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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Especial - FTC 2007
Especial - FTC 2007 | Publicada em 24/03/07 às 23h47

Teatro de rua atrai todo tipo de espectador

O público pode conferir gratuitamente 35 espetáculos encenados ao ar livre
Reportagem Amanda Audi
Edição Fernanda Trisotto
Divulgação
O mexicano Daniel Quesadas (foto) é autor, diretor e elenco na comédia circense de rua <i>Cus Cus Circus</i>
O mexicano Daniel Quesadas (foto) é autor, diretor e elenco na comédia circense de rua Cus Cus Circus

Não são poucas as pessoas desavisadas que se deparam com palhaços ou personagens dignos de um romance saído do século XVI andando pelas ruas de Curitiba. Os espetáculos de rua podem ser conferidos gratuitamente em horários e locais variados. Com essa opção, quem não tem dinheiro para assistir às peças da Mostra Oficial do FTC, fica sem desculpa para não prestigiar o evento. As peças de rua são uma tentativa de aproximação do mundo teatral com a população, e, principalmente, com aquelas pessoas que não tem o hábito de freqüentar o teatro.

O enredo das peças geralmente é determinado pelo local onde ela será encenada. A Rua XV, por exemplo, é o espaço preferido para montagens de temas circenses ou histórias mais simples, que são facilmente entendidas pelos passantes. Enquanto isso, as ruelas do Largo da Ordem, onde o movimento é menor, possibilitam um aprofundamento dos temas encenados.

O músico Paulo Kishinoto participa da peça Mutante Varieté, do grupo The Pambazos Bros, de Campinas, apresentada na Praça Osório. “A vantagem das encenações ao ar livre é a possibilidade de alcançar todo e qualquer tipo de pessoa, desde crianças até idosos. Com as peças abertas, nós conseguimos levar um pouco mais de cultura pra quem a quiser receber”, afirma Kishinoto. Ele acredita que o acesso ao teatro se tornou elitista e essa fuga dos lugares fechados consegue atenuar esse estigma.

Marilene Otane é espectadora assídua do teatro de rua. “Hoje de manhã assisti ao O pagador de promessas, no Largo, e agora ao Cus cus circus, na Rua das Flores. Percebi uma grande diferença entre as duas, principalmente em relação ao perfil do espectador. A platéia do primeiro era formada por pessoas que foram até lá com a intenção de conferir a montagem, enquanto que, no segundo, a maioria do pessoal estava passando pela rua na hora, e resolveu dar uma espiada”, relata Marilene.

Entre as pessoas que passam na rua no horário das peças está Joselaine Rodriguez. Durante seu horário de almoço, Joselaine resolveu descobrir o motivo de uma aglomeração de pessoas. “Elas estavam assistindo às brincadeiras do grupo Circolapso. Eu gosto deste tipo de apresentação, mas não pude ficar até o final”, conta.

O jeito é improvisar

Um dos maiores diferenciais dos espetáculos de rua é a utilização do próprio público como ferramenta para o andar da encenação. Os atores fazem brincadeiras, interagem, e até se valem das pessoas como peças de cenário. Esse tipo de relacionamento garante que cada apresentação seja única, diferente das demais. Assim como em qualquer outra atividade ao ar livre, quem participa dessas encenações deve saber lidar com alguns imprevistos que não são usuais nos palcos cobertos.

Diego Martinez, um uruguaio que atua há sete anos com teatro de rua e participa do grupo The Pambazos Bros, lista vários dos problemas enfrentados por esses artistas. “Várias coisas podem nos atrapalhar. Desde mudanças climáticas – quando o sol fica escaldante ou chove –, o barulho do tráfego e até pessoas que resolvem, por livre e espontânea vontade, participar das peças”, diz Martinez. E quando uma coisa dessas acontece, é preciso ter jogo de cintura para lidar com a situação. “Outro dia estávamos no meio de uma apresentação, quando uma senhora resolveu se levantar da platéia e começou a correr e a gritar no meio do cenário! O maior desafio do ator de rua é saber improvisar”, conclui.

O teatro alternativo

Martinez ressalta a importância das manifestações alternativas de cultura, que possibilitam um leque maior de opções para a comunidade. “A maior forma de entretenimento atualmente é a televisão, e as pessoas, geralmente, se esquecem que existem outras possibilidades. Esse tipo de produção faz com que a magia do teatro seja relembrada, e isso é muito bom!”, comemora.

Serviço

MUTANTE VARIETÉ – Comédia circense - Fringe

Dias: 25 e 30, às 18h; 26, às 9h30; 27 e 31, às 12h; 28 de março e 1º de abril, às 14h

Rua XV de Novembro/Praça Osório

Texto e Direção: The Pambazos Bros

Elenco: Diego Martinez, Jorge Zagarzazu e Paulo Kishimoto. Duração: 60'

The Pambazos Bros

O PAGADOR DE PROMESSAS – Drama - Fringe

Dia: 25 de março, às 18h

Largo da Ordem

Texto: Dias Gomes

Adaptação e Direção: Michelle Cabral

Elenco: Bruno Ganem, Caito Guimaraens, Carlos Lancaster, Deborah Bapt, Fernando Lopes Lima, Glauer Carvalho, Gláucia Christina, Matheus Longui, Mihay Freire, Raphael Calvo e Tatiana Quadros. Duração: 80'

Grupo Cronos de Teatro

CUS CUS CIRCUS – Comédia Circense - Fringe

Dia: 25 e 30, às 14h; 26 e 31, às 16h; 27, às 18h; 28 de março, às 9h30 e 1º de abril, às 18h.

Rua XV/Praça Osório

Texto e Direção: Daniel Quesadas

Elenco: Daniel Quesadas. Duração: 50'

Circus Cus

Mais informações sobre os espetáculos de rua no site: www.festivaldeteatro.com.br.



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