RSS
Blog da Redação
Quem Somos
Expediente
Galeria
Fale Conosco
Impresso
Rádio
TV
Galeria






Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Cultura | Publicada em 08/03/07 às 01h38

Morre a grande dama do teatro paranaense

Lala Schneider deixa um espaço vago nos palcos
Reportagem Pedro Augusto Souza
Edição Fernanda Trisotto

A atriz paranaense Lala Schneider faleceu na última quarta-feira, 28 de fevereiro, enquanto dormia. Aos 80 anos, ela não estava doente e gozava de boa saúde. Familiares a encontraram em sua cama por volta das dez horas da manhã, quando tentaram acordá-la. Lala foi velada durante toda a noite no hall de exposições do Teatro Guaíra e foi enterrada no dia seguinte, no cemitério do Boqueirão.

Uma história de amor pelo teatro

Apesar de ter sido registrada como Lala, seu nome de batismo é Esmeralda. A confusão se deu devido ao tardio registro da atriz, aos 11 anos, quando já era chamada por seus familiares apenas pelo apelido. Nascida no dia 23 de abril de 1926, em Irati, ela logo se mudou com a família para Curitiba.

Quando criança, já brincava de representar mesmo sem saber de que isso era teatro. Gostava de ler histórias, contá-las e depois interpretá-las junto com os amigos. Como era ela quem distribuía os papéis, pegava sempre para si o de princesa.

O seu envolvimento com o teatro aconteceu inesperadamente. Contratada para trabalhar no SESI com o serviço de recreação infantil, Lala foi convidada a participar de uma montagem que seria representada para operários nos bairros de Curitiba. Ela aceitou e, aos 24 anos, estreou nos palcos com a peça “O poder do amor”, de Nilo Brandão.

Dos primeiros passos à consagração

A primeira peça profissional que participoufoi “Um elefante no caos”, de Millôr Fernandes, em 1963. A montagem foi dirigida por Cláudio Correa e Castro para o primeiro grupo oficial de teatro do estado, o Teatro de Comédia do Paraná.

Desde então, Lala atuou em diversos espetáculos, alcançando grande reconhecimento por parte do público de teatro e também da crítica especializada. Ela recebeu o Troféu Gralha Azul, grande premiação do teatro paranaense, de melhor atriz por seu trabalho nas peças “Colônia Cecília”, de 1984, e por “O Vampiro e a Polaquinha”, de 1992.

Lala era considerada a primeira grande dama do teatro do Paraná, mas obteve notoriedade em outras áreas. No cinema, a atriz alcançou destaque em 2004, quando recebeu o Kikito de melhor atriz do 32º Festival de Cinema de Gramado, pelo curta-metragem “Vovó vai ao supermercado”, de Valdemir Milani. Na televisão trabalhou nas novelas “Lua cheia de amor”, “Felicidade” e na minissérie “Teresa Batista”, todas na Rede Globo. Seu último trabalho televisivo foi uma participação no seriado “A diarista”, em 2006.

Além de trabalhar como atriz, Lala também foi professora de interpretação. Em 1978 passou a lecionar no Curso Permanente de Teatro do Guaíra e, mais tarde, quando este migrou para a Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR) continuou ensinando. Um de seus mais célebres alunos é Luiz Mello, ator global. Em meados dos anos 90 abandonou a atividade para se dedicar mais ao trabalho de atriz. Lala também fez seis anos de Rádio Teatro e oito anos de Tele-Teatro. Ela trabalhou cerca de dois anos na Rede Globo, gravou cerca de 12 filmes e participou de 99 montagens teatrais.

Reconhecimento à grande Dama do Teatro

Diversas homenagens foram feitas a Lala Schneider durante sua vida. Em 1996, ela foi convidada a participar do espetáculo “Memórias do Teatro do Paraná”, em que pôde falar sobre sua carreira e experiência profissional, além de responder perguntas do público. Em 2000, os 50 anos de carreira da paranaense foram celebrados com uma exposição de recortes de jornal, cartazes e fotografias no Memorial de Curitiba. Entretanto, a maior homenagem que recebeu veio de seus ex-alunos João Luiz Fiani, Sílvia Monteiro e Luiz Pazello, que abriram um teatro em Curitiba e o nomearam Lala Schneider.

O último trabalho dela foi o filme “Mistéryos”, adaptado de alguns textos de "O Mez da Grippe e Outros Livros", de Valêncio Xavier. O personagem do roteiro era inicialmente um homem, mas foi adaptado para que Lala pudesse interpretá-lo. Pedro Merege, um dos realizadores do filme, disse que para a equipe “foi uma honra ter dirigido sua última cena, na qual ela esteve ótima”.

“Lala é um exemplo para todas as pessoas” afirma Regina Vogue, produtora de teatro e amiga da atriz. Para ela, Lala possuía uma energia positiva que inspirava todos que estavam a sua volta. Não possuía inimigos e estava sempre sorrindo e brincando. “Ela é a melhor e maior atriz do teatro paranaense, sua presença cênica era extremamente forte”, completou Regina.



Enviar comentário


O conteúdo deste campo não será publicado.
*
Copyright © 2010 Comunicação. Desenvolvido por Célio Yano, Vítor Yano, Gabriel Brum e Tiago Capdeville
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização da equipe do Comunicação On-line | Login