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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Sociedade | Publicada em 19/04/09 às 22h59

Descaso ameaça educação de crianças portadoras de TGD em Curitiba

Escola para alunos com Transtornos Globais do Desenvolvimento corre o risco de fechar devido à falta de ajuda financeira
Reportagem Letícia França
Edição Henrique Kugler
Letícia França
 Bancos vazios. Se nada for feito, esse pode ser o destino da Escola Alternativa
Bancos vazios. Se nada for feito, esse pode ser o destino da Escola Alternativa
Melina de Souza
Crianças brincando no pátio da escola. Algumas delas têm expectativa de vida inferior a dez anos
Crianças brincando no pátio da escola. Algumas delas têm expectativa de vida inferior a dez anos
Melina de Souza
A maioria das crianças são da periferia, e, caso a escola venha a fechar, não se sabe qual será o destino dos 101 alunos matriculados
A maioria das crianças são da periferia, e, caso a escola venha a fechar, não se sabe qual será o destino dos 101 alunos matriculados

A única escola em Curitiba para alunos com Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) pode estar prestes a encerrar suas atividades. A instituição, conhecida como Escola Alternativa, situa-se no bairro Alto da Glória e tem funcionado graças a poucas ajudas filantrópicas – com limitado apoio municipal e estadual. Entretanto, essas ajudas não estão suprindo as necessidades da escola, que possui atualmente 101 alunos e mais 150 na lista de espera.

A Escola Alternativa foi fundada há 27 anos, com a proposta de ofertar um ensino gratuito aos alunos com dificuldade de aprendizagem. São alunos que apresentam diversos problemas de conduta, conhecidos cientificamente como Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD). Incluem-se nesse grupo pessoas com autismo e psicose infantil.

“As pessoas com TGD possuem uma carência da ação cognitiva. Elas podem, muitas vezes, apresentar problemas físicos ou síndromes”, diz Adriana de Lima, diretora da escola. “Nossos alunos têm sérios quadros de distúrbios emocionais, que resultam, entre outras coisas, em dificuldades de adaptação escolar.” A escola atende alunos de três anos até a fase adulta.

Dificuldades para se manter

A instituição não possui espaço físico próprio, e sua sede fica em um prédio alugado pela Associação Mantenedora do Ensino Alternativo (Amena). Trata-se de uma instituição de direito privado, sem fins lucraticos, que vem direcionando esforços financeiros e administrativos para o ensino de crianças com TGD.

A escola possui um terreno, mas ainda não há recursos para a construção de uma nova sede. Essas condições precárias fazem com que ela não receba alguns benefícios do governo, como o Laboratório do Sistema Único de Saúde. “Nosso espaço físico é reduzido e nossas salas de aulas são pequenas, a falta de um lugar para instalação desse laboratório faz com que não possamos pedir o benefício”, diz Adriana, que também é presidente da Amena. “Para suprir essa carência, a escola precisa pagar um convênio da Ecco Salva!”, completa.

Além do pouco espaço físico, há uma quantidade pequena de profissionais para atender à demanda. São 40 pessoas responsáveis por de cerca de 70 alunos por turno. Apesar de parecer uma boa proporção, os alunos possuem necessidades especiais. As crianças e adultos matriculados na escola têm dificuldades como amarrar os sapatos, comer, falar, escrever, se expressar e controlar os esfíncteres, o que exige maior atenção e aumento no número de profissionais.

A Secretaria de Estado da Educação (SEED) possui um convênio com a Escola Alternativa. É um Convênio de Cooperação Técnica e Financeira, firmado de acordo com o número de alunos que a escola mantém, prevendo o pagamento de professores, atendentes e profissionais para serviços gerais. Porém, segundo com a direção da escola, isso ainda é insuficiente - e muitos profissionais que são repassados não são especializados na área. Para a SEED, no entanto, o atendimento educacional para alunos com TGD não difere do que é adotado para aqueles considerados ‘normais’.

Importância do ensino especial

Hermina Pereira, mãe de um aluno de 17 anos, tem certeza de que alunos com TGD não podem estudar em escolas normais. “Meu filho estuda na Escola Alternativa há 12 anos. E, num único período que ele freqüentou escolas normais, ele não foi bem atendido e regrediu”, conta.

Hermina reside em Campo Largo, região metropolitana de Curitiba, e afirma que lá não existem escolas especializadas em TGD. Assim, as mães acabam obrigadas a matricular seus filhos em Curitiba, na Escola Alternativa. Mas muitas famílias não têm condições financeiras para pagar o transporte até a capital, impossibilitando seus filhos de estudar. “Hoje a prefeitura de Campo Largo faz esse transporte gratuitamente, mas existem outras cidades em que isso não acontece”, diz Hermina. Logo, as mães acabam matriculando os filhos em outras escolas - o que não é bom para eles.

Esperança?

“A Escola Alternativa está com dificuldades para se manter, e será muito triste se ela fechar”, diz Adriana. “Se isso ocorrer, para onde vão nossos 101 alunos? E os 150 que ainda estão na lista de espera?” Tentando responder a essa pergunta, a SEED informou que esses em lista de espera já estão sendo encaminhados para uma outra escola especial da cidade. “Resta saber o que será dos demais.”

Para se manter e não fechar as portas, a Escola Alternativa realiza alguns programas de apoio e incentivo ao ensino especial. Alguns deles são o ‘Apadrinhe um aluno’, por meio do qual as pessoas podem ajudar financeiramente um aluno da escola; o ‘Livro de ouro’, em que entidades públicas e privadas podem colaborar; além de outros eventos, como bingos, jantares e bazares. Mas a maior das dificuldades é encontrar público para esses eventos. “São sempre os amigos dos pais, dos professores. Essas pessoas ficam cada vez mais desgastadas por não ver nosso público aumentar. A ajuda não aumenta, e os problemas continuam”, lamenta Adriana.

Serviço

Se você tem interesse em ajudar a Escola Alternativa, entre em contato.

Endereço: Rua Dr. Goulin, 72 - Alto Da Glória

Telefone: (41) 3252 6186

CEP: 80 030-290

Email: amena@onda.com.br

Para saber mais sobre o assunto, leia também a matéria sobre Psicose na infância, da editoria Comportamento.



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