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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Cultura | Publicada em 13/06/08 às 12h21

Evoluções da música eletrônica

Continuando a série sobre sons que se popularizaram nos anos 90, o tema agora é o eletrônico
Reportagem Keilla Rebelo
Edição Amanda Audi
Rodrigo Pollon
A música eletrônica possibilita um amplo campo de criação - tudo depende da criatividade do DJ
A música eletrônica possibilita um amplo campo de criação - tudo depende da criatividade do DJ
Arquivo pessoal
O DJ Gee em ação - o trabalho se dá quase que unicamente na frente de um computador
O DJ Gee em ação - o trabalho se dá quase que unicamente na frente de um computador

Feita essencialmente com sintetizadores e softwares, a música eletrônica estourou na década de 1990. Hoje em dia, surgiram diversos subgêneros e vertentes, considerando que esses equipamentos eletrônicos passaram a ser utilizados nos mais diversos gêneros musicais, tais como o rap, o samba e o rock.

“Foi nos anos 90 que houve a grande massificação do gênero, os DJ’s se tornaram grandes celebridades, as estrelas de primeira grandeza no mundo musical”, conta o DJ Gee X. Para ele, apesar de estourar na mesma época do auge do movimento grunge, bandas como Nirvana e Pearl Jam não afetaram a avalanche que a música eletrônica havia desencadeado.

O DJ explica que a cada momento surge um novo conceito para as novas fusões da chamada e-music, o que tornaria impossível uma explicação de todos os diferentes tipos de música eletrônica. Mas essa diferenciação é necessária, “já que aqui no Brasil tudo que era eletrônico era denominado de techno, apesar da grandes variações de estilos e gêneros”, afirma.

As festas onde se toca música eletrônica, as chamadas raves, são muito populares em todo o mundo, e ganharam um público fiel também no Brasil. O E-motion Music é um núcleo de DJs de Curitiba que organiza festas eletrônicas, com a proposta de unificar os estilos e desmistificar o gênero, misturando-o com os mais diversos estilos musicais. Heidi, a gerente do grupo, conta que a e-music cresce a cada dia no mercado, trazendo novos ritmos, mas nunca esquecendo de sua origem.

Agora, até as tradicionais festas juninas têm a sua versão eletrônica – caso da Junina's Tronic, organizada pelo pessoal da E-motion. Para Gee, o futuro da música reside nessa capacidade de reciclar os ritmos já existentes: “A musica em si, não apenas a e-music, tem infinitas possibilidades de se fundir, misturar e reciclar. O novo ressurgindo do velho”, relata.

Porém, existem aqueles que não aprovam essa massificação da música eletrônica, como o jornalista Rubens Marchi. Ele reclama que hoje em dia o house é uma espécie de ‘praga’ nas pistas. “Nada contra o estilo em si, que é até legal, o que mata é a dificuldade de encontrar locais para se ouvir outras vertentes, como techno, breakbeat ou drum n' bass”. Assim, para ele, os locais estão restritos ao mesmo estilo de som, impedindo DJs e ouvintes de tocarem ou dançarem outros estilos. “Sou fanático por techno e breakbeat. O que eu faço então pra ouvir isso aqui em Curitiba? Ligo o som da minha casa ou do mp3 player”, brinca.

Com a popularização desse tipo de música, aumenta também o número de pessoas que procuram aulas para aprofundar os conhecimentos nessa área. A Academia Internacional de Música Eletrônica de Curitiba (Aimec) atua no ramo há quatro anos, oferecendo cursos de DJ e de produção musical. “Nesse período, a Aimec já formou cerca de 2.000 DJs e produtores musicais”, relata a gerente da Academia, Simone Borth.

Se você gosta da música eletrônica, mas tem dificuldades em identificar cada subgênero desse estilo, confira as principais características de cada vertente:

Sub-gêneros da música eletrônica

House: É uma evolução da disco music, uma versão mais robotizada que usa samples de vocais e melodias. Tem uma média de 130 batidas por minutos (bpms).

Techno: Utiliza efeitos e melodias mais condensados com poucas notas, é intenso e reto. Tem entre 135 a 150 bpms.

Trance: Desdobramento do Techno, as melodias têm atmosfera viajante, recheados de efeitos especiais que vão crescendo ate alcançar um ápice eufórico. Tem em torno de 140 bpms.

Drum n' Bass: Tem base rítmica acelerada e batidas quebradas. As bases são quase sempre feitas com baixos fortes e prolongados. Tem em media 160 bpms.

Dub: Tem muito efeitos de estúdio, como reverberações e ecos. Apresenta fortes referências da cultura jamaicana.

Trip Hop: Uma mistura de blues, eletrônico e trilhas sonoras de filmes. Serve para momentos mais lounge.

Electro: Combinação de hip-hop e e-music. A nova geração do electro, o electroclash, acrescenta elementos pop-rock dos anos 80.

Minimal: É uma versão ’light’ do house e do Techno. As melodias apresentam menos elementos sonoros (batidas, teclados, vocais e samples), com o intuito de se criar uma certa introspecção e um certo individualismo dentro da pista de dança.

Maximal: O inverso do minimal. Muitos efeitos sonoros (vocais, samples e ruídos), mas sempre com uma forte batida dançante e divertida.

New Rave: Mistura eletrônica de indie rock, punk, disco e electro.

Acid House: Estilo mais radical de house, misturando-o com sons pesados. Gênero musical fabricado em estúdio.

Breakbeat: Mais conhecido pelos samplers dos ritmos hip-hop, funk e electro e que logo se modificam e alteram para criar os denominados ’breaks’.

Trance Psicodélico (ou Psy): Este estilo tem uma batida rápida, entre 135 e 165 bpm, além da batida forte de kick, que algumas vezes difere do techno por ter um alcance de freqüência um pouco mais alto, além dos sons graves.

Confira aqui a primeira matéria da série sobre música nos anos 90 - sobre o grunge



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