Entre os dias 4 e 7 de setembro, aconteceu em Araucária o XIII Festival da Canção de Araucária (Festcar) que contou com a participação de 207 artistas de vários lugares do Paraná e de outros estados, como Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, São Paulo e Goiás. O evento já é tradição na cidade, mas sofreu diversas alterações no decorrer dos anos. “Durante algum tempo o festival parou de acontecer, mas agora está sendo revitalizado para se transformar em um grande evento”, explica o secretário da cultura do município, Marcos Drewniak. Para o artista Robison Cristian Santos, que participou do festival com sua banda concorrendo na categoria composição, essa é uma oportunidade de “sair da garagem” e se apresentar ao grande público.
Segundo ele, o objetivo do Festcar é promover a cidade, valorizar a música como arte e, principalmente, revelar novos talentos. O secretário acredita que o cenário musical brasileiro é muito rico, embora esteja corrompido pela exploração comercial e pela grande mídia, e que festivais como esse são importantes para demonstrar tal riqueza. “Há grandes artistas, músicos, correndo por fora dessa máfia comercial”, comenta Drewniak. “Mas também gosto de ritmos como of funk carioca, que, apesar de suas letras apelativas, mostra uma face da arte que é a expressão da sociedade em que é produzida”, completa.
De Elis a Zezé Di Camargo
Desde o dia 29 de agosto, vinham ocorrendo eliminatórias, mas o clímax do evento se deu no domingo (07) com a grande final. O público que compareceu e lotou um dos ginásios de Araucária pôde curtir cerca de seis horas de música com repertório variado. Dos 207 inscritos, apenas 34 foram selecionados para noite de gala e se apresentaram em quatro categorias diferentes: composição, bandas, interpretação sertaneja e interpretação popular. Cada artista era avaliado pelo júri – formado integralmente por músicos – nos quesitos interpretação, ritmo e afinação.
Os primeiros a subir no palco foram os concorrentes da composição, que vieram com letras, melodias e arranjos inéditos. Dez artistas diferentes apresentaram novidades para a música, enquanto era gravado o CD ao vivo do XIII Festcar. De acordo com Drewniak, é nessa categoria que está o principal foco do festival, já que ela representa uma renovação artística. “Juntamente com bandas, essa categoria foi a mais procurada, e isso me deixa contente porque prova que há muita coisa sendo produzida que precisa ser mostrada”, declara ele.
Em seguida, a categoria das bandas, que surpreenderam ao tocar e cantar clássicos da MPB – como Fulgás, de Marina Lima e Como Nossos Pais, clássico de Belchior, consagrado na voz de Elis Regina – e também músicas não tão conhecidas do grande público, como Cidadão de Papelão, de O Teatro Mágico. Mesmo as bandas que buscaram seu repertório no rock, não interpretaram as músicas “do momento”.
As bandas buscaram imprimir um tom de originalidade naquilo que fizeram. Por exemplo, houve uma que tocou músicas do Tihuana, mas não Tropa de Elite. "Dessa vez as bandas foram mais originais. Não empolgaram tanto o público, mas mostraram personalidade" opinou o estudante Guilherme Tremba, que acompanha o festival todos os anos.
Antes de passar para próxima categoria, uma pausa na competição para curtir a banda Brazil Express – que faz o acompanhamento dos artistas que concorrem no festival. Tocando hits dos anos 70 e 80, o grupo embalou o público. Quem não teve vergonha, dançou e pulou; os mais tímidos se balançavam sentados e suas cadeiras, ou apenas batiam o pé no ritmo da música, mas ninguém conseguiu ficar parado e o clima de discoteca se infiltrou no ginásio.
Passada a agitação, chegou a vez de escutar os concorrentes da interpretação sertaneja. Sertanejo para todos os gostos: moda de viola, country sertanejo, sertanejo romântico. Foi uma demonstração de que dentro de um mesmo estilo existem inúmeras variações e que, no mundo da música, não há lugar para generalizações.
Enquanto uma dupla interpretou Tião Carreira e Pardinho, a outra trouxe ao público Zezé Di Camargo e Ivete Sangalo. Outros cantaram também Bruno e Marrone e até músicas do grupo Tradição. A dona de casa Marlene Bastos, fã de música sertaneja, gosta mais das músicas animadas. “As lentas me dão sono", brincou ela.
Interpretação popular foi a última categoria da noite e apresentou, como diz o próprio nome, a Música Popular Brasileira. Foram oito artistas cantando o Brasil que já não é mais valorizado pela mídia, levando ao povo aquilo que já não é mais tão popular assim. Para muitos, uma oportunidade de ouvir o que não toca nas rádios, como, por exemplo, Djavan.
A festa se encerrou com a premiação dos melhores colocados em cada categoria, que receberam prêmios em dinheiro, troféus e muitos aplausos. Para fechar a noite, o público pôde assistir ao show do grupo curitibano Nélio Velho e os Novos Matutos, que apresentou um repertório sertanejo bastante diversificado.
Colhendo frutos
“Os resultados que obtemos com o festival são sempre bastante positivos”, afirma o secretário da cultura. Ele explica que após os festivais há um aumento da procura pelos cursos de música oferecidos pela Secretaria Municipal de Turismo e Cultura, pois as crianças e os jovens se interessam em aprender a tocar instrumentos e cantar. Para Drewniak, o festival é motivador: “Muitos saem daqui com vontade de conhecer mais o mundo da música, da arte”, comemora.
Além disso, muitos artistas que passaram pelo palco do Festcar em anos anteriores já se tornaram profissionais e conseguiram se inserir no mercado da música. Um exemplo é a dupla sertaneja araucariense Weslen e André, que venceu o festival no ano passado, já conseguiu gravar um CD e está fazendo shows, se apresentando inclusive no famoso rodeio da cidade de Barretos.