As pessoas saem do Ensino Médio e é socialmente convencionado que elas já façam o vestibular. Resultado: quase quatro em cada dez estudantes que entram na universidade pública não concluem o curso – é o que diz Marina Marques, aluna da UFPR no último ano de Psicologia e autora de monografia sobre reopção de curso universitário.
Com esse número, e o consenso de que escolher a profissão aos 16, 17 anos é muito cedo, não é difícil acontecer de errar. Mas o que faz alguém desgostar da primeira opção? Bem, segundo a psicóloga, os motivos são os mais variados. Imaturidade, pressão familiar, estresse precoce por causa do mercado de trabalho e ignorância sobre as carreiras almejadas, são alguns deles.
Um estudo menos recente, da Universidade de São Paulo (USP), aponta que a desistência no início do curso está relacionada diretamente à escolha. Já quando os jovens se decepcionam no decorrer da graduação, entre o quarto e o sexto semestre, é porque começaram a se questionar sobre o sentido da profissão. No final do curso, de acordo com a tese, a questão que mais aflige é o mercado de trabalho, a busca de emprego.
Mais ganhos que perdas
Larissa Vatzco foi uma corajosa que re-escolheu a carreira. Na época do vestibular, sua primeira opção era História, mas acabou desistindo porque “não queria virar professora”, diz. Ficou entre Direito e Jornalismo. “Eu tinha um visão bem preconceituosa do Direito, e acabei optando pelo Jornalismo”, lembra. Final do ano passado, Larissa se inscreveu no Provar e mudou para Direito. Justifica que, além de não estar gostando de Jornalismo, sabia que o mercado estava bastante escasso, e não viu motivo para continuar. “Eu não era apaixonada pelo que estava fazendo. Se fosse, até terminaria o curso. Então, fui atrás de algo que gostasse mais, que tivesse mais a ver comigo”, completa.
Foi através dos diversos amigos que cursam Direito na UFPR que Larissa percebeu estar no lugar errado. “A minha veia de debate é muito forte, e no Direito isso é mais presente do que no Jornalismo”, afirma. Ela, uma dos 94 estudantes que conseguiram a reopção de curso na UFPR dentre os 130 candidatos, não considera os dois anos que cursou Jornalismo como anos perdidos: somou experiência e se diz hoje muito mais madura. Acha até bem mais fácil recomeçar agora que conhece a Universidade. “Também aproveito o que já tinha visto em Jornalismo, principalmente nas matérias teóricas. Têm coisas que já estudei, autores que já li. Por enquanto eu estou feliz, o saldo entre as coisas boas e ruins é positivo”.
Transferência externa: injustiça?
Bruna Cremonese, estudante de Enfermagem, conseguiu via Provar transferência da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Ela está entre os 508 aprovados do total de 1013 inscritos na terceira etapa do processo em 2006. Resolveu vir para a Federal principalmente por não ter de pagar para estudar. Ela já sabia que encontraria algumas dificuldades no caminho, como o iminente risco de greves e a falta de alguns professores e de materiais, mas não se frustrou com a mudança. Apesar de ter se aproveitado do Provar, a estudante é contra o projeto. “A verba destinada ao aluno que largou o curso deveria ser dividida com os demais”, afirma.
Quem discorda é Ana Carolina Thomazini, aluna de turismo que veio, também pelo Provar, das Faculdades Integradas Curitiba (FIC) para a UFPR. “Provavelmente é mais complicado distribuir esse dinheiro entre os outros alunos, deve ser uma transação bem mais burocrática. Fica mais fácil oferecer as vagas para um substituto”, diz. Ana Carolina soma à gratuidade do estudo a grade mais abrangente do curso de Turismo na UFPR, que oferece mais opções ao aluno. “O mais difícil é que você entra em uma turma em que todo mundo já se conhece. Eu entrei no segundo ano e me sentia meio perdida, mas aos pouco fui conhecendo o pessoal”, conta.
Serviço
O Provar é dividido em cinco etapas, em ordem decrescente de prioridade. A primeira etapa diz respeito aos alunos que desejam mudar de turno ou habilitação dentro do mesmo curso. Após a primeira etapa, a mudança de curso para alunos da UFPR com base no escore do vestibular (segunda etapa) e a transferência externa de alunos de outras universidades (terceira etapa) ganham, cada uma, metade das vagas restantes.
Se ainda assim existirem vagas ociosas, a quarta etapa atende alunos que querem mudar de curso, mas não têm escore necessário. O aluno precisa ter feito no vestibular em que foi aprovado pontuação suficiente para ingressar no novo curso, e por isso, passa por um processo seletivo. Finalmente, há a quinta etapa para ex-alunos da UFPR que desejam reintegrar-se à Universidade em um curso que tenham abandonado ou ainda em um novo.
No Provar 2007, 461 alunos reoptaram de curso dentro da UFPR ou vieram de outras faculdades. Em breve, o calendário do Provar 2008, no site: www.provar.ufpr.br.