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Gabriela Broliani
Multidão aproveita shows de metal no Rock In Rio 2011
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Comprei os ingressos em maio. À princípio, o combinado era ir no dia 24 de setembro, assistir à banda californiana Red Hot Chili Peppers, de que aprendi a gostar com os DVDs que meu pai escutava quando eu e meu irmão ainda éramos crianças. Mas meu namorado e os irmãos mais velhos dele resolveram ir no dia do metal. Para não ficar para trás, acabei gastando mais 90 reais das minhas economias no segundo ingresso.
Nunca tinha escutado Slipknot ou Metallica, a não ser quando ouvia, mas não sabia quem cantava. Baixei algumas músicas para o celular, para ouvir na volta do trabalho, naquele momento solitário e monótono dentro do ônibus, enfrentando o trânsito de Curitiba às seis e meia da tarde. A tática para não ficar perdida no segundo dia de Rock In Rio não deu muito certo, cheguei no dia 25 de setembro sabendo no máximo cinco músicas de cada uma dessas bandas.
Chegamos à cidade do Rock lá pelas nove horas da noite. O lugar parecia bem mais vazio do que no dia anterior, mesmo estando com os 100 mil ingressos vendidos, as pessoas tinham estilos mais diferentes. Algumas bem metaleiras, meninas com os cabelos pintados de roxo, muita gente com camisetas pretas desbotadas das mais diversas bandas de rock. Depois de conhecer melhor a cidade, já que no dia anterior a impressão era de que todos os lugares estavam lotados, fomos para frente do Palco Mundo, esperar o quarto show da noite começar.
Às onze horas, o Slipknot entra no palco com seus nove membros, todos vestidos com um macacão vermelho e usando máscaras diferentes. Confesso que quando conheci a banda, tive medo das máscaras que os fazem parecer monstros. O guitarrista tem cabelos longos e pretos; o baterista, uma máscara com nariz de cenoura; o percussionista é um palhaço. Não tem como não se assustar. Mas depois que o vocalista Corey Taylor começou a conversar com o público, animando 100 mil pessoas como nenhuma banda que eu já vi havia feito, passei a vê-lo somente como um homem que canta muito bem e usa uma máscara nos shows para complementar o caráter quase místico e alternativo da banda.
O cenário tinha tochas de fogo que acendiam mais fortes a cada refrão, a bateria girava e até ficava posicionada na vertical, a galera vibrava. No começo de uma das músicas mais conhecidas, Duality, o vocalista pede para que o público fique agachado. Quando o refrão da música começa, todos levantam cantando e pulando. Enquanto isso, um dos integrantes vai até a tenda de luzes, se prepara e salta sob a multidão, que o leva de volta até o palco. Parecia até cena de filme. O primeiro show que nos interessava, acabou. Das 16 músicas tocadas, eu conhecia duas.
Depois de um intervalo de meia hora, Metallica sobe no palco e logo na abertura do show já coloca todo mundo para dançar e pular, mas bem no estilo Heavy Metal, balançando a cabeça e jogando os cabelos longos. No meio da multidão, crianças cantando as mesmas músicas que senhores grisalhos cabeludos e barbudos. A banda, formada em 81, faz sucesso com músicas como Fuel, Nothing Else Matters, Enter Sandman e The Unforgiven, uma das mais esperadas e que foi deixada de lado nas duas horas e meia de show.
Todos que estavam ao meu redor tocavam instrumentos imaginários, alguns na guitarra e outros na bateria. Durante o show, a conversa do vocalista James Hetfield com o público, que queria sempre mais; os fogos ao lado do palco durante os refrões das melhores músicas. Era bonito de ver a animação daquelas pessoas, se divertindo até as três e meia da manhã, realizando o sonho de ver seus maiores ídolos no evento de rock mais tradicional e famoso do mundo. Chegava a ser emocionante.
Rock’n roll pesado não tem nada a ver comigo. Mas em 2011, fui ao Rock In Rio, assisti a shows de Heavy Metal, e foram os melhores da minha vida. Foi uma experiência inesperada e surpreendente, uma daquelas que vão ser contadas para os meus netos.