Um dos maiores temperos do esporte é a rivalidade. Seja em âmbito estadual, nacional ou mundial, vencer um grande adversário tem sempre um gostinho diferente. No caso do Brasil, a rivalidade com a Argentina esteve muito bem servida em 2011: as duas seleções já se enfrentaram nas três modalidades mais populares do país. Confira quais foram os duelos mais emocionantes entre esses países – e quais não tiveram graça alguma.
5 - Futebol Masculino (BRA 2 x 0 ARG)
O “Superclássico das Américas” foi uma tentativa pífia de reviver a tradição da extinta Copa Roca, torneio com a única finalidade de colocar Brasil e Argentina para se enfrentarem no gramado. As partidas, disputadas em Córdoba e em Belém, não contaram com a presença dos grandes astros das duas seleções, já que as regras do torneio exigem que os jogadores convocados atuem em clubes nacionais.
Sem referências como Messi, Higuaín, Robinho e Alexandre Pato, tivemos como resultado dois jogos mornos: 0 a 0 na Argentina e 2 a 0 para o Brasil no Pará, o que rendeu o título do torneio amistoso para os brasileiros, mas nenhum avanço rumo a 2014 – apesar dos lampejos de genialidade de Lucas, Neymar e Leandro Damião. O despropósito dos jogos foi tão grande que o Olé, maior jornal esportivo da Argentina, mal deu destaque para as partidas, tão alardeadas pela imprensa daqui.
4 - Vôlei Feminino (BRA 3 x 0 ARG)
Brasileiras e argentinas se enfrentaram pela final do Campeonato Sul-Americano, em Lima, no Peru. A campanha impecável das brazucas – quatro vitórias em quatro jogos, sem perder um set sequer – somada ao massacre contra as hermanas na partida final (3 a 0, com parciais de 25/10, 25/7 e 25/17) deixou claro o abismo técnico existente entre o time do técnico Zé Roberto Guimarães e os demais. Desde 1995, a seleção vence todos os Campeonatos Sul-Americanos.
Mesmo com o baile levado, a seleção argentina conseguiu a classificação para a Copa do Mundo no final do ano, que leva os três melhores times direto para Londres-2012. Enquanto a nossa equipe possui grandes chances de chegar ao pódio no Japão, nossas vizinhas terão que suar muito para não passar (outro) vexame.
3 - Basquete Feminino (BRA 74 x 33 ARG)
O confronto entre brasileiras e argentinas no basquete feminino também aconteceu em uma final, a do Pré-Olímpico de Basquete, que dá uma vaga para os Jogos Olímpicos em 2012, além de outras três para o Pré-Olímpico Mundial. A expectativa que se formou de que o jogo seria difícil e pegado não se confirmou: o Brasil atropelou a Argentina com um amplo placar de 41 pontos de diferença e garantiu facilmente a vaga em Londres.
Durante todo o campeonato, as comandadas de Ênio Vecchi não tiveram adversárias à altura. Até as cubanas – algozes do último pré-olímpico, em 2007 – foram categoricamente dominadas na semifinal. Já as argentinas, a surpresa da primeira fase ao passarem invictas às semis, bateram o Canadá em uma partida emocionante para chegarem à decisão. Na hora H, porém, não encontraram forças para deter o time de Érika, Damiris e cia.
2 - Vôlei Masculino (BRA 3 x 1 ARG)
Que a seleção de Bernardinho entraria em quadra favoritíssima a conquistar o título do Campeonato Sul-Americano, ninguém tinha dúvidas. O que não se esperava era uma partida tão dura, com tudo a que um Brasil e Argentina tem direito: de belas jogadas trabalhadas até uma discussão entre os técnicos das seleções, quando Bernardinho insinuou que o jogador argentino Sole havia encostado a bola em sua camisa molhada antes do saque, com o objetivo de dificultar a recepção brasileira.
Mesmo com as dificuldades, o Brasil faturou mais um título, o 28º em 29 edições (a única vez em que o país não se sagrou campeão foi justamente quando não participou, em 1964, devido ao Golpe Militar). Ainda assim, é bom ficar de olho nos argentinos Conte, De Cecco e Quiroga, que, com mais experiência, podem fazer com que a Argentina conquiste uma revanche rapidinho. Os argentinos foram a grande surpresa da Liga Mundial deste ano, ao alcançarem a semifinal do torneio.
1 - Basquete Masculino (BRA 73 x 71 ARG)
O Pré-Olímpico em Mar del Plata, Argentina, marcou o retorno da seleção brasileira aos holofotes do basquete sul-americano, com a conquista da vaga olímpica, que não acontecia desde Atlanta em 1996, quando o “Mão Santa” Oscar Schmidt ainda atuava.
Brasil e Argentina se enfrentaram em dois jogos de prender a respiração: o primeiro, pela fase classificatória, acabou em vitória brasileira por 73 a 71, e marcou o fim de um jejum de vitórias contra os hermanos que durava desde 1995. Os destaques brasileiros Rafael Hettsheimeir e Marcelinho Huertas desequilibraram e mostraram à Argentina das estrelas Luis Scola e Manu Ginóbili que eles tem concorrência à altura.
Já a segunda jogo, na grande final, foi o troco argentino: um apertado 78 a 75, mesmo com o péssimo primeiro quarto do Brasil (vencido pela Argentina por 21 a 9) e o baixo aproveitamento de lances livres ao longo da partida. Apesar do vice-campeonato, não houve espaço para tristeza, pois a classificação para Londres – principal objetivo brasileiro – já estava carimbada desde a vitória contra a República Dominicana na semifinal.