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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
22/06/08

Nada como um bom conteúdo

por Shenara Pantaleão*

A edição de junho do impresso foi a melhor em questão de conteúdo e imagem de capa que já tive contato. A imagem de capa talvez pudesse soar um pouco sensacionalista por colocar uma senhora de cadeira de rodas com a pergunta “A UFPR está preparada para recebê-la?”. Mas isso não aconteceu. O que ela conseguiu foi chamar o leitor para analisar junto com as informações transmitidas pelo jornal a questão da acessibilidade e da disponibilidade de vagas da UFPR para pessoas com deficiência. Além disso, a diagramação da capa ficou interessante.

Em relação à estética, tenho mais três observações: Eu não entendi por que intercalar umas páginas em azul e outras em preto, ficou muito estranho. Parece que teve um erro de impressão. Na minha opinião, é importante que o jornal tenha uma identidade visual. A cor azul no “cabeçalho” o deixou com uma interface atraente aos olhos e para mim o preto só deveria continuar nas matérias. A segunda observação é em relação à foto da página 3. Ela está muito escura, praticamente indecifrável. Eu arriscaria dizer que era o José Arbex Júnior somente por causa da citação que segue embaixo da imagem. E a terceira está na entrevista com a pessoa da foto que eu me refiro acima. Na última pergunta, a quebra de linha não deu certo e ficou escrito “eventual-mente” em uma mesma linha.

Em relação às matérias, a da editoria de Política me fez lembrar uma frase do escritor George Orwell: “Jornalismo é publicar o que alguém não quer que seja publicado, todo o resto é publicidade”. Se Orwell lesse essa matéria, com certeza ia considerá-la um exemplo de jornalismo. É muito difícil encontrar em um meio de comunicação denúncias voltadas aos grandes empresários do meio. É uma matéria que para mim é exemplo, tanto na criatividade dos títulos quanto na apuração e no texto. A única observação que faço, é que uma das falas dos entrevistados foi retirada da entrevista com o José Arbex Jr. da editoria de Opinião, ou seja, ficou repetitivo.

Na editoria de Ciência & Tecnologia, apesar de o texto ser bastante denso, a matéria conseguiu contextualizar a situação dos inventores no Brasil, com serviços voltados para eles que a UFPR disponibiliza. Para mim, o que faltou foi explicar o desenho de uma invenção. Não consta na legenda. É uma das invenções citadas no texto? Ficou no ar.

A editoria de UFPR também explorou de forma satisfatória a questão dos deficientes. A idéia de levar uma pessoa com deficiência aos campi trouxe mais veracidade à matéria. Ou seja, ela não ficou presa a declarações da Associação dos Deficientes Físicos do Paraná e nem da pró-reitora de Graduação.

Já na parte de Cultura, apesar de o assunto ter sido bem interessante, com representantes de vários estilos musicais explicando as diferenças de suas trajetórias artísticas rumo ao sucesso, o texto ficou confuso em algumas partes. No subtítulo está escrito “Quais sãos os fatores que levam uma banda a estourar ou fracassar?”, acredito que o “ sãos ” foi um erro de digitação. Logo quando se inicia a matéria “Bom êxito, resultado final positivo: essas são as principais definições do dicionário Aurélio para a palavra sucesso” ficou confuso. Para mim, teria mais clareza se ao invés da vírgula entre “Bom êxito” e “resultado final positivo” existisse um “e”. Ou então, as definições poderiam ser deixadas para o final da frase. Em outro trecho da matéria, aparece “Nesse sentido, a internet é grande aliada, de acordo com Leandro Delmonico. Para ele, a grande rede torna o sucesso mais acessível (...)”. Acredito que o entrevistado não precisaria ser mencionado seguidamente. Na minha opinião, seria melhor se ficasse assim: “Para Leandro Delmonico, nesse sentido a internet é uma importante aliada pois a grande rede torna o sucesso mais acessível (...)”.

Em relação à editoria de Comportamento, a crueldade é abordada em todos os pontos possíveis. O fato foi esmiuçado ao máximo com ótimos personagens e a analogia ao filme Em nome do Pai foi bastante pertinente.

Outra matéria reveladora foi a da editoria Geral. Ao tratar de desmanches, conseguiu um comerciante de peças roubadas para falar abertamente sobre o assunto e esclarecer o funcionamento dessa rede pirata de peças. Isso está no nível de jornais de grande circulação. A matéria foi um exemplo de que apesar de o Comunicação ser um jornal de pequeno porte, ele não está preso a matérias de pouco conteúdo e mal elaboradas. A abordagem foi de primeira linha.

*Shenara Pantaleão é aluna do 6º período de Jornalismo da PUC-Rio, estagiária da TV ALERJ e diagramadora nas horas vagas


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