Nesta sexta-feira (19), o procurador-chefe da Consultoria e Procuradoria Jurídica da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcos Maliska, entrou com um pedido de reintegração de posse do prédio da Reitoria, invadido na última quarta-feira (17) por um grupo de estudantes. Eles são contrários à adesão da instituição ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação das Universidades Federais (Reuni).
No primeiro dia a ocupação foi pacífica e os funcionários da Reitoria continuaram trabalhando normalmente. Mas no segundo, quinta-feira (18), os manifestantes radicalizaram e interromperam o expediente de trabalho por volta das 14h, sendo permitida somente a entrada de alunos da universidade no prédio. Os empregados da Pró-reitoria de Planejamento (Proplan) cumpriram o horário até às 18h, pois a unidade é responsável pela contratação de mais professores para a UFPR e o prazo acabava no final desta semana.
Após uma reunião, por volta das 9h, com o reitor da UFPR, Carlos Augusto Moreira Júnior, o grupo de estudantes decidiu manter a ocupação até que suas reivindicações fossem cumpridas, ou seja, a retirada da pauta do Reuni do Conselho Universitário (COUN) e a criação de um plebiscito com voto universal – todos os votos com peso igual a um, para a comunidade acadêmica da UFPR decidir sobre a adesão ou não da universidade ao programa.
Com o problema, o reitor deu um prazo para a retirada dos estudantes até o meio-dia - o que não aconteceu - caso o contrário a universidade entraria com um pedido de reintegração de posse do prédio na Justiça. Segundo Moreira, a solicitação foi feita para garantir o cumprimento dos prazos de trabalho aos funcionários.
Reunião do Conselho Universitário
Está marcada para a próxima terça-feira (23) uma reunião do COUN, em caráter expositivo, que contará com representantes dos professores, servidores técnico-administrativos, estudantes e, inclusive, dos manifestantes que fazem a ocupação. “Apresentaremos o pré-projeto de adesão ao Reuni”, declara o reitor. De acordo com Moreira, o pré-projeto prevê a contratação de 200 professores e 300 servidores, mais um recurso de R$ 120 milhões, em cinco anos, para investimentos em infra-estrutura como construções de sala de aula, laboratórios e compras de equipamentos, além da criação de 6 mil novas vagas para alunos. A reunião também discutiria a proposta de plebiscito para o Reuni, mas o reitor propõe que a consulta seja realizada com o mesmo peso das eleições para a reitoria, com um terço para cada classe da universidade (professores, servidores e alunos). A proposta que obtivesse dois terços venceria.
A aluna de Ciências Sociais e integrante da Comissão de Imprensa do movimento dos estudantes, Alexandra Bandoli, afirma que o reitor não respeitou o prazo de decisão do movimento para a desocupação, que seria até às 19h após a realização de uma assembléia por parte dos manifestantes. “Isso é um ataque da reitoria. Só a Polícia Federal, com a autorização do reitor, pode entrar aqui. Então, qualquer coisa que aconteça é de responsabilidade do reitor”, declara a estudante prevendo uma reintegração de posse à força por parte da Polícia Federal.
Segundo Alexandra os manifestantes não acreditam na palavra de Moreira, pois em 2005, quando foi apresentada a proposta do Processo de Ocupação de Vagas Remanescentes (Provar) e do Sistema de Cotas da UFPR, a reunião do Conselho Universitário teve a promessa do reitor de que seria expositiva, mas acabou sendo deliberativa e os programas foram aprovados. “É o que ele quer fazer novamente e nós não vamos deixar”.
O movimento acredita que o Reuni "significa um aumento da precarização do trabalho dos professores e salas superlotadas". Como ainda não foram informados oficialmente sobre o pedido de reintegração de posse, os alunos ocupantes da Reitoria não se posicionaram sobre o assunto.