Do dia 26 até o dia 30 de maio acontecerá nas universidades federais e estaduais de todo o Brasil um plebiscito sobre o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). Na UFPR, o evento está sendo organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) e contará com 12 urnas distribuídas por todos os campi. A comunidade universitária poderá participar respondendo a três questões – a primeira relacionada ao programa em si e a possibilidade de sua revogação, a segunda sobre a implementação do Reuni na UFPR e a última a respeito da democracia dentro da universidade. Além do plebiscito, ocorrerão também mesas redondas sobre o assunto, no Anfiteatro 100 da Reitoria, dia 26 às 19 horas e no Centro Politécnico, no dia 27.
O DCE acredita que, embora o Reuni já tenha sido aprovado pelo Conselho Universitário, os rumos da universidade devem estar nas mãos de todos aqueles que dela fazem parte. “Decidimos fazer o plebiscito para que os verdadeiros anseios da comunidade acadêmica sejam expressos”, diz a estudante de Engenharia Ambiental e diretora do Setorial de Tecnologia do DCE, Rafaela Flach. Caso a desaprovação do programa por parte da maioria da comunidade universitária se confirme, o diretório pretende usar o resultado como um instrumento de resistência às mudanças consideradas pelos estudantes como ameaça ao caráter público, gratuito e de qualidade da UFPR.
Visto que, oficialmente, é pouco provável que a reitoria revogue sua adesão ao Reuni, a intenção do plebiscito é reclamar por mais democracia nas resoluções tomadas dentro da instituição. A consulta a estudantes, professores e servidores da UFPR acerca do assunto – segundo Rafaela – vem em resposta a uma reivindicação antiga. A estudante explica que antes mesmo de o Reuni ser aprovado pela reitoria, no final do ano passado, muitos alunos exigiam um plebiscito para que a opinião da comunidade universitária sobre essa decisão fosse considerada. “Vimos o Reuni ser aprovado pelo Coun na maternidade do Hospital de Clínicas (HC), protegido por força policial, enquanto a reitoria estava ocupada pelos estudantes”, lembra a diretora do Setorial de Tecnologia do DCE.
A expectativa dos organizadores do plebiscito é que o grande movimento de universitários visto ano passado, que culminou na ocupação da Reitoria, se repita agora em votos. “Continuar a discussão e a ação frente ao Reuni significa mostrar que a decisão ainda pertence a todos nós”, argumenta Rafaela. Além do plebiscito, o DCE realizará no segundo semestre um evento, chamado Universidade Popular, com a intenção de discutir um projeto de expansão da Universidade alternativo ao Reuni. Alguns pré-eventos, como palestras e debates envolvendo a questão, já estão ocorrendo na UFPR.
A crítica do DCE ao Reuni é, de acordo com Rafaela, que o programa busca cumprir metas para o recebimento de verbas, em detrimento a qualidade do ensino.“Atualmente, já vemos a falta de laboratórios, salas de aula e assistência estudantil. Com o aumento massivo de vagas sem melhoria de estrutura, tudo tende a piorar”, diz a estudante. E complementa: “Defendemos o aumento de vagas, mas que elas sejam ofertadas com qualidade e numa Universidade fundamentada no ensino, na pesquisa e na extensão”.