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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Ciência & Tecnologia | Publicada em 17/04/08 às 16h12

A extinção dos cabos

A chegada do WiMax a Curitiba possibilita o acesso a Internet sem fio a longa distância
Reportagem Rodrigo Batista
Edição Suelen Trevizan
sxc.hu
As novas tecnologias de conexão a Internet dispensam o uso de cabos
As novas tecnologias de conexão a Internet dispensam o uso de cabos

O serviço de WiMax – um pacote que inclui, entre outros serviços, a Internet banda larga sem fio – foi lançado em março pela Embratel. A novidade deve atender pequenos e médios empreendimentos. Inicialmente, os serviços estão disponíveis apenas para algumas capitais, entre elas Curitiba. Até o final do ano, a empresa pretende implantar essa tecnologia em mais 60 cidades e, para o ano que vem, em outras 200.

A companhia adquiriu no leilão promovido pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) em 2003 os direitos de implantar o WiMax na radiofreqüência de 3,5 GHz. Outras empresas de telefonia, como Oi e Telefônica, além de grupos econômicos que controlam canais por assinatura, também buscam conseguir a concessão.

O sistema de banda larga sem fio funciona por ondas de rádio transmitidas de um access point – espécie de antena geradora – conectado à central telefônica. O raio de cobertura desse aparelho pode chegar a 70km. Com ele, o usuário acessa a Internet em qualquer ponto dessa área sem precisar estar ligado por algum cabo.

Vantagens e desvantagens

Hoje, o WiMax é a tecnologia mais avançada em banda larga sem fio. Antes de seu surgimento, o mais difundido era o WiFi – outro padrão de interconexão entre dispositivos sem cabos. A diferença entre as duas está principalmente na área de cobertura, chamada pelos especialistas de área iluminada, que chega a 700m e 70km, respectivamente. Mas, segundo o professor de ciência da computação da UFPR Luiz Carlos Pessoa Albini, esse número pode variar de acordo com diversos fatores, como interferências de outras ondas de rádio e o alcance da antena do access point.

De acordo com Albini, a grande vantagem do WiMax não está apenas em acessar a Internet em movimento ou à distância. Os custos são muito menores, e isso facilita a chegada do serviço em áreas não atendidas pela DSL – tipo de acesso à rede em alta velocidade. “Nesse contexto, muitas empresas podem trabalhar com inclusão digital em regiões mais carentes e distantes, onde seria muito difícil e caro levar a Internet tradicional”, afirma.

Entretanto, o professor alerta para a facilidade que o sistema WiMax oferece para a captura de informações. Como o serviço trabalha com freqüências de rádio, podem ocorrer interferências entre ondas – como acontece em regiões próximas a aeroportos, onde sinais da torre de controle podem ser ouvidos no aparelho de som. “Essa é uma questão de segurança, pois informações importantes podem ser capturadas por hackers com dificuldade menor que na banda larga com fios”.

Outra desvantagem está na velocidade de cada aparelho dentro da cobertura de um access point. A taxa de transferência é a mesma para toda a área, mas é dividida entre as máquinas. Se uma região possui uma velocidade de 10MB, com 10 aparelhos, esse valor é dividido entre eles em partes iguais. “Por isso é necessário que o número de computadores não seja grande a ponto de a tecnologia se tornar tão devagar quanto uma Internet discada”, afirma Albini.

Internet pelo celular

Assim como o WiMax possibilita o acesso a Internet sem fios e à longa distância, esse serviço já é encontrado em celulares, de forma análoga. A antena da empresa de telefonia funciona como um access point, que forma uma área de cobertura. Nessa região, o usuário pode, além de usar a Internet pelo celular, mandar mensagens de texto, fotos e, é claro, fazer ligações. Esse serviço é chamado de triplo play.

Segundo o professor do departamento de Engenharia Elétrica da UFPR Horácio Tertuliano dos Santos, a transmissão de dados, imagens e voz ocorre graças à digitalização, que permite aglutinar os três e depois enviá-los. “Esse processo é necessário, porque esses serviços atuam em faixas de freqüência diferentes”, explica. Tal sistema é conhecido como a tecnologia 3G, ou terceira geração. “Com ela veio a possibilidade de o usuário escolher, por exemplo, o tipo de toque para seu aparelho, como também baixar músicas da Internet para o celular”.

Apesar de parecer novidade, a tecnologia 3G pode se tornar ultrapassada com a chegada da 4G. Santos afirma que, com os novos avanços, o usuário de telefonia móvel terá a vantagem de tirar fotos em movimento com boa qualidade. Além disso, os aparelhos não devem ficar presos a uma operadora de telefonia, ou seja, o chip não será mais fixo. Flexibilidade essa que se tornou possível a partir do ano passado.

Santos contesta a falta de controle sobre a atuação das operadoras de telefonia móvel no país. Muitos serviços não são garantidos com o deslocamento do usuário de uma região para outra do Brasil ou até mesmo para outros países. “Mandar mensagens, fotos, vídeos e até mesmo fazer chamadas funciona muito bem até a pessoa sair da área de origem do aparelho. Em outros lugares, um celular de Curitiba, por exemplo, chega a pagar valores absurdos para utilizar o sistema 3G”, afirma Horácio.

Para ele, isso seria resolvido com uma fiscalização mais severa da Anatel sobre as operadoras em relação ao serviço ofertado e ao preço cobrado por ele. “Se alguém paga por uma tecnologia dita tão eficiente quanto a 3G, tem o direito de desfrutar dela em toda a área de cobertura da operadora e com um preço acessível”, opina Santos.

As gerações de telefonia móvel

Albini conta que o nome ‘celular’ nasceu pela forma como as mensagens de voz são recebidas pela torre de transmissão. Na primeira geração de telefonia móvel, cada aparelho se comunicava com uma célula da torre que recebia as informações e repassava. Esses eram os aparelhos analógicos AMPS, que só trabalhavam com a transmissão de voz. Era um meio caro e de alcance pequeno.

A segunda geração – tecnologia 2G – trouxe aparelhos TDMA, CDMA e GSM. Com eles, chegaram os serviços de mensagens de texto e torpedos SMS. O serviço custa menos, inclui mais usuários e possui maior cobertura.

Entre a segunda e a terceira geração, surgiu a 2.5G, que possui taxa de transferência de dados de 250KB. Na tecnologia 3G, a velocidade saltou para 2MB (quase mil vezes mais veloz do que a disponível antes). Albini estima que a geração 4G possa trazer uma velocidade de até 25MB.



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