Em termos de desenvolvimento tecnológico, o Brasil ficou em último lugar entre os países da América do Sul, segundo a pesquisa realizada pela Escola de Negócios da Universidade de Navarra (Iese) e pela empresa de consultoria Everis. A proposta do estudo era analisar o grau de evolução do setor de Tecnologia da Informação e da Comunicação (TIC) em países latinos para se estabelecer o Índice da Sociedade da Informação (ISI). Além do Brasil, foram estudados México, Chile, Argentina e Colômbia.
O consumo nacional de computadores tem crescido: em 2007, foram vendidas quase 10 milhões de unidades – aumento de 21,4% em relação a 2006. A telefonia móvel também teve um salto. Só no ano passado, foram adquiridas mais de 20 milhões novas habilitações. Apesar disso, fatores como desemprego, inflação e condições de infra-estrutura (como o padrão de consumo de energia elétrica) foram considerados na pesquisa e influenciaram na baixa colocação brasileira no ranking.
“A pesquisa da Everis não apresenta nenhuma novidade. O consumo de TIC no Brasil sempre foi inferior ao dos outros países latinos. È algo histórico”, conta Walter Tadahiro Shima, economista especializado em telecomunicações. Segundo ele, isso ocorre porque o nosso mercado de importações é tradicionalmente mais fechado. Em conseqüência, não se adquirem novas tecnologias.
Na opinião do professor de engenharia elétrica da UFPR e pesquisador da área de Comunicação Digital Evelio García Fernández, o nível cultural da população também deveria ser considerado no estabelecimento do ISI. “O consumo pode estar baixo não só pelas condições econômicas. É óbvio que questões educacionais também devem ser analisadas”, pondera. “Analisando o consumo de TIC no Brasil, nota-se que as regiões Sul e Sudeste têm um índice bem maior do que outras regiões do país. Essas mesmas regiões também apresentam melhores resultados em programas educacionais”, compara García Fernández.
A inclusão digital e a sociedade da informação
“Trilhamos um caminho sem-volta”, afirma Shima ao se referir ao crescimento do consumo de TIC no país. “Com os programas de inclusão digital, é impossível pensar que a população usará menos eletro-eletrônicos. Logicamente, o consumo tende a crescer”, conclui.
Segundo García Fernández, uma prova disso é a tecnologia wireless (conexão sem fio), que está cada vez mais integrada no país e que já faz parte de projetos do Governo. “Em Pinhais, redes wireless estão sendo implantadas em escolas públicas. É uma forma fácil e barata de inclusão digital”.
Desde 2005, o governo federal desenvolve o Programa Computador para Todos, que atende a consumidores com renda entre três e sete salários mínimos. “Seu objetivo é a entrada de cada vez mais brasileiros na chamada sociedade da informação – caracterizada pela democratização do conhecimento e pela rapidez na transmissão de dados, considerada por muitos, uma nova era”, diz Wagner Gonçalves do Nascimento, bacharel em computação.
“Muitas empresas estão diminuindo seus preços para levar a tecnologia a um maior número de pessoas”, diz Gonçalves do Nascimento. “Acredito que a popularização de TIC aproximará as pessoas. Afinal, a inclusão digital não serve apenas ao propósito de popularização de novas tecnologias. É uma forma de democratizar o conhecimento”, opina García Fernández.
Apenas 15% da população mundial tem acesso a Internet. Desses:
- 66% são da América do Norte e da Europa;
- 3,6% são da África;
- 15,5% são da América do Sul.
Conforme indica uma pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI Br), cerca de 67% dos brasileiros nunca acessaram a Internet. Essa quantidade equivale a aproximadamente 100 milhões de pessoas.