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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Comportamento | Publicada em 22/02/12 às 19h53

Carnaval? Não, obrigado!

Destoando do clima de festa do feriado, aqueles que fogem do carnaval têm várias razões para não cair na folia
Reportagem André Nunes
Edição Maria Eduarda Lass
André Nunes
Av. Cândido de Abreu, antes do desfile de 2012: para muitos, a avenida poderia continuar vazia no feriado.
Av. Cândido de Abreu, antes do desfile de 2012: para muitos, a avenida poderia continuar vazia no feriado.

"Sol, Carnaval, futebol…Não mata, não engorda e não faz mal" canta a baiana Cláudia Leitte, refletindo o sentimento de seus conterrâneos no maior feriado do ano. Não só dos baianos, já que brasileiro que é brasileiro adora o carnaval, certo? Apesar de parecer patriótica, essa definição não é unânime pelo território nacional.

Os motivos relatados para se odiar a festa - ou apenas não cair na folia - são os mais variados possíveis. Há quem deteste aglomerações públicas e a sujeira urbana que, dizem, as micaretas de rua geram. Outros afirmam não gostar do clima de promiscuidade que parece dominar as grandes cidades durante o reinado de Momo. E outros simplesmente não gostam de desfiles de escolas de samba. A nossa versão da "festa da carne" medieval, porém, oferece inúmeras opções de festas, nos mais diversos cantos do país, e pode agradar a todos os gostos.

Sentimento municipal

Parecia lenda urbana, ou mais um dos vários estigmas que os moradores de Curitiba carregam, quando se bradava por aí que "curitibano odeia Carnaval". Em 2009, porém, uma sondagem do Instituto Paraná Pesquisas confirmou que 66,62% dos curitibanos não gostam da festa pagã. E mais: a mesma pesquisa revelou que 68% dos moradores da capital paranaense costumam passar o feriado na cidade já que, apesar de ter uma programação carnavalesca, esta não chega aos grandes patamares de Rio de Janeiro e Recife, por exemplo.

Nikolas Moya, estudante de Ciência da Computação, é um destes curitibanos que prefere fugir da folia. "Quando eu era pequeno, meus pais sempre me levavam em festinhas voltadas para as crianças, com máscaras e tudo. E também, como moramos perto da Av. Cândido de Abreu, íamos assistir aos desfiles. Conforme fui crescendo, porém, fui trocando os gostos musicais e perdendo o gosto pelo evento", conta.

Para ficar 100% de fora do Carnaval, Moya cita algumas atividades que costuma fazer durante o feriado. "Costumo viajar, pelo feriado ser grande. Em Curitiba, tenho vários amigos que também não gostam do carnaval, então aproveitamos para marcar alguma coisa longe da agitação. Internet e videogames ajudam bastante!", exemplifica.

Desgosto pela folia nas redes sociais

Existem várias comunidades dentro das redes sociais que reúnem aqueles que não gostam do Carnaval. Só no Orkut, as sete maiores comunidades sobre o tema somam 64 mil membros, variando de "Eu odeio o Carnaval" até "Odeio Carnaval, não o Feriado". Apesar do número ser grande, ainda é minoria nacionalmente. Só na comunidade oficial do Carnaval no Orkut, são quase 150 mil membros.

No Facebook, a maior rede social do mundo, não há páginas explícitas sobre o desgosto pela festividade. Somente as ironias ácidas dos memes, e os vários usuários que compartilham coisas relacionadas ao lado ruim do Carnaval. Um dos mais recentes, postado neste domingo (19), é o vlog "Não Faz Sentido - Carnaval", de Felipe Neto, popular no Youtube justamente por dizer aquilo que muitos pensam, sobre os mais variados temas.

Neto destaca, dentre outros pontos, a falta de empenho da maioria da população em voltar a trabalhar e estudar quando começa o ano. "O brasileiro fica dois meses do ano sem fazer nada. Se perdesse mais três meses, ficava igual político", alfineta. A sujeira das ruas, os foliões inconvenientes que jogam spray de espuma em quem não conhece, e a "hipocrisia brasileira que dá um alvará pra mostrar bunda às 16h na TV" também são lembrados por Neto que, em apenas dois dias, já está com mais de 370 mil exibições no Youtube.



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