A reunião do Conselho Universitário (Coun) terminou num impasse nesta quarta-feira (24). O tema central da reunião, a homologação de um plebiscito sobre a adesão ao Reuni, não foi votado pelos conselheiros. Depois de um bate-boca com os estudantes presentes, o conselheiro Alipio Santos Leal Neto, diretor da Escola Técnica, convocou os outros conselheiros a se retirarem da sessão, deixando a questão em aberto. Como a exigência de homologar o plebiscito do Reuni não foi atendida, os estudantes seguem com a ocupação da Reitoria. O Coun, aberto ao público, foi realizado no Hospital das Clínicas, e contou com a presença de mais de duzentos estudantes.
A discussão começou quando o conselheiro Mauro Lacerda Santos Filho, diretor do Setor de Tecnologia, propôs que constasse na ata o adiamento da questão do plebiscito, para que ele fosse discutido dentro dos setores antes de ser colocado em votação. “O plebiscito é um processo, e todo processo deve ser discutido com as bases”, alegou o conselheiro, cujo setor havia votado pela adesão ao Reuni em plenária. A idéia desagradou os estudantes, cuja proposta era a confirmação do plebiscito paritário e uma nova discussão para acertar os termos - tipo de plebiscito, universo de votação, etc.
Além de discutir o plebiscito, o Coun também serviu para a apresentação do programa UFPR 100 Anos, o projeto de reestruturação da universidade que deverá ser levado ao Ministério da Educação caso o Reuni seja aprovado. Apresentado pelo professor Paulo Takayama, o projeto prevê a criação de 1463 novas vagas de graduação por ano até 2012, além de 20 novos cursos – incluindo cursos não ofertados pela UFPR e novos turnos para cursos já existentes, como História e Engenharia Elétrica. O número de vagas noturnas deverá subir para 33,9% do total de vagas. Além disso, serão 24 novos cursos de pós-graduação, incluindo mestrado e doutorado. Para isso, está previsto um investimento de 58 milhões de reais.
As críticas continuaram as mesmas: para os estudantes da ocupação e para a Associação dos Professores da UFPR (Apufpr), o aumento na relação aluno-professor para 18 para um tende a precarizar o ensino, e a meta de 90% de diplomação foge da realidade de muitos cursos, além de não contemplar os reais motivos da evasão universitária.
Anistia e perseguição
A questão da anistia para os participantes da ocupação também gerou polêmica no Coun. Seis estudantes já estão sendo processados, apesar do reitor Carlos Augusto Moreira Júnior ter afirmado publicamente que eles não sofreriam represálias. Moreira negou ter aberto qualquer processo e afirmou que ele vinha diretamente do Ministério Público. No entanto, o estudante Bernardo Paim, um dos seis processados, afirmou ter consigo o documento, que dizia claramente que a acusação partia da própria UFPR. O processo está em andamento, e fixa uma multa de cem reais por dia para esses seis estudantes. O autor é a própria universidade.
Apesar de ter se oposto ao movimento de ocupação em um primeiro momento, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) defendeu a anistia completa e o plebiscito no Coun. Durante a ocupação, os dois lados trocaram farpas; alguns membros do DCE declararam à imprensa que a ocupação era ilegítima. O DCE também soltou um panfleto criticando duramente os envolvidos por estarem agindo supostamente em desacordo com as deliberações do Congresso dos Estudantes da UFPR e do Conselho das Entidades de Base (CEB). Em represália, os membros da ocupação proibiram a entrada de membros do DCE na ocupação após as declarações. Após chegarem a um comum acordo no Coun, os dois lados devem se reunir para discutir a situação ainda nesta quarta.