As presas do Centro de Regime Semi Aberto Feminino (CRAF) de Curitiba encontraram na música uma alternativa terapêutica. Integrando o coral Águias News desde junho, 24 mulheres podem sair da unidade penal para aprender a educar a voz em uma igreja próxima.
De 13 fumantes que faziam parte do coral, 8 já deixaram o vício para não prejudicar as cordas vocais. A primeira apresentação fora do Centro acontece no Natal, com a execução de uma cantata na igreja onde recebem as aulas.
Para ganhar uma vaga no coral, as presas precisam estar matriculadas em alguma atividade educativa oferecida pelo Centro – ensino fundamental e médio ou cursos profissionalizantes.
Já na Penitenciária Feminina do Paraná, 200 detentas trabalham -- e recebem por isso. São oito canteiros externos em convênio com empresas e nove internos que alimentam as necessidades das próprias unidades prisionais. Salas do estabelecimento se transformaram em linha de produção há mais de dez anos. Hoje, empresas aguardam em fila de espera um espaço na Penitenciária.
Nos canteiros externos, o pagamento é equivalente a ¾ de um salário mínimo e, a cada 3 dias trabalhados, a presa tem 1 dia da pena reduzido. Nos internos, o salário é de R$ 80 mensais e a remissão de pena é de quatro por um. O dinheiro vai para uma poupança em nome da presa e a família pode retirar até 80% do valor por mês.
Produção de brinquedos educativos, trabalhos de gráfica, montagem de equipamentos de informática, fabricação de limpadores de pára-brisas, bordado, costura. Além de ocuparem o tempo, as presas aprendem um ofício para quando voltarem para casa.
Privadas de muita coisa, mas não de direitos. Um pouco de lazer e descoberta de talentos no coral, muita responsabilidade no trabalho.
São jeitos de experimentar a liberdade, mesmo atrás das grades. E, no fim, saber ser livre fora delas.
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