O mês de março marca a chegada daqueles que resolveram dar uma esticadinha nas férias. As aulas já começaram, o carnaval já passou e é preciso começar de vez o ano – estudar, trabalhar, deixar as festas só pro final de semana. O inusitado é que, de uns anos pra cá, as pessoas começaram a chegar de cada vez mais longe. Estados Unidos, Inglaterra, Nova Zelândia.
Os destinos das viagens variam, a língua aprendida também. O que não varia é o aumento da procura dos jovens pela maneira mais fácil de unir passeio, experiência, conhecimento de língua estrangeira e independência: o intercâmbio. O catálogo de viagens que uma agência de intercâmbio oferece é bastante amplo. Há opções para todas as idades, todas as situações estudantis e todo tipo de objetivo.
Para o estudante que deseja passar de três meses a um ano estudando em alguma instituição de ensino estrangeira, a melhor escolha é o Intercâmbio Estudantil. Já o Au Pair, possibilita aos jovens viajarem para a Europa e lá trabalhar cuidando de crianças. Outra alternativa é o Work and Travel, que oferece aos candidatos três meses (ou mais) de trabalho fixo em alguma empresa do exterior, com hospedagem e um visto de permanência de geralmente quatro meses.
Quando foi pra Dinamarca em 2004 por meio de um programa estudantil, Max Coelho, de 20 anos, tinha como objetivo conhecer uma nova língua e uma nova cultura. Dois anos depois, Max voltou a fazer parte de um programa de intercâmbio, mas dessa vez para trabalhar nos Estados Unidos. “As duas experiências foram ótimas para melhorar idiomas e conhecer a cultura de cada país, inclusive do nosso. O que vivemos no Brasil é diferente de todo o resto do mundo”, conta.
Desafio e superação
Ir para um país desconhecido sem amigos, sem família, tendo de se virar com aquele Inglês aprendido há alguns anos - e meio enferrujado pela falta de prática – não deve ser fácil, mas o choque acontece mesmo na diferença de costumes. Letícia Della Coletta conseguiu uma vaga para trabalhar em Roma, na Itália. E relembra: “No início, minha principal dificuldade foi durante a adaptação à maneira de pensar dos italianos. Eles gritam muito uns com os outros! No Brasil, uma cena assim dá a impressão de briga!”.
Mas se existem dificuldades no início, depois de um tempo elas saem de cena e dão lugar às oportunidades. Eduardo Rosenstein, de 26 anos, fez dois intercâmbios. O primeiro, em 2001, possibilitou 14 meses de estudo na Universidade Técnica de Berlim, na Alemanha. O segundo, em 2005, foi depois da sua formatura em Engenharia Eletrônica. Eduardo saiu do Brasil direto para Bruxelas, na Bélgica, para trabalhar como trainee durante um ano na empresa americana PricewaterhouseCoopers. Acabou conseguindo um cargo fixo e, atualmente, trabalha na sede nova-iorquina da empresa. Planos para o futuro? Eduardo é cauteloso: “Quero ficar em Nova York por alguns anos e dar os primeiros passos na carreira, mas tenho a intenção de voltar e continuar a carreira no Brasil. Tudo depende das oportunidades que forem surgindo”.
O que precisa estar bem claro na cabeça de quem almeja o intercâmbio é que o programa não se resume a uma simples viagem. É preciso estar pronto para abrir mão de alguns conceitos, engolir alguns sapos e procurar sempre o lado bom de tudo – porque dificuldades vão surgir, mas todas elas farão parte de um crescimento pessoal único e completo.
Serviço
O aluno que estuda na UFPR e procura uma opção de intercâmbio pode escolher entre a UIMA (Unidade de Intercâmbio e Mobilidade Acadêmica) e a AIESEC - Associação Internacional cujo programa de conhecimento e desenvolvimento pessoal vai muito além da viagem. Informações a respeito de como se inscrever, documentação necessária e vagas podem ser encontradas nos sites das empresas.
UIMA - A agência oferece duas opções: o programa de Intercâmbio, que permite aos estudantes estrangeiros cursarem até um ano de faculdade na UFPR, e o programa de Mobilidade Acadêmica, para aos estudantes de outras universidades estaduais e federais brasileiras que desejem estudar até um ano na UFPR.
Para planos de intercâmbio ainda em 2007, é necessário que o processo vindo da Coordenação do Curso seja efetuado até dia 30 de março. Para intercâmbios no início de 2008, o processo deverá ser feito até dia 30 de outubro. A entrada nos processos deverá ser dada com pelo menos 15 dias de antecedência da data limite, na UIMA, com sede no Prédio Histórico. Contato: 3310-2705. Informações sobre os critérios de seleção no site: http://www.uima.ufpr.br.
AIESEC - O intercâmbio pela AIESEC é feito após um período de interação entre o estudante e a agência. Durante esse período, o candidato à vaga de intercâmbio é levado a conhecer a si mesmo, desenvolver seu potencial e participar de um grande ambiente de aprendizado. A viagem de intercâmbio é uma das etapas de desenvolvimento pessoal que a AIESEC oferece.
Para entrar no programa é necessário passar por um processo seletivo. As inscrições vão até 26 de março. O material deverá ser entregue pessoalmente no escritório da AIESEC na UFPR, na Av. Pref. Lothário Meissner, 3.400, Jardim Botânico - 1° andar, sala 122. Contato: 3360-4426. Processo seletivo e outras informações em: http://www.aiesec.org/brazil/curitiba.