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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Especial - FTC 2007
Especial - FTC 2007 | Publicada em 26/03/07 às 18h14

Uma solteirona em apuro rouba a cena

Comédia do Fringe aborda a aflição da mulher solteira desesperada no sábado à noite
Reportagem Iasa Monique
Edição Ivan Sebben
Divulgação
Qual mulher nunca perdeu o controle esperando a ligação do namorado? Algumas horas de espera ao telefone é a desculpa mais que perfeita para a neurose da solteirona Alice, em <i>Manual prático da mulher desesperada</i>
Qual mulher nunca perdeu o controle esperando a ligação do namorado? Algumas horas de espera ao telefone é a desculpa mais que perfeita para a neurose da solteirona Alice, em Manual prático da mulher desesperada

Casa cheia, assentos improvisados, muita movimentação. Assim estava o bar e restaurante Era Só O Que Faltava na noite de ontem, dia 25, antes da quarta apresentação de Manual Prático da Mulher Desesperada, da Cia. Cênica Simplicissimus, no Festival 2007.

Apresentada em três mini-atos, a peça mostra a aflição da personagem Alice durante uma noite de sábado. Alice é solteira e passa horas esperando pelo telefonema de um pretendente. Durante a espera, milhões de coisas passam pela sua cabeça – desde relacionamentos passados que não tiveram sucesso até possíveis situações que podem ter impedido o telefone de tocar.

Utilizando de projeção de filme e recursos de gravação de voz, as sátiras leves (embora extremadas) apontam as situações que fazem as mulheres se apegarem a detalhes. Querendo acreditar que era realmente importante para o homem de quem esperava o telefonema, Alice se auto-consolava: “Ele estava com pressa, e tinha tanta gente em volta dele… E mesmo assim ele me chamou de querida duas vezes! Duas vezes!”

A montagem também recorre à cena básica do universo feminino: o salão de beleza e o amigo manicure gay. E embora o ritmo do diálogo seja bastante acelerado, a repetição da história e a falta de elementos novos tornam a cena cansativa por alguns instantes. Mesmo assim, as mulheres da platéia não deixam de se sentirem íntimas à situação. “Me reconheci em diversos momentos”, afirma Fernanda Sartor, que assistiu ao espetáculo pela primeira vez.

A peça, que tem texto de Dorothy Parker com adaptação e direção de Ruiz Bellenda, já está nos palcos curitibanos desde outubro de 2006. A Cia. também já levou o espetáculo a São Paulo, junto com a montagem Oscar Wilde Me Disse – e, de acordo com o ator Cadu Scheffer, sempre com bom público. A produção tem intenção de continuar com as apresentações de Manual Prático da Mulher Desesperada após o Festival.

Superlotação

Uma pequena falta de comunicação entre a produção da peça e a bilheteria do Festival fez com que algumas pessoas tivessem dificuldades em se acomodar. De acordo com o diretor (que, de bom humor, chegou a ficar de joelhos para pedir desculpas ao público) foram vendidos alguns ingressos a mais do que a capacidade da casa permitia. A equipe do bar e da produção da peça resolveu o problema com cadeiras e banquinhos improvisados.

Serviço

MANUAL PRÁTICO DA MULHER DESESPERADA – Comédia - Fringe

Dias: 22 de março a 1º de abril, às 21h. Ingressos: R$16 e R$8

Bar Era Só O Que Faltava – Av. República Argentina, 1334 – Água Verde

Texto: Dorothy Parker

Adaptação e Direção: Ruiz Bellenda

Elenco: Cadu Scheffer e Adriana Birolli. Duração: 60'

Cia. Cênica Simplicissimus



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