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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Política | Publicada em 25/06/07 às 17h38

Abertura da Praça do Batel tem relação com construção de shopping

Após o início dos trabalhos, Prefeitura admite que a obra foi influenciada pelo novo shopping
Reportagem Fábio Pupo
Edição Pedro Ernesto

Desde que um morador colocou-se na frente das máquinas da Prefeitura de Curitiba, a abertura da Praça Miguel Couto, no bairro Batel, repercutiu na imprensa e entre políticos. O Movimento “Amigos do Batel”, formada por moradores do bairro, criou um abaixo assinado contra a obra e entrou com pedido de tombamento da praça na Secretaria de Estado da Cultura (Seec), defendendo que a abertura ameaça o patrimônio histórico da cidade.

A obra faz parte do projeto do novo binário que deve ligar os bairros Bigorrilho e Água Verde e, segundo a Prefeitura, deve desafogar o trânsito na região. O projeto, elaborado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) inclui a ligação entre as ruas Desembargador Costa Carvalho e Carneiro Lobo por uma via que divide a Praça do Batel ao meio.

Alternativa

“Existem outras possibilidades para o binário”, defende Rafael Xavier, um dos coordenadores do Movimento “Amigos do Batel”. Xavier defende que a Rua Bruno Filgueira, paralela à Rua Costa Carvalho, poderia ser usada para salvar a praça da divisão. “Abrir a praça significa mexer no patrimônio histórico”, afirma o coordenador do Movimento, ao lembrar que a praça foi propriedade do Barão do Cerro Azul.

Apesar do cargo de assessor da Casa Civil do Governo do Estado, Rafael Xavier nega que esteja atacando a obra por seu envolvimento político: “Não estou fazendo nada a pedido do governo, mas expressando meu direito de cidadão”. Para ele é a Prefeitura que está usando deste argumento para desacreditar os protestos. “A prefeitura quer partidarizar uma vontade da comunidade para não discutir o projeto”, afirma.

Shopping

Mas se o projeto da Prefeitura atravessa a praça, a alternativa de Xavier passa por cima de uma casa, localizada na Rua Bruno Filgueira. Construída em 1913, a casa é tombada pelo patrimônio histórico e fica nos fundos do terreno, de antiga propriedade da Família Gomm, rica comerciante de erva mate no passado. O terreno é particular, e o proprietário planeja usá-lo para a construção de um shopping.

O administrador da Regional Matriz da Prefeitura de Curitiba, Omar Ackel, explica que a abertura da Rua Bruno Filgueira fica impedida, porque a obra prejudicaria a residência tombada. “Já o shopping pode até ser construído, desde que preserve a casa que fica nos fundos do terreno”, diz Ackel. Porém, o documento que tombou a Casa Gomm em 1989, inscrito no Livro Tombo das Belas Artes da Coordenadoria de Patrimônio Cultural do Estado, recomenda a preservação do terreno: “A casa está localizada em extensa área verde que deve ser preservada como entorno do edifício”.

O administrador da Regional Matriz admite que a obra foi negociada com a empresa de Salomão Soiffer, mesmo proprietário do Shopping Mueller, que pretende construir o novo shopping. “A Prefeitura impôs que a empresa patrocinasse o binário Água Verde/Bigorrilho”. Ackel explica como isso ocorreu. “A abertura da praça está sendo feita com recursos da Prefeitura. Mas o shopping deve financiar outras obras”, conta.

Pedestre

A vereadora Roseli Isidoro (PT), líder das oposições e presidente da Comissão de Urbanismo na Câmara Municipal, questiona a obra. “É importante pereceber que a obra privilegia os carros, e negligencia os pedestres”, diz ela. Já o vice-prefeito Luciano Ducci nega. “Essa afirmação é mentirosa, uma vez que nosso projeto vai revitalizar toda a pracinha. Dará condições para que as pessoas se reúnam ali, e utilizem a praça da melhor maneira possível”, afirma.

Reinício

As obras foram retomadas depois que a Prefeitura derrubou uma liminar que impediu, por 13 dias, o início das obras. A desembargadora Regina Afonso Portes, da 4.ª Câmara Cível, anulou a decisão inicial do juiz Marcel Guimarães Ratoli de Macedo, da 1.ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, apesar do pedido de tombamento da praça não ter sido analisado ainda pelo Conselho Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico.



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