias muito parecidas, fazendo com que todos os jornais publiquem a mesma informação apenas com a pequena diferença das ideologias de cada veículo de informação.

Apesar de serem tão escassas atualmente, o Festival de Curitiba realiza coletivas quase diariamente no Memorial de Curitiba, onde também se localiza a parte organizacional do evento. São várias coletivas por dia, a maioria é das peças da mostra oficial, mas há também de algumas outras.

Foi a primeira vez que eu fui a uma coletiva e posso resumir a experiência como decepcionante. Não foi nada parecido com o que eu esperava e com o que aparece na TV. Não é aquele monte de repórteres enlouquecidos, tentando vencer do outro, aquela competitividade que todos imaginam.

Muito pelo contrário, o ambiente era muito calmo. Antes do início todos os jornalistas ficaram esperando em uma sala grande dentro da qual havia um biombo e atrás dele aconteceu a coletiva. A espera foi tranqüila e silenciosa, sem muito do frisson que eu esperava ver por lá, ainda mais sendo de uma peça cujos atores têm grande representatividade na dramaturgia brasileira.

Vida era o nome do espetáculo. O diretor e atores estavam lá no horário, mas o atraso sem causa aparente fez parte do evento. Todos os quatro jornalistas adentraram na sala e lá estavam os atores com suas garrafinhas de água dispostas metodicamente à sua frente. Um dos jornalistas, vendo que eu e meu amigo éramos estudantes, conversou um pouco conosco e foi sentar-se na primeira fileira. Nós, um pouco mais retraídos com o ambiente pouco familiar, sentamo-nos na última fila, perto da porta.

Uma mulher fez uma brevíssima introdução e o autor e diretor iniciou seu discurso sobre a peça. O homem versou sobre o grupo, os atores, a integração, a viagem que fizeram juntos, a imersão na obra de Paulo Leminski, autor em que o texto é baseado, e tudo mais que pudesse interessar aquele público que não demonstrava praticamente nenhum interesse.

Ao abrir uma brecha na fala, uma das repórteres fez um pergunta, assim, despretensiosamente e recebeu sua resposta sem maiores agitações. Mas isso fez com que o jornalista ao seu lado, aquele que conversou conosco no início da coletiva, aproveitasse e disparasse suas perguntas. A partir de então a coletiva foi quase como um diálogo entre os dois repórteres e os envolvidos na peça, pois os atores sentiram-se mais a vontade e começaram a falar também.

Os outros jornalistas, que estavam na última fileira assim como nós, permaneceram calados. Uma fazendo anotações e o outro com seu notebook aberto. Uma das únicas coisas que perturbava o andamento da entrevista era o aparecimento ocasional de um ou outro amigo do grupo de teatro que passava e acenava atrás do biombo.

As perguntas já estavam perdendo seu vigor inicial, então eu e meu amigo, cansados e frustrados, fomos embora antes mesmo de acabarem com o ritual. Além da experiência que pode ser útil em algum caso, o saldo positivo do “passeio” foi que conseguimos ingressos para outra peça. Não sei se eu não tive sorte na minha primeira vez ou se todas as coletivas estão fadadas a ser um fracasso daqui para frente, eu realmente espero que tenha sido má sorte.

Luiza Barreto
é estudante do 3° período de Jornalismo da UFPR e repórter do Jornal Comunicação

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Tristes férias alegres

14/12 22h00

Como toda universitária, não posso deixar de ficar alegre quando passa a primeira metade do mês de dezembro. Últimos trabalhos entregues, a maioria das notas já divulgadas, estudar, só ano que vem. Basta olhar a página da agenda vazia e o estresse das semanas recentes parece que finalmente está indo ou já foi embora. Saber que as férias chegaram e que finalmente terei um pouco de descanso depois dos estafantes últimos dias é, no mínimo, reconfortante.

Mas, para nós, estudantes de jornalismo, a vida universitária parece não parar. Ligo o computador na minha primeira manhã de postergação e ócio e a home Page do Google Chrome me incrimina. Lá está o Co:::unicação, com sua página bela e ... desatualizada.

Lembro da promessa que fiz durante o semestre, de não deixar a peteca cair, de manter ao menos uma postagenzinha de vez em quando, só pra não ficar semanas e semanas a mesma matéria em destaque. E no mesmo momento fico triste porque sei que, no fundo, não vou cumprir a promessa.

Imagino o que deve pensar o leitor do Co:::unicação quando acessa o site e descobre que o texto que está ali é o mesmo que ele viu ontem, e anteontem, e há dois, três, quatro dias.

Assim como os ensaios, as provas, as apresentações de Power Point e as resenhas, o jornal laboratório é uma atividade de cunho acadêmico que, com a chegada das férias, simplesmente para – ou, ao menos, perde a maior parte da periodicidade. Quando as aulas terminam, quem é repórter já está cansado, quem é editor já não aguenta mais editar nada e já não tem ninguém pra pautar. E, sim, somos todos filhos de Deus e estamos destruídos por um semestre que não deixou farrapos de forças para escrevermos e nos dedicarmos durante o recesso acadêmico.

Quem é que não está cansado? Com este pensamento, me conformo. Coloco um lembrete na agenda do ano que vem, no início de janeiro, para ver se, quando estiver mais descansada, me animo a escrever e postar algo no Co:::unicação. Penso em mudar a home para me sentir menos culpada quando abrir a Internet, mas desisto. Ele pode não ser atualizado com a frequência que eu gostaria de ver e o sentimento é de que estou deixando cair um projeto que me esforço tanto para manter durante o semestre. Mas, ele está ali, e isso faz das minhas férias e das minhas aulas mais felizes.

Luciane Belin
é estudante de Jornalismo da UFPR

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O Jornal Comunicação é um projeto desenvolvido no curso de Jornalismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O objetivo principal do veículo é proporcionar aos alunos a prática da futura profissão, por meio de produção de pauta, reportagem e edição. Nesse blog você encontra o making of das matérias do jornal. Como foram feitas as reportagens que você lê? Quais as dificuldades e as conquistas por trás de uma matéria? Como funcionam os bastidores da notícia? Como é o jornalismo que você não vê no jornal?
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Ivan Sebben
26/03/08 03h07
Sandoval Poletto
21/03/08 03h18
Henrique Kugler
20/03/08 09h13
Sandoval Poletto
18/03/08 04h17
Chico Marés
17/03/08 03h19

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