A entrada na universidade não significa apenas o início da realização do sonho de seguir a carreira desejada. A vida acadêmica durante as instituições de ensino superior representa, além de uma nova etapa profissional e novas amizades, uma mudança na personalidade do indivíduo. Na faculdade a pessoa cresce, amadurece, planeja suas idéias e cria novas responsabilidades. A liberdade da vida universitária acarreta muito mais do que festas.
Thelma Wistuba, formada há um ano em medicina veterinária na PUC-PR, confirma esse pensamento. “O que mais muda quando você entra na faculdade é a responsabilidade. Você se sente adulto.” A veterinária também ressalta as mudanças de relacionamento entre amigos e com a família. “Você cria uma identidade própria, não mais aquilo que seus amigos ou família esperam, mas o que você realmente acha certo para você.” Para Thelma, as responsabilidades com a faculdade têm um lado negativo. “É difícil concordar que você não vai poder ir àquele churrasco da turma porque tem estágio e outros compromissos mais importantes”. Mas nada que um aluno não possa superar. O que importa é o crescimento pessoal ao longo do curso para enfrentar o mercado de trabalho.
A psicóloga e especialista em educação da PUC-PR, Mari Ângela Calderari Oliveira, explica que a faculdade é uma etapa para construir sua responsabilidade, para depois encarar o mercado de trabalho. Isso também tem relação com a segurança que indivíduo tem de si e do que é capaz. “Os estereótipos profissionais nas universidades podem ser uma maneira de camuflar essa insegurança sobre o que o aluno adquiriu ao longo do curso”. Entretanto, para a professora, não existem desvantagens durante esse período de ensino superior — seja na parte de conhecimento, relacionamentos, ou profissional. “Todo desafio serve para formar um melhor cidadão e a universidade nada mais é do que um desafio para encarar o próximo”.
Realidades bem distintas
Essa visão de responsabilidade começa a se formar no terceiro período da universidade. Essa época constitui uma fase em que a pessoa não possui mais aquela mentalidade de ensino médio, e também quando começa a pensar em um segmento específico daquilo que pretende. A estudante do segundo ano de economia da UFPR, Marcela Marques, acredita que a universidade mudou sua rotina. “A faculdade não é como o colégio. Você aprende a conviver com pessoas diferentes, a não julgar mais pelas aparências e, apesar de fazer um curso de escolha própria, você tem que ter a mesma responsabilidade também para as coisas que você nem gosta muito.” Para ela, esse amadurecimento também reflete nas relações familiares. “Hoje meus pais não implicam tanto comigo como antes. Eles confiam mais nas minhas decisões”. E a futura economista tem uma visão decidida sobre essa fase. “Ou você amadurece ou fica na faculdade para sempre”.
Mari Ângela afirma que a escola é uma extensão da casa, onde a pessoa se relaciona com seus iguais, com quem convive e cresce junto. A universidade, ao contrário, é uma realidade nova e desafiadora. Além de conhecer pessoas muito diferentes, há também a questão de aprender a se relacionar e a encarar o fato de estar em um lugar onde você não conhece ninguém. É uma nova escola, mas sem a influência dos seus pais. E é esta a questão chave do amadurecimento: as escolhas feitas por si mesmo. “O processo de mudança é drástico, mas ao mesmo tempo desejado pelo aluno. O medo se mistura à excitação pelo novo”. A liberdade oferecida pela faculdade pode trazer tanto benefícios como o oposto. “Muitos alunos utilizam essa liberdade para amadurecerem. Outros, contudo, usam-na para justificar atos infantis”, contrasta.
Mudanças visíveis desde o primeiro momento
Essas opiniões, contudo, não devem se restringir àqueles que já têm alguma história acadêmica. Os ditos “calouros”, alunos do 1º ano, também têm suas perspectivas e, apesar da vida universitária ainda curta, sentem algumas mudanças significativas. Taís Mariana Pereira, recém ingressa no curso de Direito da UniCuritiba, conta da surpresa que teve com os primeiros contatos com seus colegas de faculdade. “Achei que quando passasse no vestibular e entrasse na faculdade encontraria pessoas que compartilhassem das minhas idéias, mas são todos muito diferentes.”
Estagiária em um escritório de advocacia, Taís acredita que essa nova fase não mudou só o seu jeito de pensar, mas também como os outros a encaram. “As pessoas não te olham mais como uma adolescente, mas como uma universitária”. E quando o assunto é sobre o estereótipo da profissão, a estudante acredita que o convívio com aquelas “formas de ser” faz o estudante mudar seu jeito de agir e até de falar. “Mas claro, tudo que é excessivo não vale à pena, nem faz bem”, finaliza.