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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná

Adoráveis senhores políticos

03/07 19h20

Quando comecei a escrever para política me senti o máximo. A sensação de entrevistar os donos do poder – que eu só conhecia pela TV – era engraçada; estava orgulhosa, e pensava que era fantástico conseguir conversar com os caras que mandavam na política do estado. Afinal, eles são sempre tão ocupados, e tudo o mais. Foi quando entrevistei o senador Álvaro Dias (PSDB) que a inocência de principiante começou a se dissipar. Os políticos não são tão ocupados quanto se pensa, e adoram conceder entrevistas – quando o assunto é de seu interesse. Quando o tema da matéria é comprometedor, ironicamente ninguém retorna as ligações, nem os e-mails, e todos estão ocupados com projetos importantes.

Entretanto, minha última matéria me ensinou que, pior do que os políticos e seus fascinantes assessores são as conseqüências de suas medidas e as artimanhas que eles usam para impor suas decisões. Precisava conversar com representantes de duas escolas municipais: São Luíz e Madre Antônia - respectivamente a melhor e a pior no estado segundo classificação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2007, divulgado no final de junho deste ano.

As pessoas responsáveis pelas escolas são proibidas de conceder entrevista sem prévia autorização da Secretaria Municipal de Educação (SME). Coincidência ou não, consegui autorização para visitar a Escola Municipal São Luíz – a primeira na classificação do Ideb –, mas quando solicitei autorização para entrevistar a diretora da Escola Municipal Madre Antônia – a última –, a SME decidiu, imediata e repentinamente, encerrar o período de entrevistas e acabar com a alegria da imprensa – a minha, em especial. O que me fez ficar pensativa foi que a diretora da Madre Antônia demonstrou interesse em conceder entrevista ao Comunicação, estava realmente disposta.

Na visita à São Luíz , percebi que é uma escola muito bem cuidada, e a diretora deixou claro que as solicitações feitas à SME são rapidamente atendidas. Se uma escola tem tanto apoio da secretaria, a outra também deveria ter. Se a qualidade de ensino de uma não está à altura do ensino de outra, e os recursos concedidos a uma são os mesmos que à outra, então não haveria motivo para impedir que a dita escola se manifestasse. Talvez seja só fantasiosa imaginação de repórter principiante ansiosa por arrumar confusão com os excelentíssimos senhores políticos, mas a impressão que tive foi de que alguém está tentando varrer pra baixo do tapete o lado negativo da coisa – leia-se ‘coisa’ = ‘ensino público’.

Lu Belin
Aluna do segundo ano de Jornalismo e repórter de Política do Comunicação


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