Um jornal é feito de pauteiros, repórteres, editores, chefes de redação, fotógrafos... E todos seguem a lógica jornalística aprendida nas cadeiras de faculdade e nas atividades diárias de uma redação. Mas e o leitor, como fica? Algumas vezes, a escolha de matérias, a construção da notícia e a maneira como a reportagem é conduzida – que para os jornalistas está perfeita – não agrada ao público. Da mesma forma, pequenos erros sempre passam despercebidos. Por isso, torna-se necessário um representante do leitor dentro da redação, que atende pelo nome de ombudsman.
A partir de hoje, em todos os domingos, a coluna do ombudsman abordará o conteúdo publicado no Comunicação – que pode ser um assunto específico em destaque ou uma análise do conteúdo geral da semana -, bem como apontamentos sobre questões pertinentes ao jornalismo de maneira geral, eventualmente. O ombudsman será responsável também por comparar as notícias publicadas no site e em outros jornais – seja da mídia impressa ou em outros sites.
O ombudsman do Comunicação será adaptado a partir de como a função é exercida na grande mídia. Portanto, os leitores que desejarem criticar, dar sugestões ou comentar o conteúdo do site, podem entrar em contato comigo pelo e-mail lu_mbc@hotmail.com.
No ano passado, ocorreu a primeira tentativa de implantação de um ombudsman no Comunicação. Tentamos agora novamente – e vamos ver quanto tempo vai durar porque, afinal, ombudsman é a pessoa mais odiada pelos profissionais que produzem qualquer jornal. Afinal de contas, jornalista adora criticar, mas odeia ser criticado e receber opinião contrária. Os apontamentos a ser feitos aqui visam o aprimoramento das atividades e da qualidade do veículo como um todo.
Não existe jornalismo sem falhas, pelas características intrínsecas da profissão (agilidade, rapidez, fontes que não são encontradas ou não comentam determinado assunto) e, lenda que remete ao jornalista Gianino Carta, afirma sua lamentação ao fechamento de cada edição diária do jornal O Estado de São Paulo: “Mais uma batalha perdida!”. Cabe ao ombudsman, pois, a função de tentar diminuir os lapsos cotidianos.
A origem do ombudsman
O termo ombudsman, de origem sueca do século XVIII, quer dizer “aquele que representa” e existe em diversas áreas, inclusive na da imprensa. Em outras palavras, poderia ser designado como “ouvidor-geral” e, embora o termo moderno seja sueco, seu conceito já existia anteriormente, como na Roma antiga (tribunos da plebe) e no Brasil colonial (bispos). De acordo com o primeiro ombudsman brasileiro, Caio Túlio Costa, do jornal Folha de São Paulo, foram os norte-americanos que deram a forma do ombudsman de imprensa.
Em todo o mundo, há uma quantidade reduzida de profissionais atuando na área, justamente pela posição questionadora do profissional. De acordo com a Organization of News Ombudsmen (ONO), atualmente há representantes da função em 14 países: África do Sul (um profissional), Austrália (dois), Brasil (quatro), Canadá (três), Colômbia (dois), Dinamarca (um), Estados Unidos da América (38), França (um), Grã-Betanha (dois), Índia (um), Holanda (três), Portugal (um), Suécia (dois) e Turquia (um).
Os representantes no Brasil são Marcelo Beraba, do jornal Folha de São Paulo; Plinio Bortolotti, do jornal O Povo; Maria Elisa Porchat, da rádio Bandeirantes e Osvaldo Martins, da TV Cultura.
Embora poucos veículos da grande mídia possuam a função de ombudsman, achamos que ela é pertinente em um jornal laboratório do curso de Comunicação para auxiliar o desenvolvimento e a evolução do trabalho dos estudantes.