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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Cultura | Publicada em 23/03/07 às 16h04

A Fossa Nova

Apenas 24 anos de idade e já 17 de violão: Alexandre França lança novo CD no Guairinha
Reportagem Julia Guedes
Edição Aline Baroni
Reprodução
Capa do CD
Capa do CD "Solidão Não Mata"
Reprodução
A vida cultural efervescente de Alexandre França: lançamento de CD no Guairinha, livros de poesia publicados e peça de teatro em cartaz
A vida cultural efervescente de Alexandre França: lançamento de CD no Guairinha, livros de poesia publicados e peça de teatro em cartaz

Foram quase necessários dois desencontros para a entrevista com Alexandre França acontecer. Na primeira vez, por problema de horário, e na segunda, por uma pequena dificuldade de reconhecimento. Passados os problemas iniciais, o jeito simples e simpático de França - que com apenas 24 anos já estudou violão com o maestro Waltel Branco e tocou com grandes nomes da música curitibana - quebrou o gelo.

França é poeta, músico e compositor. Estudou Publicidade e fez dois anos de Letras na UFPR, mas não chegou a se formar. No dia 10 desse mês fez o lançamento do seu primeiro disco, “A solidão não mata, dá a idéia”, no Guairinha, para uma platéia de mais de 300 pessoas. Tem dois livros de poesia publicados (“Mata-Borrão, Batom”, de 2003, e “Toda Mulher Merece Ser Despida”, de 2005), e uma peça de teatro (“Às Cegas”).

Acompanhado pela atriz e amiga Claudete Pereira Jorge, que participou do “A solidão não mata”, França falou ao Comunicação On-line sobre sua carreira musical, o lançamento do CD no Guairinha e sobre seus planos para o futuro.

Comunicação On-line- Como você começou sua carreira musical?

Alexandre França - Faz muito tempo que comecei a compor. Tenho 24 anos e comecei a tocar violão com sete.

Comunicação - Você fazia poesia para fazer letras de música ou começou com a poesia e depois com a música?

França - Foi tudo ao mesmo tempo, mas a intenção sempre foi fazer canções. Na época de adolescente a gente fica ouvindo Legião Urbana, quer fazer parecido – e o fato é que a poesia veio junto. Com 16 anos, conheci o Luiz Felipe Leprevost, que é um poeta da cidade. Ele fazia poemas também. Fizemos uma parceria, comecei a musicar as coisas dele, e aí comecei a me meter de poeta também. Mas no começo não teve uma relevância pra mim, sempre foi uma coisa mais adolescente, coisa de diário.

Comunicação - Suas influências musicais vão do jazz ao rock, música clássica e MPB, como você define a musica que você faz?

França - Eu tenho uma brincadeira com o Sérgio Silva [radialista] sobre isso. Acho que eu faço uma espécie de “fossa nova”, porque as músicas falam de desilusões, solidão, só que de uma forma do nosso tempo. Ou seja, ao mesmo tempo em que eu sou influenciado pelo Lupicínio Rodrigues, que era um cara que fazia música de “fossa’, eu sou influenciado pelo Quentin Tarantino. Então eu acho que eu faço uma música triste, mas que é uma tristeza de hoje.

Comunicação - O título do CD (“A solidão não mata, dá a idéia”), de onde veio? O que significa?

França - Como as músicas tinham essa linha de solidão, dessa “fossa” que eu falei, eu resolvi pegar um poema do meu segundo livro (“Toda mulher merece ser despida”), que falava só sobre solidão. O título do disco é um verso desse poema. Quem veste a carapuça pensa: a solidão não mata, mas dá a idéia de se matar. Mas tem outras interpretações; tem uma que eu gosto, que é que a solidão não mata, mas dá a idéia, mas só dá a idéia. A pessoa pode escolher não ouvir a solidão.

Comunicação - No seu site, algumas das músicas do CD estão disponíveis para download. Qual a sua opinião sobre a influência da Internet na divulgação e exposição que o artista tem por esse meio?

França - Eu acho uma coisa genial. Inclusive abre portas pra mim, por exemplo. Muita gente vai, acredito eu, baixar música minha sem precisar do sistema midiático de TV e rádio, que é o tradicional. E a internet proporciona isso pra artistas desconhecidos; quem não é o Chico Buarque tem a internet pra mostrar, de alguma forma, a sua cara. Acho que a diversidade que se coloca ali é impressionante.

Comunicação - Como está sendo feita a distribuição do CD?

França - A distribuição é só pela Internet, pelo site. Agora a gente vai começar a vender na Fnac. Vai ter um show dia 24 e vamos começar a vender lá também.

Comunicação - Ter o lançamento do primeiro CD no Guairinha é uma grande responsabilidade. Como foi o show? Você já tinha tocado em algum evento grande assim?

França - Na verdade eu fiz um show quando eu era adolescente, no [teatro] Paiol. Mas foi muito diferente. Eu nunca tinha me deparado com tantos desconhecidos na minha vida. Uma coisa é fazer um show pra família, pros amigos, e outra é fazer pra pessoas que estão buscando saber o que você toca.

Comunicação - O disco foi feito com dinheiro da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Como foi o processo para conseguir o incentivo?

França - No meu caso foi complicado. Na época que eu fiz o projeto tinha uma fila imensa, então demorou três anos pra ser aprovado. Depois da aprovação demorou mais um ano captando recursos, indo atrás de empresas dispostas a participar do projeto, e começamos a escolher as músicas que iam entrar no disco.

Comunicação - Você tem dois livros publicados e uma peça de teatro. Como é atuar no meio cultural de um jeito tão intenso?

França - Meus livros têm o mesmo esquema do disco, eu vendo em shows e lançamentos. Não tem distribuição porque é complicado vender em uma livraria grande, colocam escondido e ninguém compra – ainda mais poesia. Acho que poema hoje é muito pouco lido. E ainda mais quem está começando, como eu. Quem vai na livraria comprar poesia vai comprar uma coletânea do Vinícius de Moraes para dar para a namorada.

Comunicação – E sobre as peças de teatro - França tem uma de 2003 (“Às cegas”) e outra que será lançada mês que vem ("Um idiota de presente") -, como foram feitas?

França - Bom, a “Às Cegas” foi um projeto que não deu certo porque não conseguimos verba. Mas para a nova estamos conseguindo: vai estrear dia 19 de abril no Mini Guaira, com duas atrizes maravilhosas, a Helena Portela e Verônica Rodrigues. É uma peça com um texto que eu fiz em homenagem ao Dostoievski, fala sobre culpa, morte. São duas irmãs confinadas em um apartamento. Uma delas vive numa cadeira de rodas por opção, e a outra tem que cuidar da irmã e levar a vida. E a que vive em cadeira de rodas tem um conhecimento muito de livros, e ela tenta convencer a irmã a matar uma pessoa, a partir desses conhecimentos que ela tem.

Para ouvir, conhecer e comprar: www.alexandrefranca.com.br



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