Do lado de fora uma escola normal. O portão se abre e a impressão é a mesma: crianças, salas de aula, mesas, cadeiras, mochilas. Na quadra, alunos reunidos na aula de capoeira, no entanto, basta olhar ao redor e perceber que os escritos encontrados nas paredes da escola não estão em português, mas em alemão. As diferenças entre uma escola bilíngüe e uma convencional não param por aí.
A educação em outra língua surgiu principalmente pela necessidade de famílias estrangeiras que queriam que os filhos falassem o idioma de origem. Com a vinda de empresas multinacionais para Curitiba, o público interessado no estudo bilíngüe aumentou. Cada vez mais, os pais procuram proporcionar aos filhos o conhecimento de outro idioma.
O tempo de estudo exigido é maior. As crianças costumam ter aula integral de duas a três vezes por semana. Na escola bilíngüe português e alemão, Kinderland (www.kinderlandcuritiba.com.br), são 1.300 horas/aulas por ano, enquanto que nas escolas de método tradicional são 800 horas.
A Little Kids (www.littlekidsbilingue.com.br), escola bilíngüe português e inglês, tem como principal objetivo garantir a fluência oral no segundo idioma. Do maternal, a partir de um ano de idade, até o 5º ano do ensino fundamental, são 75 alunos matriculados atualmente. A partir do primeiro ano da pré-escola, as crianças têm contato com o português, mas todos falam o tempo todo em inglês. São cinco horas diárias de contato com o idioma estrangeiro. A diretora Kelly Thomé conta que apenas 5% dos alunos são filhos de estrangeiros: “A procura maior é por profissionais que vêem a necessidade de ter o inglês e querem isso para seus filhos”, afirma.
A Kinderland atende alunos desde a pré-escola até o 3º ano do ensino fundamental. Fernando Sarmento não tem nenhuma descendência alemã. Ele é pai de Júlia, do 2º ano, e conta que escolheu a educação bilíngüe, em alemão, porque teve dificuldade para aprender o idioma, mesmo falando cinco línguas. “A imersão, a permanência do contato, o encadeamento dos conceitos foram para mim a chave do aprendizado de línguas”, afirma Sarmento. Júlia estuda o idioma desde a pré-escola e diz: “Na escola não estava mais falando só português. Parecia que tinha entrado em outro país”, conta. Os alunos não precisam falar o tempo todo na segunda língua. Por isso, na hora das brincadeiras, eles falam praticamente o tempo todo em português.
A escolha dos pais também tem forte influência de pesquisas que comprovam que crianças estimuladas a aprender outra língua, por meio do ensino bilíngüe, têm mais facilidade para aprender outro idioma.
Obstáculos para o ensino e aprendizado de línguas
Exige-se formação específica para os professores das escolas bilíngües. Segundo a diretora Kelly, há dificuldade em se encontrar profissionais capacitados no segundo idioma para todas as disciplinas, por isso “a estratégia da escola é trabalhar na formação do professor, investindo em cursos de capacitação”.
As crianças começam o aprendizado desde muito cedo. “Praticamente todas as crianças começaram no jardim de infância”, afirma Cristiane Klas, coordenadora da Kinderland. Quando há uma inclusão tardia, os alunos que apresentam dificuldades recebem aulas de reforço na segunda língua e acompanhamento específico.
O idioma pode não ser o único obstáculo para a educação bilíngüe. O custo das mensalidades pode se impor. Para estudar meio período os pais gastam em média R$600,00 mensais, já para o período integral o valor pode subir, pouco mais de R$1.000,00.
Além das disciplinas normais, na escola Kinderland são ofertadas aulas de violino, capoeira, balé, futebol, flauta, inglês, história da arte, werken – termo em alemão que pode ser traduzido como artesanato e que inclui a contextualização do objeto e de sua história. Para Daniele Vecchi, secretária da escola que também fala alemão, “o principal diferencial é o contato com a cultura de outro país, não apenas com o idioma, já que criança também aprende os hábitos de outro país”.
A escola bilíngüe Little Kids, português e inglês, oferece aulas de oficinas motoras, leitura, culinária, jardinagem, arte, balé e judô, tudo ministrado em inglês. A linha pedagógica prioriza a língua inglesa, mas valoriza a cultura brasileira. A única festa comemorada com raízes na cultura americana é o Halloween, que hoje é mais incorporado no Brasil.