O Paraná tem um histórico de crescimento no badminton. Em todo o estado, catorze cidades já oferecem treinamentos e lugares para a prática desse esporte. De acordo com representante de marketing da Badminton Federação Paranaense, Alceu Bonfim, em 2006, os praticantes somavam 150 pessoas; atualmente, esse número já ultrapassa os 1600. A meta, segundo ele, é atingir cerca de 500 novos adeptos do esporte a cada ano até 2012. Segundo Pedro Chen, professor e atleta primeiro colocado no ranking estadual da modalidade, em dois anos os lugares para jogar badminton saltaram de dois para dez. “O número de praticantes e alunos também aumentou bastante, principalmente depois dos jogos Pan-americanos do Rio”, acrescenta Chen.
A convite direto da Confederação Brasileira de Badminton (CBBd), Curitiba recebeu no início do mês de abril as duas competições que abriram o calendário da modalidade: as etapas do Circuito Nacional e do Sul-Brasileiro de Badminton. Do nacional participaram os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, com destaque para os paulistas que constituem a elite do esporte no país. Segundo Alceu Bonfim, a escolha da capital paranaense para sediar as competições pode ser atribuída ao fato de ela se localizar no centro de todos os estados participantes, facilitando o transporte das delegações. No Circuito Sul-Brasileiro, foram 140 participantes dos três estados do Sul do país, com o Paraná ficando com o maior número de pódios nas categorias adulto e masculino e conquistando o maior número de títulos.
Sobre o desempenho dos atletas paranaenses nas competições, o representante da federação afirma que o aumento no número de praticantes reflete no nível dos atletas. “Mesmo não tendo ainda muitos lugares para praticar o esporte, o número de atletas vêm aumentando e o nível está evoluindo”, explica Bonfim. No entanto, ele admite que ainda há muito a melhorar: “Os atletas ainda não estão com o condicionamento físico ideal, como os paulistas, por exemplo, lá, os atletas treinam cerca de quatro horas por dia enquanto aqui nós treinamos duas ou três vezes por semana”.
A falta de lugares para treinar constitui um dos maiores problemas para os jogadores. Nos clubes de Curitiba que disponibilizam o esporte só os sócios têm acesso, tornando a prática restrita. Professor no Clube Curitibano, Pedro Chen explica que o badminton só pode ser jogado em ambientes fechados, por isso é especialmente abrigado pelos clubes que possuem ginásio próprio.
Para Paulo Bastianini, professor de badminton, a dificuldade em instituir novos lugares para a prática está na resistência das escolas. “Aqui, ninguém quer marcar a quadra para badminton, coisa que em outros países é muito comum”, justifica Bastianini. O professor, que já trabalhou em Teresina, aponta a difusão da prática nas escolas como uma das alternativas para popularizar o esporte no país. “Já cheguei a fazer oficinas para 800 crianças no Piauí”, conta o professor. “O maior obstáculo é romper o ceticismo das pessoas com a modalidade”, finaliza.
Nova geração do badminton
O dia 22 de março teve um gosto especial para Bruno Mitsuo Tamioka de Oliveira. Foi nesse dia que ele se sagrou campeão da I Etapa do Circuito Nacional de Badminton, disputado em Curitiba. Jogando pela a categoria sub-15, Tamioka venceu também, no último dia quatro, a etapa do Circuito Sul-Brasileiro disputada na capital paranaense.
Apesar dos títulos, a falta de incentivo financeiro é evidente.“Tenho que arcar com as minhas próprias despesas e gastos nas viagens”, diz o atleta. Tamioka afirma, ainda, que não recebe nenhum auxílio da prefeitura da cidade de Palmas, onde mora. Mas a ausência total de patrocínio e incentivo ao esporte não parecem ser obstáculos na caminhada vitoriosa do jovem atleta.
A rotina de treinamentos dele é pesada. Na Associação dos Japoneses de Badminton de Palmas – único lugar em que se pratica o esporte na cidade – Tamioka treina quatro vezes por semana, sendo que cada treino tem a duração de duas horas. Tratamento puxado, mas que não desanima o campeão: “Não vejo nada de errado com os treinamentos, sei que preciso deles pra melhorar cada vez mais e ganhar mais campeonatos”.
Também atleta de badminton, com apenas dez anos João Vitor Falavinha conta que a mãe o incentivou a começar na modalidade. “Eu já fazia futebol e ela queria que eu fosse bom em dois esportes”, expõe. João revela que no início da prática sentiu algumas dificuldades. “Eu achava cansativo, porque é um esporte muito rápido, que gasta muita energia”, diz.
A vontade de ganhar títulos é o que impulsiona Lucas Hang, de apenas oito anos. Ele treina no Sesc da Esquina, em Curitiba e explica que começou a praticar o esporte para acompanhar o pai que já treinava. Para ele, o badminton foi uma surpresa agradável. “Como eu não conhecia direito, achava que era chato, mas hoje gosto muito”, afirma o pequeno atleta que mostra treinar forte para atingir seu objetivo principal: “Ainda vou ser campeão mundial”, garante.