RSS
Blog da Redação
Quem Somos
Expediente
Galeria
Fale Conosco
Impresso
Rádio
TV
Galeria






Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Esportes | Publicada em 13/08/08 às 00h08

A peteca olímpica

O badminton é um esporte que cresce cada vez mais no Brasil
Reportagem Gabriela Bastos
Edição Franciele Bueno
Paulo Bastianini/arquivo pessoal
Cerca de mil pessoas praticam o esporte em todo o estado
Cerca de mil pessoas praticam o esporte em todo o estado
Gabriela Bastos
Oficina de badminton no Colégio Opet
Oficina de badminton no Colégio Opet

Raquetes, peteca, uma quadra e algumas pessoas. Assim é o badminton, um esporte semelhante ao tênis, mas no lugar da bolinha usa uma peteca, com a rede posicionada em uma altura maior – 1,55 m de altura do chão – e uma quadra um pouco menor. Pode ser jogado individualmente ou em duplas, com o objetivo de não deixar a peteca cair no seu lado da quadra e tentar com que o oposto aconteça no lado do adversário. Para vencer é necessário fechar dois sets de 21 pontos, sendo que a diferença mínima deve ser de dois pontos com um limite de 30.

A modalidade surgiu na Índia, inspirada em um jogo para crianças, e chegou em nosso país na década de 1980. No entanto, somente em 1993 foi fundada a Confederação Brasileira de Badminton (CBBd) e em 1995 os brasileiros participaram pela primeira vez de uma competição mundial. A principal conquista do Brasil foi uma medalha de bronze para a dupla masculina Guilherme Kumasaka e Guilherme Pardo, nos jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro.

No Paraná o badminton surgiu de forma organizada em 1996, com a fundação da Badminton Federação Paranaense, em Londrina. Dois anos depois o professor de Educação Física e presidente da federação por dez anos, Paulo Bastianini, organizou o primeiro torneio da modalidade no estado, realizado no ginásio Moringão, também em Londrina. Em 1999, Bastianini se mudou para Curitiba e trouxe com ele o badminton. Segundo o professor, desde a criação da federação, o esporte mudou bastante no estado. “No começo havia cerca de 40 pessoas que praticavam o badminton. Hoje em dia temos no Paraná aproximadamente mil praticantes”, conta.

Olimpíadas

Os atletas brasileiros da modalidade nunca disputaram os jogos olímpicos e em Pequim não foi diferente. Para Bastianini, isso ocorre porque o esporte ainda se encontra em desenvolvimento no Brasil e os praticantes ainda estão adquirindo o hábito de um treinamento mais intensivo – necessário para participar de uma olimpíada. “Antigamente não havia nem técnico da seleção, mas hoje isso mudou completamente, o badminton está ficando mais profissional”, explica.

O atleta paranaense e estudante Anthony Pereira, 18 anos, atribui a não participação do Brasil em jogos olímpicos à falta de investimentos no esporte e ao número reduzido de pessoas que se dedicam à modalidade. A estudante Kemoly Buco, 13 anos, que também pratica o esporte, concorda com Pereira e acrescenta que a pouca divulgação e os horários reduzidos de treinamento contribuem para o fato. Porém, o professor e os atletas acreditam que o nível do badminton brasileiro está cada vez melhor e o país tem chances reais de participar das Olimpíadas de Londres, em 2012.

Por que o Badminton?

Bastianini começou no esporte por brincadeira, achou divertido e foi buscar mais informações sobre a modalidade. Assim, ele percebeu que a novidade poderia se tornar um bom negócio. “Já existiam muitos professores ligados aos esportes tradicionais e, profissionalmente, eu queria me diferenciar. Acabei escolhendo o badminton e o badminton me escolheu, foi um achado para ambos”, conta.

Já Pereira descobriu a modalidade acompanhando o padrinho nos treinos. “O que eu gostei no esporte foi justamente o fato de ser algo diferente do que eu conhecia”, diz o estudante. Ele pratica o badminton desde os 11 anos, no mesmo local em que Bastianini dá aulas. Ultimamente Pereira diz que tem treinado apenas para manter o condicionamento físico devido à falta de tempo para se dedicar aos treinos para competições. No entanto, já participou de vários campeonatos e ganhou muitos deles, inclusive o sul-brasileiro. Além disso, durante algum tempo ele foi o primeiro colocado no ranking estadual de sua categoria.

“Comecei a me interessar pela cultura oriental, assim conheci o badminton. Eu gostei porque é um esporte que não exige muita força física, mas sim agilidade e raciocínio”, explica Buco. A estudante treina há quatro anos na escola onde estuda. Embora já tenha participado de mais de dez competições oficiais – entre elas um brasileiro realizado em Blumenau (SC) –, conquistando medalhas e troféus, ela diz que falta tempo para se dedicar mais ao esporte. Porém, conta que pretende retomar suas atividades na modalidade no próximo ano para voltar a competir oficialmente.

Os atletas afirmam que há dificuldades para praticar o esporte. “Há poucos lugares para treinar e também quase não temos apoio financeiro”, comenta Pereira. Por outro lado, Buco considera o badminton um esporte acessível, mas pouco divulgado. Bastianini concorda que existem barreiras para exercer a atividade, contudo o maior obstáculo é a aceitação das pessoas. “Às vezes podem ocorrer alguns empecilhos em relação ao espaço físico, mas isso é muito mais fácil de ser resolvido, é uma questão de adequação”, argumenta.

Em contrapartida, o badminton oferece muitos benefícios. “Para as crianças, existe uma melhora na agilidade, na coordenação motora e na noção espacial e temporal, além da questão do gasto calórico e dos benefícios que qualquer outro esporte traz”, explica o professor. “Já para os adultos é a questão do condicionamento físico e também do gasto calórico”, completa.

A atividade é indicada para todos, contudo o professor destaca que o ideal é começar quando criança, porque assim há um vínculo com o esporte e a assimilação se torna mais fácil. Os adultos que já praticaram outro esporte, segundo Bastianini, não terão problemas para se adaptar ao badminton. Enquanto que aqueles que são sedentários, devem iniciar a atividade com mais cuidado até adquirir o condicionamento físico necessário.

Construindo o futuro

Buco, Pereira e Bastianini concordam que a modalidade cresceu muito em Curitiba e no Brasil, mas que ainda há muito a se conquistar. “Depois do Pan-americano do Rio de Janeiro mais pessoas passaram a conhecer e praticar o esporte, mas ainda é pouco”, declara a atleta. Tanto o professor quanto os alunos apontam a divulgação, principalmente nas escolas, como forma de difundir o badminton. Além disso, a estudante cita a busca de mais apoio e patrocínio para o esporte.

De acordo com Bastianini, o badminton brasileiro precisa de um pouco mais de consistência. Entretanto, os jogos no Brasil já são mais equilibrados e há um desenvolvimento natural do próprio esporte. “Apesar de termos conseguido a medalha de bronze no Pan-americano do Rio de Janeiro, precisamos conseguir novos atletas para continuar a trajetória do badminton no país”, conclui.

Com esse intuito de disseminar a modalidade, Bastianini desenvolve um projeto nas escolas da capital paranaense. Ele procura as instituições para ministrar oficinas e aulas para os estudantes e também para prestar assessoria e treinamento de professores em escolas que tenham interesse em desenvolver o esporte. “A princípio eu procurava muito as escolas e agora está acontecendo o processo inverso, as escolas têm me procurado”, afirma o professor. Segundo ele, por enquanto apenas escolas particulares aderiram à modalidade, mas nada impede as escolas públicas de também oferecerem o esporte, desde que tenham estrutura com ginásio coberto, fundamental para a prática da atividade. Ele comenta ainda que em uma das escolas existe um projeto social, no qual as crianças que não estudam no colégio podem praticar o badminton aos sábados.

Para quem pretende jogar

“Como em qualquer outro esporte, para praticar o badminton também é necessário adquirir equipamentos, que não são tão caros”, afirma Bastianini. De acordo com o professor, o custo de uma raquete para iniciantes varia de 30 a 50 reais e de um tubo de petecas é de aproximadamente 40 reais. A dica de Buco para quem quer iniciar é de que se empenhe. “Não é tão difícil, é só buscar por locais que oferecem treinamentos”, declara.

Principais regras do jogo

- Um sorteio determina quem começa a partida. O vencedor tem a opção de servir ou receber ou de escolher seu lado na quadra.

- Para iniciar o jogo, o sacador deve bater na peteca de baixo para cima e na direção diagonal, dentro da área de saque. Quem recebe fica na diagonal do sacador. Nos jogos em duplas, o parceiro pode ficar em qualquer lugar da quadra se não atrapalhar a visão do adversário.

- Se o placar do sacador for par, o saque é feito pelo lado direito, se for ímpar, pelo lado esquerdo.

- É proibido dar dois toques seguidos no mesmo lado da quadra, tanto em duplas como em simples. Se a peteca acertar um jogador, sua roupa, o teto ou os arredores da quadra, é falta e ponto do adversário.

- A partida é disputada em melhor de três sets de 21 pontos, sem vantagem.

Havendo empate em 20, vence o jogo o atleta que abrir dois pontos de vantagem, porém isso é limitado a 30.

Locais para praticar badminton

Sesc da Esquina

Endereço: Rua Visconde do Rio Branco, 969 - 5º andar

Telefone: (41) 3304-2222


Opet Bom Retiro

Endereço: Rua Nilo Peçanha, 1635

Telefone: (41) 3028-2800



Enviar comentário


O conteúdo deste campo não será publicado.
*
Copyright © 2010 Comunicação. Desenvolvido por Célio Yano, Vítor Yano, Gabriel Brum e Tiago Capdeville
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização da equipe do Comunicação On-line | Login