RSS
Blog da Redação
Quem Somos
Expediente
Galeria
Fale Conosco
Impresso
Rádio
TV
Galeria






Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Especial - FTC 2007
Especial - FTC 2007 | Publicada em 24/03/07 às 17h57

Thom Pain – Lady Grey trata das peculiaridades do ser humano

A peça apresenta visões diferentes para temas aparentemente banais
Reportagem Fernanda Trisotto
Divulgação
O provocativo Thom Pain, representado pro Guilherme Weber:
O provocativo Thom Pain, representado pro Guilherme Weber: "vocês precisam me ver para me ouvir?"

Uma das estréias mais esperadas da Mostra Oficial desta edição do FTC era a de Thom Pain – Lady Grey, novo trabalho da Sutil Companhia de Teatro, dirigida por Felipe Hirsch. A expectativa deve-se ao respaldo que o grupo tem no meio teatral. Fundada por Hirsch e o ator Guilherme Weber, em 1993, a Sutil Companhia vem ganhando prêmios e elogios por suas montagens repletas de particularidades. Além do bom faro para escolher textos, a equipe da Sutil é formada por alguns dos melhores profissionais da área, como o iluminador Beto Bruel, nacionalmente reconhecido por seus trabalhos.

Thom Pain – Baseado em nada e Lady Grey – Em luz cada vez mais baixa são os monólogos que compõe a montagem. De autoria do norte-americano Will Eno, os dois textos foram escritos para serem apresentados juntos, pois um é o “outro lado” do seguinte, e vice-versa. Embora sejam complementares e tratem de visões diferentes sobre temas parecidos, há uma grande diferença entre as duas apresentações.

Thom Pain, interpretado pelo ótimo Guilherme Weber, tem um texto instigante e inteligente. Não à toa, foi um dos finalistas do Prêmio Pulitzer de 2005 – premiação norte-americana entregue aos destaques do jornalismo, literatura e música. Assim que entra em cena, Pain tenta acender um cigarro em meio ao breu que paira sob teatro. Sem sucesso, ele pergunta à platéia: “vocês precisam me ver para me ouvir?”. Provocativo e com certos comentários ácidos, ele consegue prender a atenção do público por uma hora, sem que se perceba o passar do tempo. Além disso, a interação com a platéia se dá na medida exata, principalmente naquelas tiradas de improviso que não estão no texto.

Por outro lado, Lady Grey não apresenta a mesma força textual que o primeiro monólogo. As associações feitas são mais fracas, o que torna esta segunda parte monótona e cansativa. Fernanda Farah é menos interativa como Lady Grey. Entretanto, o problema do monólogo não está na atriz, mas sim no conteúdo. O próprio intervalo acabou por dispersar o público. A atenção que a platéia prestava ao primeiro texto, que acabou por elevar as expectativas de todos, desapareceu por completo na segunda apresentação. Tudo que se ouvia, além da atriz, eram as cadeiras do Teatro da Reitoria rangendo e algumas pessoas mais impacientes levantando-se e saindo.

Um professor me disse que no teatro não existe meio termo: ou você está no céu, ou no inferno. Essa foi uma impressão que tive ao sair do teatro. A peça, que começou tão bem, não conseguiu manter seu vigor ao final das duas horas. Independentemente disso, os assuntos abordados cutucam o espectador e o levam a refletir sobre os vários comportamentos adotados pelo homem contemporâneo. É um espetáculo que vale a pena assistir, mesmo que não tenha correspondido inteiramente às expectativas.

Serviço:

Thom Pain – Lady Grey – Drama – Mostra Oficial

Dias: 24 de março às 20h30.

Ingressos: R$26 e R$13

Teatro da Reitoria – Rua XV de Novembro, 1299 - Centro

Texto: Will Eno

Direção: Felipe Hirsch

Elenco: Guilherme Weber e Fernanda Farah. Duração: 120' (com intervalo)

Sutil Companhia de Teatro



Enviar comentário


O conteúdo deste campo não será publicado.
*
+
Comentários (1)
Copyright © 2010 Comunicação. Desenvolvido por Célio Yano, Vítor Yano, Gabriel Brum e Tiago Capdeville
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização da equipe do Comunicação On-line | Login