O deputado federal pelo Partido Social Cristão (PSC), Ratinho Junior, trabalha para que um de seus projetos saia do papel. Ratinho propõe a construção de metrôs na cidade de Curitiba que, de acordo com o político, encontra-se com seu sistema de transporte público beirando o limite.
O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba – IPPUC – já tinha planos de implantar o metrô na cidade, mas o projeto foi engavetado. De acordo com a assessoria de comunicação do Instituto, a construção do metrô é essencial, pois os anos passaram e, com o crescimento de Curitiba, os ônibus não dão mais conta do contingente de passageiros.
Desde a década de 70, o transporte coletivo curitibano é reconhecido por sua peculiaridade. O que há de especial é a possibilidade do passageiro, pagando apenas uma passagem, conseguir circular por toda a cidade, que são integrados. Em outras cidades, o preço da passagem varia de linha para linha. Como naquele tempo Curitiba contava com cerca de 600 mil habitantes, não havia necessidade de implantar metrôs. Hoje, a população atinge quase quatro milhões.
Durante estes trinta anos, o sistema recebeu melhorias, ajudado por novas tecnologias que surgiam: de ônibus articulado, transformou-se em biarticulado e até triarticulado. Ainda assim, as linhas de sentido Norte-Sul passam por dificuldades, especialmente nos horários de pico.
A briga com as empresas
O advogado e secretário geral do PSC no Paraná, Lineu Tomass, afirma que apesar de tudo indicar a necessidade urgente da construção do metrô, um empecilho postou-se neste caminho. De acordo com Lineu, as empresas que lideram o transporte coletivo curitibano farão o possível para que o projeto não seja concretizado. “Eles perderiam mercado e muito dinheiro, mas está claro para todos que o sistema atual está condenado ao fracasso”, diz.
O advogado explica que, caso seja construída a linha metroviária entre os bairros Pinheirinho e Cabral, a queda de faturamento das empresas de ônibus cairia cerca de 30%. Esse número passa para 40% se for considerada a linha Pinheiro – Santa Cândida. Atualmente, essas empresas faturam cerca de dois milhões por dia.
O projeto encontra outros projetos
O que Ratinho Junior propõe é a construção de túneis por baixo das canaletas de ônibus já existentes. Tais túneis teriam aproximadamente sete metros de profundidade e nove de largura, por onde circulariam os trens. As primeiras linhas seriam inauguradas dentro de cinco anos.
A estimativa é que o investimento feito na obra total seja de 1,2 bilhões, sendo setecentos milhões só na fase inicial, Norte-Sul. A primeira parte do projeto já foi aprovada pela Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO – mas ainda é preciso que este valor seja incluído no orçamento do governo federal.
Por parte dos que são contra a construção do metrô, novos projetos surgem, como, por exemplo, o do ex-governador Jaime Lerner que prevê a implantação de bondes na cidade. De acordo com Lineu Tomass, o problema não seria solucionado: “O problema do bonde é ser um meio de transporte sobre a terra, isso continuaria prejudicando o trânsito”.
Além desta idéia de Jaime Lerner, as empresas de ônibus guardam, “em segredo”, segundo Lineu, um projeto de sobrevida do transporte coletivo. Os ônibus passariam a possuir um botão que o motorista apertaria ao se aproximar de um semáforo, que abriria automaticamente, diminuindo, assim, o tempo de viagem. “Além do risco para o trânsito e principalmente para os pedestres, essa idéia continua não solucionando o problema”, insiste o secretário do PSC.
O metrô teria capacidade de transportar 1200 passageiros e liberaria o trânsito na cidade. Além disso, a viagem seria mais rápida. De acordo com dados do Departamento de Comunicação do Metrô de São Paulo, o tempo de permanência máximo de um passageiro nas estações de metrô, em horário de pico, não ultrapassa 27 minutos.
O que diz a população
Paulo Germano Scherer é estudante de Farmácia e morador do bairro Água Verde. Todos os dias, ele pega ônibus para ir até a faculdade. As linhas que Paulo usa são Santa Cândida – Capão Raso e Cabral – Portão. “Eu não me irrito quando os ônibus estão lotados. O que me deixa nervoso é que, às vezes, fica uma meia hora sem aparecer um ônibus sequer e, de repente, vêm três de uma vez”, conta o estudante.
Apesar deste problema, Paulo não acredita que a construção do metrô seja necessária para Curitiba. “Me parece que o custo para a obra é imenso e o tempo que levaria para ela ser concluída é grande, então iria demorar muito para o benefício chegar até a população”, afirma. Ele pensa que seria muito mais simples investir esse dinheiro na melhoria do sistema atual. “Seria mais simples, barato e traria um resultado muito mais imediato e satisfatório se fossem ampliadas as linhas já existentes”.
Já a estudante Elisa Sizenando está ansiosa para a construção do metrô em Curitiba. Elisa mora no centro e, apesar de ter carro, às vezes precisa pegar ônibus. “Eu divido o carro com a minha mãe, e quando ela precisa ficar com ele, eu pego o Santa Cândida – Capão Raso. E sempre me irrito muito!”, conta.
Elisa diz que os ônibus só a aborrecem. “Quando não estou dentro dele, eles me atrapalham no trânsito. Os motoristas dirigem sem se importar com os carros, ‘fecham’ a gente, mudam de pista sem dar sinal. Quando vejo um ônibus se aproximando, já fico esperta”, declara.