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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Cultura | Publicada em 25/10/07 às 15h04

Música de todo o mundo

Bandas curitibanas divulgam sonoridades de outras culturas
Reportagem Carla Cursino
Edição Aline Baroni
Upanishads
A banda Upanishads toca música indiana em Curitiba desde 2001
A banda Upanishads toca música indiana em Curitiba desde 2001
Divulgação/Roger Vaz
Roger Vaz, da banda Keltoi, diz que a música celta é um elo perdido entre a música erudita e a popular
Roger Vaz, da banda Keltoi, diz que a música celta é um elo perdido entre a música erudita e a popular

Quando o Beatle George Harrison foi para Índia, fez mais do que aprender a tocar cítara. O músico mostrou ao mundo os elementos da música indiana. Ele é o exemplo mais famoso a explorar sonoridades de outros países no cenário musical. Muitas bandas, inclusive curitibanas, se dedicam a músicas de outras etnias.

Uma dessas bandas, o Grupo Keltoi, existe há seis anos e toca música celta. De acordo com o violinista da banda, Roger Vaz, a música celta é um elo perdido entre o erudito e o popular. “Mesmo assim, é um gênero musical vivo, pois não existiam partituras. As canções foram tiradas de ouvidos e passadas de geração em geração”, complementa. Outro grupo de música étnica bastante conhecido em Curitiba é o Upanishads. A banda, que toca música indiana, está na ativa desde 2001.

Engana-se quem pensa que os músicos que se dedicam aos sons de outras regiões do mundo são, obrigatoriamente, de etnias diferentes. Na Upanishads não há nenhum descendente de indianos. O mesmo ocorre no Keltoi. O que justifica a dedicação às canções de outras culturas é o amor pela sonoridade diferente das que se encontram aqui. “A música celta é muito passional. Todos que entraram na banda foram imediatamente envolvidos pela sua magia”, declara Vaz. O violinista do Keltoi conta que outra característica da banda que lhes confere maior liberdade sonora é a produção de alguns instrumentos, como a ‘percuteria’ – mistura de percussão e bateria criada pelo músico Marco Farracha.

Nos palcos de Curitiba

“Curitiba tem um público especial: muito exigente”, declara Roger Vaz. No entanto, os músicos reclamam da falta de locais que abram espaço para a música étnica. O violinista do Keltoi conta que a banda já fez temporadas em alguns bares da cidade e que, vez ou outra, tocam em festivais medievais.

Já o músico da banda Upanishads, Diego Hauptman, pensa diferente de Vaz. Ele afirma que o público curitibano é bom, mas ainda possui alguns preconceitos e desinformações que já não são mais encontradas em cidades como São Paulo e Belo Horizonte. De acordo com o músico, o público que assiste às apresentações de sua banda tem um perfil bem específico: “São pessoas que já têm alguma ligação com a cultura da Índia ou que apreciam uma estética musical diferente da ocidental”.

Para os músicos, as maiores dificuldades de se fazer música étnica em Curitiba são a falta de escolas de música destinadas às demais culturas e a falta de patrocínio. Hauptman ressalta que não há muitas escolas que ensinam instrumentos indianos na cidade. “Eu sou um dos poucos professores aqui”, revela. Ele conta que, no início da carreira, aprendeu tudo sozinho. É o mesmo caso dos integrantes do Grupo Keltoi. Segundo Vaz, alguns componentes da banda são autodidatas. Mas ele vê um ponto positivo nisso: “É isso que torna possível esse feeling único do Keltoi”, brinca.

O pouco patrocínio também dificulta o trabalho dos músicos. Contudo, isso não os impede de gravar seus álbuns. A banda Upanishads lançou um CD em 2006 de forma independente. O Grupo Keltoi pretende lançar seu mais recente trabalho até o fim deste ano. “Estamos trabalhando com muita calma para oferecer algo especial e mágico”, orgulha-se.

Música: canal de manifestação cultural

Curitiba comporta povos de diversas origens, que trazem diferentes informações culturais. É o que explica a professora do curso de Música da Universidade Federal do Paraná, Maria Madalena Wagner. Para a professora, são pessoas que tem sede de trocar experiências e conhecimento. “Elas usam, entre outras coisas, a música como manifestação de suas riquezas”, completa. Maria Madalena é enfática ao destacar a importância das bandas de música étnica: “Sem dúvida, elas preservam a raiz histórica de muitos povos”.



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