A primeira edição do Comunicação deste ano traz textos de alto teor informativo, com dados estatísticos e pluralidades de fontes. Reportagens claras, objetivas, que usam as novas regras ortográficas. O editorial, ambicioso, destaca a mudança e o aprofundamento das matérias como linhas mestras, o que a equipe vai buscar realizar nas reportagens.
O projeto gráfico, porém, pode ser melhorado. O formato atual não é ruim, mas é convencional. Não parece feito por uma geração que produz e consome informação na internet. Um jornal laboratório mensal pode se dar ao luxo de gastar tempo pensando as matérias graficamente buscando novas fontes de inspiração que não sejam os jornais tradicionais. A arte de tornar um jornal agradável é de responsabilidade não só de diagramadores e editores, mas, também de repórteres, que podem e devem pensar que elementos gráficos poderão compor suas matérias. Sugestão: visitar o Newseum (http://www.newseum.org/todaysfrontpages/), site que traz capas de jornais de todo o mundo. Vai ajudar a pensar formatos mais atrativos.
Abaixo, seguem alguns apontamentos sobre estrutura de texto, edição e relevância dos temas abordados. São opiniões que, evidentemente, não levam em conta as dificuldades que se tem ao fazer um jornal laboratório.
Estrutura de texto
Ao se procurar dar leveza aos textos, é grande a tentação do uso de nariz de cera. A matéria publicada na página quatro – “Apoio da família e fé: autênticas heroínas” – acabou ficando sem lead.
Da mesma forma, poderia ser reescrito o primeiro parágrafo da matéria “Tráfico e consumo de drogas cresce na capital”, na página seguinte, trazendo de forma mais direta o dado principal: .80% dos homicídios estão ligados ao tráfico. A matéria correlata da mesma página também precisaria de uma reformulação do primeiro parágrafo, deslocando a declaração do delegado do Denarc para mais próximo do início, pois é o que dá o tom de “Curitiba na rota internacional”. As informações sobre as divisas do Paraná, com o Paraguai e outros estados deveriam aparecer após a declaração do delegado.
Edição
Há alguns problemas pontuais de edição. A matéria “Restrição ao acúmulo de vagas é provável”, tem um título que fica enfraquecido por usar “é provável”. Talvez fosse mais apropriado algo como: “Projeto quer proibir acúmulo de vagas”. A palavra “já”, usada na gravata, pode ser cortada sem prejuízo informativo.
Na página seis, cujo tema é Ciência e Tecnologia, a reportagem “Alimentos orgânicos nas mesas brasileiras”, repete a palavra “orgânicos” cinco vezes nos títulos. Os dois títulos da página oito também repetem a palavra “lei”. O ideal é usar termos diferentes, sempre que possível.
Na página sete, o quadro “Saiba o que fazem e o número de membros de cada comissão permanente da CMC”, é pouco informativo. Após lê-lo o cidadão acaba conhecendo muito pouco sobre o trabalho das comissões. Dá para usar melhor os recursos gráficos, com informação de interesse do leitor.
Relevância
Todas as reportagens trazem temas relevantes, sem deslizes éticos ou posições tendenciosas. Não há, também, críticas irracionais ou brincadeiras de mau gosto. É jornal de gente que percebe que a vida social acontece nas calçadas (e não dentro de carros que circulam em vias rápidas). Mas, dá para irem além. Tornar as pautas mais criativas.
Para ficar em um só exemplo: na editoria de Política, como o jornal saiu em abril e fazia mais de mês que os vereadores de Curitiba estavam exercendo suas atividades, não tinha sentido dar o foco na renovação da Câmara. Com os dados sobre a renovação poderia buscar outros ganchos, como a não aprovação de projetos da oposição. Ou, então, mostrar que a única coisa que poderão fazer é barulho. Ou, ainda, que estratégias poderiam ter os vereadores de oposição para realmente fiscalizar a prefeitura, algo que é provavelmente a principal função do Poder Legislativo no Brasil.
A percepção sobre pauta melhora com a leitura cotidiana de jornais, revistas e sites. Buscar novos enfoques é sempre uma tarefa árdua. Mas é o que faz a profissão ser interessante.
Todo mês, o Comunicação convida um profissional diferente para avaliar nosso impresso, além de nossa ombudsman fixa, Juliane Bazzo.