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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Esportes | Publicada em 28/04/09 às 20h55

Paraná ganha destaque no cenário nacional do badminton

Competições disputadas na capital paranaense receberam atletas de cinco estados do Brasil
Reportagem Helen Anacleto
Edição Gabriela Bastos
Helen Anacleto
No Paraná mais de 1600 pessoas praticam o badminton
No Paraná mais de 1600 pessoas praticam o badminton
Helen Anacleto
A idade dos atletas é variada, alguns chegam a ter menos de dez anos
A idade dos atletas é variada, alguns chegam a ter menos de dez anos

O Paraná tem um histórico de crescimento no badminton. Em todo o estado, catorze cidades já oferecem treinamentos e lugares para a prática desse esporte. De acordo com representante de marketing da Badminton Federação Paranaense, Alceu Bonfim, em 2006, os praticantes somavam 150 pessoas; atualmente, esse número já ultrapassa os 1600. A meta, segundo ele, é atingir cerca de 500 novos adeptos do esporte a cada ano até 2012. Segundo Pedro Chen, professor e atleta primeiro colocado no ranking estadual da modalidade, em dois anos os lugares para jogar badminton saltaram de dois para dez. “O número de praticantes e alunos também aumentou bastante, principalmente depois dos jogos Pan-americanos do Rio”, acrescenta Chen.

A convite direto da Confederação Brasileira de Badminton (CBBd), Curitiba recebeu no início do mês de abril as duas competições que abriram o calendário da modalidade: as etapas do Circuito Nacional e do Sul-Brasileiro de Badminton. Do nacional participaram os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, com destaque para os paulistas que constituem a elite do esporte no país. Segundo Alceu Bonfim, a escolha da capital paranaense para sediar as competições pode ser atribuída ao fato de ela se localizar no centro de todos os estados participantes, facilitando o transporte das delegações. No Circuito Sul-Brasileiro, foram 140 participantes dos três estados do Sul do país, com o Paraná ficando com o maior número de pódios nas categorias adulto e masculino e conquistando o maior número de títulos.

Sobre o desempenho dos atletas paranaenses nas competições, o representante da federação afirma que o aumento no número de praticantes reflete no nível dos atletas. “Mesmo não tendo ainda muitos lugares para praticar o esporte, o número de atletas vêm aumentando e o nível está evoluindo”, explica Bonfim. No entanto, ele admite que ainda há muito a melhorar: “Os atletas ainda não estão com o condicionamento físico ideal, como os paulistas, por exemplo, lá, os atletas treinam cerca de quatro horas por dia enquanto aqui nós treinamos duas ou três vezes por semana”.

A falta de lugares para treinar constitui um dos maiores problemas para os jogadores. Nos clubes de Curitiba que disponibilizam o esporte só os sócios têm acesso, tornando a prática restrita. Professor no Clube Curitibano, Pedro Chen explica que o badminton só pode ser jogado em ambientes fechados, por isso é especialmente abrigado pelos clubes que possuem ginásio próprio.

Para Paulo Bastianini, professor de badminton, a dificuldade em instituir novos lugares para a prática está na resistência das escolas. “Aqui, ninguém quer marcar a quadra para badminton, coisa que em outros países é muito comum”, justifica Bastianini. O professor, que já trabalhou em Teresina, aponta a difusão da prática nas escolas como uma das alternativas para popularizar o esporte no país. “Já cheguei a fazer oficinas para 800 crianças no Piauí”, conta o professor. “O maior obstáculo é romper o ceticismo das pessoas com a modalidade”, finaliza.

Nova geração do badminton

O dia 22 de março teve um gosto especial para Bruno Mitsuo Tamioka de Oliveira. Foi nesse dia que ele se sagrou campeão da I Etapa do Circuito Nacional de Badminton, disputado em Curitiba. Jogando pela a categoria sub-15, Tamioka venceu também, no último dia quatro, a etapa do Circuito Sul-Brasileiro disputada na capital paranaense.

Apesar dos títulos, a falta de incentivo financeiro é evidente.“Tenho que arcar com as minhas próprias despesas e gastos nas viagens”, diz o atleta. Tamioka afirma, ainda, que não recebe nenhum auxílio da prefeitura da cidade de Palmas, onde mora. Mas a ausência total de patrocínio e incentivo ao esporte não parecem ser obstáculos na caminhada vitoriosa do jovem atleta.

A rotina de treinamentos dele é pesada. Na Associação dos Japoneses de Badminton de Palmas – único lugar em que se pratica o esporte na cidade – Tamioka treina quatro vezes por semana, sendo que cada treino tem a duração de duas horas. Tratamento puxado, mas que não desanima o campeão: “Não vejo nada de errado com os treinamentos, sei que preciso deles pra melhorar cada vez mais e ganhar mais campeonatos”.

Também atleta de badminton, com apenas dez anos João Vitor Falavinha conta que a mãe o incentivou a começar na modalidade. “Eu já fazia futebol e ela queria que eu fosse bom em dois esportes”, expõe. João revela que no início da prática sentiu algumas dificuldades. “Eu achava cansativo, porque é um esporte muito rápido, que gasta muita energia”, diz.

A vontade de ganhar títulos é o que impulsiona Lucas Hang, de apenas oito anos. Ele treina no Sesc da Esquina, em Curitiba e explica que começou a praticar o esporte para acompanhar o pai que já treinava. Para ele, o badminton foi uma surpresa agradável. “Como eu não conhecia direito, achava que era chato, mas hoje gosto muito”, afirma o pequeno atleta que mostra treinar forte para atingir seu objetivo principal: “Ainda vou ser campeão mundial”, garante.

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