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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Esportes | Publicada em 11/04/08 às 16h10

Patinação artística: Beleza sobre rodas

Esporte com jeito artístico faz sucesso entre os brasileiros e atrai cada vez mais praticantes
Reportagem Ellen Nemitz
Edição Danilo Hatori
Ellen Nemitz
Na patinação artística, os movimentos graciosos ocultam o grande esforço físico dos atletas
Na patinação artística, os movimentos graciosos ocultam o grande esforço físico dos atletas
Ellen Nemitz
Mesmo depois dos 30 anos, a patinação virou paixão para Daniele Vianna
Mesmo depois dos 30 anos, a patinação virou paixão para Daniele Vianna

Levantamentos, saltos, giros. São tantos os elementos que compõem esse esporte que parece difícil só de imaginar. Desafiante e ao mesmo tempo de uma beleza única. Movimentos que exigem até a última gota de suor dos atletas. Mas, para quem assiste, parece que os atletas estão apenas deslizando facilmente pela quadra. Essa é a patinação artística, uma prática esportiva que encanta a todos e conquista cada dia maior número de adeptos.

Motivos para isso não faltam. A patinação é ótima para quem quer conquistar um corpo mais bonito. De acordo com Fabiana Consentino, ex-praticante e treinadora de uma equipe com 120 alunos de Curitiba, a musculatura da perna é mais requisitada. “A postura também fica diferente, tanto que as meninas chamam a atenção na rua por isso”, conta ela. E, seguindo a máxima ‘corpo são e mente sã’, o esporte é um ótimo aliado para relaxar ao final de um dia de trabalho. “Algumas pessoas deixam de vir devido ao cansaço, mas no outro dia percebem a diferença no stress, muito mais presente”, relata a treinadora.

Mas o estímulo para uma pessoa virar patinadora, além da vontade de ter melhor qualidade de vida, pode variar desde uma apresentação vista no colégio até um programa de televisão. “Eu escolhi a patinação porque traria desafios diários e a possibilidade de competir de forma individual”, conta Fabiana. Já para Daniele Vianna, um quadro apresentado na programação da rede Globo foi o pontapé inicial (ver Box).

Para aqueles que finalmente descobriram a solução para sair do sedentarismo, mas acham que já passaram da idade, enganam-se. Apesar de as crianças terem maior facilidade com as rodas, os mais crescidinhos também podem subir nos patins. É só ter força de vontade e um pouquinho de equilíbrio. Outro argumento que muitos usam contra a patinação é o alto custo dos equipamentos. Preconceito sem lógica, segundo Fabiana. “Se você comprar os patins, vai gastar uns 300 reais, mas só vai precisar trocá-lo depois de mais ou menos dois anos. Se fizer as contas, o custo mensal é bem menor que em outras atividades, como o balé”, explica ela.

Situação financeira

Se o nosso país está longe de liderar o ranking mundial, a Itália já chegou lá há muito tempo. Hoje, os mediterrâneos podem exibir, com louvor, os frutos de anos investidos na modalidade. Avançados estudos em fisiologia da patinação, acompanhamento dos movimentos específicos do esporte e criação de técnicas que melhoram o desempenho dos atletas são apenas algumas atitudes tomadas que o país a ser a atual referência mundial no esporte. “Os italianos não trabalham como a gente, em clubes separados, isolados”, explica Fabiana. “Eles possuem uma comissão de técnicos, que visitam todos os centros de treinamento em busca de talentos. Com isso, é montada uma seleção imbatível”

‘Imbatível’ é mesmo a melhor palavra para definir uma equipe que quase sempre leva os três lugares no pódio da competição mais importante do esporte: o mundial de patinação artística. Poucos brasileiros conseguem índice para esse torneio, e os que conseguem ainda esbarram na falta de dinheiro para viajar. Para a patinadora Bárbara Gonçalves da Silva, uma meta a ser alcançada ainda este ano. “Estou treinando muito porque pretendo conseguir índice para o mundial”, conta a atleta, que patina desde os 5 anos e já ganhou importantes torneios (ver Box).

Como a patinação artística não faz parte das Olimpíadas, existem problemas para a captação de verbas. “O que nos ajudou um pouco foram os jogos Pan-Americanos, pois recebemos mais dinheiro”, afirma Fabiana. Outro empecilho para que o Brasil se destaque no esporte é a falta de interesse por parte da imprensa. Em coro, mães e atletas garantem que a mídia privilegia alguns esportes em detrimento de outros. “Duas meninas foram para competições no exterior. Só uma delas saiu no jornal, e porque pagou por isso”, reclama a mãe de uma patinadora. Além disso, ninguém pode viver de patinação, como é o caso de jogadores de futebol. A lei não permite que atletas participem de competições se receberem algum patrocínio. Isso porque uma pessoa que recebe para patinar estaria acima do nível dos demais competidores. A conseqüência é que os atletas levam o esporte como algo a parte, não como profissão. “Definitivamente, o Brasil precisa evoluir muito para chegar a ser excelência”, lamenta Fabiana.

Sem idade para começar

Na patinação artística, a idade não é desculpa para não se tornar praticante. É o que mostra o perfil de duas atletas curitibanas.

Nome: Daniele Vianna

Idade: 34 anos

Tempo de patinação: 1 ano e 5 meses

Por que escolheu a patinação: Quando assistiu a um programa de patinação no gelo, veiculado pela rede Globo, encantou-se pelo esporte. Procurou, então, alguma academia na cidade que oferecesse patinação artística.

Nome: Bárbara Carolina Gonçalves da Silva

Idade: 18 anos

Tempo de patinação: quase 14 anos

O que motivou a praticar: Um filme sobre a história de vida de uma patinadora de gelo.

Campeonatos mais importantes: Sul americano infantil em 2001 e Campeonato brasileiro em 2005

O que representa: “A patinação é a minha vida, porque pratico desde os cinco anos de idade”.



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