Bartender com boné de rapper, meninas de chapinha no cabelo e salto agulha e um penteado Black Power: nem só de camisetas pretas de banda vivem as baladas curitibanas voltadas ao público roqueiro. Fundado em agosto de 1977, o Empório São Francisco é hoje uma casa noturna que, como tantas outras na capital, recebe um público que abriga gente de todo tipo apesar de tocar rock.
O empresário Max Pereira, de 27 anos, se destacava no meio da multidão amontoada por causa do cabelo estilo Black Power. Ele é freguês do Empório desde que o estabelecimento abriu e diz gostar do lugar tanto pela música quanto pelo atendimento e pelas pessoas que o frequentam. Além de lá, costuma ir também a outras baladas de rock, como o Crossroads e o Hangar.
Quem não estava lá exatamente porque queria era Carolina Soares, de 18 anos. “Isso aqui não tem nada a ver comigo, meu negócio é a Woods”, conta brincando. A estudante admite que era a quinta ou sexta vez que estava lá, mas que ia apenas porque os amigos da faculdade iam, e se ela não comparecesse também, ficaria de fora. “As minhas amigas vêm e acham um saco, mas eu tento aproveitar, mesmo não sendo muito meu estilo”, explica.
David R., 22 anos, que pediu para que o sobrenome não fosse divulgado, é homossexual e frequentador assíduo do James. Estava lá pela segunda vez e diz que até gosta, dependendo do que toca. “O lugar aqui é bem legal, gosto bastante desse ambiente, e as bandas de hoje estão muito boas, principalmente a primeira”, comenta.
A banda Syd Vinícius toca lá desde 1998, e pode ser vista no palco da casa todas as sextas-feiras. O vocalista Adriano Antunes defende que o público é, sim, heterogêneo, mas que não deixa de ser essencialmente composto pelos apreciadores do bom e velho Rock ‘n’ Roll. “Nós temos um público bem fiel, que nos acompanha sempre e curte o nosso som, seja aqui ou em outros lugares que tocamos, como o John Bull”, explica.
Apostando na clássica formação guitarra, violão, baixo e bateria, o quarteto atrai o público jovem e o mais velho com um repertório que vai de Beatles a Rolling Stones, passando por The Doors, Pink Floyd, Raul Seixas e composições próprias.
Estereótipos e comportamentos
Jaquetas de couro e cabelos compridos podem ser encontrados principalmente entre aqueles que fazem questão de ficar bem perto do palco. Renato “Cebolinha”, bartender do Empório há 11 anos, nem precisa pensar para responder à pergunta “o que mais o pessoal consome aqui?”, a resposta vem de imediato “cerveja!”. Com boné de rapper e jeito marrento, Cebolinha reitera que dá pra encontrar de tudo na casa. “Vem gay, lésbica, patricinha, tudo. Depende do dia”, diz.
É fácil ver também aqueles que já beberam cerveja demais e os que tentam acompanhar as letras das músicas sem saber, mas não se importam muito, desde que entrem no clima. Quando a segunda banda – a Stereo 33 – subiu ao palco, já podia-se encontrar vários exemplos. Mantendo a casa cheia até tarde, eles tocaram Pearl Jam, Audioslave, Red Hot Chilli Peppers, entre outros.