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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Comportamento | Publicada em 26/09/07 às 22h20

MSN e Orkut: febre ou vício?

O quinto vício mais tentador é virtual, e verde-amarelo: 12% dos usuários no MSN e 61% no Orkut são brasileiros
Reportagem Natália Sampaio e Ivan Sebben
Orkut
No próprio Orkut, mais de 360 mil reconhecem o quinto vício mais tentador, lembrado por sete em cada dez votos
No próprio Orkut, mais de 360 mil reconhecem o quinto vício mais tentador, lembrado por sete em cada dez votos

Eu vou te deletar te excluir do meu Orkut. Eu vou te bloquear no MSN. Não me mande mais scraps nem e-mail, Power Point. Me exclua também e adicione ele… O trecho da música Vou te excluir do meu Orkut, hit sertanejo cujo videoclipe parodiado no You Tube tem mais de 550 mil acessos (veja clipe no fim da matéria), contaria apenas mais uma desventura amorosa, não fossem as referências ao mundo virtual na letra.

Dar uma passadinha pelo site de relacionamentos Orkut, ou bater um papo no comunicador instantâneo MSN, tornou-se algo mais que corriqueiro na vida de muitos brasileiros. Dados divulgados pela Microsoft há pouco mais de um mês revelam que o Brasil atingiu a marca de 30,5 milhões de usuários no MSN Messenger, ou cerca de 11% do total mundial de 263 milhões de usuários. No Orkut, seis em cada dez usuários se dizem brasileiros: somos 19 milhões dos cerca de 31 millhões de usuários.

A pesquisa encomendada pelo Comunicação confirma esse favoritismo verde-amarelo. Dos entrevistados, 70,25% citaram o Orkut ou o MSN como vícios potenciais. Para alguns, é essencial. O estudante de Administração, Guilherme Valenga, diz acessar as ferramentas todos os dias. Passa uma média de quatro horas por semana no Orkut e dez no MSN. “Às vezes acabo perdendo tempo mexendo em coisas que não me trazem benefício nenhum, assim como sempre tem algo que ajuda, como o fácil acesso a músicas para fazer download e contatos profissionais”, conta.

Para o estudante de Engenharia Elétrica, Felipe Jarek, ficar sem as ferramentas virtuais seria uma grande perda. “A vida sem eles diminuiria minha interação social em bastantes aspectos, já estou, de certa forma, integrado a certos grupos através desses meios”, afirma. Segundo o rapaz, o grupo de amigos ‘caminha junto’ pelos meios virtuais: “Se tem prova amanhã, ou se ‘tem festa sabadão na casa do Zé’, logo todo mundo sabe, tudo muito rápido”, explica.

Colega de curso e amigo de Jarek, Henri Tortato relembra as experiências com o MSN e Orkut. “Já tive muito problema, de brigar com as pessoas por causa da frieza do texto, em compensação já fiz grandes amigos conversando no MSN”, diz. Mas o estudante previne: teclar no MSN pode ser um incentivo a melhorar a comunicação, ou um grande fruto de desentendidos. “Você aprende a não usar certas palavras, certos termos”, relata.

Praticidade e incômodos

Há até quem afirme receber orientação para o projeto de conclusão da faculdade via MSN. É o caso da estudante de Comunicação, Ana Clarissa Hupfer. Ela não dá muita importância ao Orkut, mas julga o MSN indispensável. “Na empresa em que eu trabalho falamos com nossos fornecedores por meio do MSN”, diz. Já o advogado recém-formado, Martinez George de Lima, alega não gostar muito do Orkut, embora reconheça a praticidade do site virtual. “Através do Orkut você encontra oportunidades profissionais, é uma via de contato super útil, indispensável como celular”, admite.

Por outro lado, esta a febre das duas tecnologias virtuais pode ser efêmera. O levantamento do Comunicação também apontou rejeição aos meios: 89 homens (22,25% deles) e 36 mulheres (9% delas) citaram o Orkut e o MSN como os itens mais odiáveis. Muitos têm deletado seus perfis no Orkut pela perda da privacidade que o mecanismo traz. “Saí porque era muito fácil qualquer um saber da minha vida”, afirma a estudante de Relações Públicas, Solange Lingnau, que prefere o MSN. “É mais cômodo e barato do que fazer ligações, principalmente no horário comercial”, relata Solange. Outros, porém, preferem brincar com a dependência dos meios. No caso do Orkut, circula pela internet o clipe da fictícia Associação Brasileira de Vício ao Orkut (veja abaixo).

O começo de tudo

A febre dos comunicadores virtuais não é recente. Outras ferramentas, como o canal de bate-papo IRC (do inglês, Internet Relay Chat) e o ICQ (acrônimo na pronúncia em inglês I Seek You), já foram muito usadas no final da década de 90. Já o MSN e o Orkut tornaram-se sensação no início de 2004, quando ‘grupinhos’ da vida real passaram a também utilizar os dois serviços para se relacionar no mundo virtual.

As ferramentas são importantes como formas de aproximação e contato na opinião da psicóloga Elizabeth Haro. “O contato pessoal nem sempre permite se relacionar com tantas pessoas ao mesmo tempo como essas ferramentas”, afirma ela. Segundo a especialista, os canais virtuais proporcionam um impacto muito maior das mensagens, ideologias, modismos, pela velocidade e abrangência do meio.

E o vício, nestes casos, não está afastado. “O uso excessivo e exclusivo para o relacionamento dos jovens é prejudicial, porque eles se escondem atrás da máquina, chegando até a mudar a identidade e inventar personalidades”, observa a psicóloga. “Quando isso é uma brincadeira tudo bem, o problema é quando se perde o limite, e isso leva a compulsão”, completa.

Vícios na web

Paródia em vídeo-clipe ao som da música original, de Ewerthon Assunção, Vou te excluir do meu Orkut

A bem-humorada e fictícia Associação Brasileira de Vício ao Orkut adverte: Orkut causa dependência

O sexto vício vai te dar água na boca: Eles adoram chocolate

O sétimo vício mais tentador também está Na boca do povo

As reportagens fazem parte da série de Comportamento sobre Os sete vícios mais tentadores



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