Comandar seu próprio time, ser técnico e jogador, se imaginar nos gramados mais famosos do mundo – muitos meninos fãs de futebol realizaram estes sonhos ao jogar futebol de botão, como é conhecido o futebol de mesa. Desde os botões de paletó na década de 1930 até o surgimento dos botões industrializados por volta da década de 50, quase todo garoto jogou futebol de botão. Mas aquele que era visto como uma brincadeira, um jogo, é considerado um esporte, e praticado por muitos dentro do Brasil.
O futebol de botão é um jogo criado em 1930 por um brasileiro, Geraldo Décourt, que publicou o primeiro livro de regras oficiais, organizando o futebol de botão, até o jogo ter seu reconhecimento como esporte, em 1988, pelo antigo CND (Conselho Nacional de Desportos, atual INDESP). A entidade reconheceu o futebol de mesa como modalidade desportiva praticada no país, como um esporte de salão – como o bilhar e o xadrez.
O esporte possui grande variedade de regras no Brasil, mas no Paraná a regra mais utilizada é a “paulista”, ou regra de 12 toques (ver box). O futebol de mesa está organizado da mesma forma que o futebol brasileiro: a Confederação Brasileira de Futebol de Mesa (CBFM), sediada em Curitiba, com federações estaduais filiadas. Há uma estrutura de campeonatos complexa, com torneios estaduais e nacionais – em 2008, o Campeonato Brasileiro será realizado em maio, em Brasília. Representando o Paraná há a Federação Paranaense de Futebol de Mesa, primeira federação do esporte no Brasil, fundada em 1962 e atualmente com cerca de 200 clubes filiados.
O presidente da FPFM, o professor Marco Antonio Coelho, é integrante do Arsenal, clube curitibano dedicado ao esporte. A equipe se reúne duas vezes por semana, no Colégio Bagozzi, para treinar e praticar. Entre os membros do Arsenal está Marcos Nicaretta, estudante de Educação Física na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Marcos treinava futebol de salão, quando sofreu um acidente que o impossibilitou de continuar praticando. Foi quando Marco Antonio o convidou para integrar o clube de futebol de mesa. Hoje Marcos é um apaixonado pelo esporte.
A visão de quem pratica e de quem assiste
Está enganado quem pensa que o futebol de mesa não é um jogo emocionante. “O futebol de mesa possui os mesmos elementos do futebol”, afirma Marco Antonio. “Quem pressiona e não marca sempre leva gol, assim como quem entra desrespeitando o adversário acaba perdendo. Há todo o elemento de competição que faz do jogo um esporte”.
Mesmo quem não é praticante considera que o futebol de mesa tem características de esporte. O estudante de arquitetura Eduardo Costa costumava brincar com seus botões na infância. “Fazia meus campeonatos, mesmo sozinho, com arquibancadas e vários times jogando uns contra os outros”, relembra Eduardo. “Pena que não há maior divulgação, muitas pessoas não sabem que é um esporte”.
O fato de ser um esporte de mesa facilita a prática, não restringindo o acesso ao jogo para quem tem limitações físicas – a idade dos praticantes varia desde crianças até idosos. Por alguma razão, a participação feminina no futebol de mesa é bastante reduzida.
Falta de apoio
O Arsenal é um clube criado exclusivamente para o futebol de mesa. Isso se deve à falta de apoio dos clubes de futebol profissionais de Curitiba. “É um fenômeno observado apenas aqui”, lamenta Marco Antonio. “No Rio de Janeiro e em São Paulo, todo clube profissional tem seu departamento de futebol de mesa”, diz o presidente, que menciona como exemplo o caso do Palmeiras, um dos grandes clubes de futebol de São Paulo e que é o atual campeão de futebol de mesa.
Futebol de mesa pelo mundo
Além do Brasil, o futebol de mesa é praticado em vários outros países, como Argentina, Chile, Portugal, Hungria, Sérvia e Uruguai. Mas o destaque é a Espanha, que também possui uma estrutura de regras e federações bastante organizada. Também na Espanha é praticado uma versão diferente, com tampas de refrigerante, o ‘fútbol de chapas’.
- A regra de 12 toques (paulista) é a mais utilizada no Paraná. Consiste de uma mesa de 185 x 120 cm, com campo de jogo de 165 x 104 cm. Dividido em dois tempos de 10 minutos, a partida é jogada com uma esfera de feltro. Cada jogador terá direito a 12 toques dentro de sua posse de bola – sendo que cada botão poderá ser acionado por no máximo 3 oportunidades consecutivas. É uma regra mais dinâmica, o que facilita para a realização de campeonatos.
- A regra de 3 toques (carioca) é caracterizada por um campo de jogo de medidas máximas de 200 x 140 cm, e mínimas de 190 x 134 cm. Como bola é utilizada uma esfera de feltro, e o jogo é dividido em dois tempos de 25 minutos, com cada jogador podendo dar no máximo 3 toques dentro de sua posse de bola.
- A regra de 1 toque (baiana) consiste de uma mesa de 220 x 160 cm, com campo de jogo de 200 x 140 cm. A bola é um disco de polietileno de 1 cm de diâmetro e 2 mm de altura. O jogo é dividido em dois tempos de 25 minutos. Cada jogador terá direito a apenas um toque por posse de bola – o que torna o jogo mais cadenciado e lento.
- Há outras variantes de regras do futebol de mesa praticadas no Brasil e em outros países, como Espanha, Hungria e Argentina.
ARSENAL CLUBE FUTEBOL DE MESA
Colégio Bagozzi – R. João Bettega, 01 - sala 5D – Portão
Treinos: 3º feira, das 18:30h as 22h e sábados, das 14h as 18h
AABB-Curitiba
R. Victor Ferreira do Amaral, 771 – Tarumã
Treinos: 2º e 5º feiras, das 19:30h as 23h
CLUBE CURITIBANO
Av. Getúlio Vargas, 2857 – Água Verde
Treinos: 2º feira, das 19:30h as 23h; sábado, das 14h as 20h
SESC da ESQUINA
R. Visconde do Rio Branco, 969 – Centro
Treinos: 3º feira, das 19:30h as 23h; sábado, das 14h as 19h
- Confederação Brasileira de Futebol de Mesa (3 toques) -www.cbfm3toques.com.br
- Federação Paranaense de Futebol de Mesa - www.futmesaparana.com.br
- FuteboldeMesaNews - www.futeboldemesanews.com.br