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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Política | Publicada em 30/04/09 às 02h17

Urbs realiza audiência pública para discutir licitação do transporte

Evento reúne entidades governamentais, não governamentais e usuários
Reportagem Luan Galani
Edição Cícero Bittencourt
Luan Galani
Mais de 300 pessoas participaram do evento que discutiu os novos rumos do transporte público em Curitiba
Mais de 300 pessoas participaram do evento que discutiu os novos rumos do transporte público em Curitiba

A Urbs, empresa que gerencia o sistema de transporte em Curitiba, realizou na última segunda-feira (27) uma audiência pública para discutir as diretrizes para elaboração do edital de licitação do Sistema Urbano de Transporte Coletivo de Curitiba. A audiência, o primeiro evento desse tipo no município, ocorreu no Teatro Londrina, no Memorial da Cidade, e contou com a presença de representantes de entidades governamentais, não governamentais e demais setores da população, totalizando aproximadamente 350 pessoas.

O presidente da Urbs e também anfitrião do evento, Marcos Isfer, afirmou que pretende concluir o edital de licitação até o início do segundo semestre deste ano. “Nós esperamos concluir a construção do edital em um prazo de 60 a 90 dias”, garantiu. “Queremos iniciar 2010 com a devida empresa escolhida e tudo pronto para um novo começo”. Até a audiência, segundo Isfer, nada havia sido decidido e pré-definido. “O edital está sendo construído e só tomará rumos certos com as sugestões dadas pela população”, garantiu.

O edital será lançado depois da discussão das diretrizes com a comunidade e atenderá a legislação nacional sobre concessões de serviços públicos. Os futuros contratos com as empresas vencedoras da licitação deverão descrever de forma completa e detalhada todos os direitos dos passageiros, especialmente em relação à segurança e a qualidade dos serviços.

A prioridade do transporte coletivo sobre o individual é uma das diretrizes da nova lei do transporte. De acordo com a lei, a participação da sociedade civil no planejamento, fiscalização e avaliação do serviço público deverá ser assegurada com o já criado Conselho Municipal de Transporte, órgão consultivo que promoverá a participação da comunidade nas decisões importantes do poder público. A nova lei também traz garantias de qualidade do serviço para os passageiros com exigências de rapidez, conforto, regularidade, segurança, entre outras.

Além disso, todas as informações e decisões relativas ao Metrô de Curitina estarão incluídas no edital. Segundo Isfer, o Metrô parece viável. “Uma linha fará toda a diferença”, conta.

O Conselho Municipal de Transporte é formado pelos vereadores Jairo Marcelino (PDT) e Denilson Pires (DEM); o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo, Rodrigo Corleto; o diretor de Transportes da Urbs, Fernando Ghignone; o professor da PUCPR, Fábio Duarte; a diretora de Trânsito da Urbs, Rosângela Battistella; o prefeito de Araucária, Albanor Gomes; o engenheiro do Ippuc Ricardo Bindo; e Luiz Antunes Rodrigues, que representa os usuários do sistema.

Preço da tarifa

Um dos critérios utilizados na escolha da empresa a ser licenciada, de acordo com informações apresentadas pelo gestor da área de operação do transporte, Luiz Filla, será o baixo custo da tarifa. Esse ponto é uma das principais reivindicações dos usuários e foi uma das perguntas mais recorrentes dirigidas à banca da Urbs – formada por Marcos Isfer, Luiz Filla, o gerente de fiscalização Edson Berleze e o diretor de transporte Roberto Ghignone – durante a audiência pública.

Para o administrador de empresas Gustavo de Castro, que acompanhou o evento, o aumento da tarifa no início desse ano não foi justo. “A Urbs deveria ter diluído o aumento no tempo, e não aumentar a tarifa de uma vez só, sem tempo suficiente de aviso”, afirma. A aposentada Lindalva Oliveira, 64, compartilha da mesma opinião. “Eles deveriam avisar com antecedência as mudança de tarifa”, diz.

Militantes do passe-livre também marcaram presença e discutiram a questão com o presidente da Urbs. Segundo Gustavo Silva, um dos integrantes do movimento, a capital paranaense deveria tem condições de adotar o sistema de passe-livre. “Em diversas cidades do Brasil e do mundo esse sistema funciona. Por que, então, em Curitiba não é possível, ainda mais com nosso sistema de transporte exemplar?”, questiona.

Segundo o diretor de transportes da Urbs, Roberto Ghignone, a entidade está constantemente buscando inovações tecnológicas para melhorar a qualidade dos transportes para os usuários. “Em pouco tempo teremos mapas das linhas na internet, como o Google Maps, e começaremos a usar biodiesel em 15 de nosso ônibus”, explica.

Um sistema deficiente?

Para o presidente da Associação Brasileira de Deficientes Físicos e diretor do Conselho Municipal de Direito, Mauro Nardini, embora o preconceito sofrido pelos deficientes seja grande, segundo ele, o sistema de transportes está melhorando. “Estamos em um processo de renovação. Então, muitas falhas, como também muitos acertos acontecem”. Mas Nardini ressalta que é necessário mudar as atitudes da população e dos gestores. “Eles pensam em números, só que nós somos seres humanos”.

De acordo com Nardini os exemplos dos sistemas de transportes que respeitam deficientes, como os de Maringá e Blumenau, devem ser copiados e aperfeiçoados. ”Nessas cidades não só as atitudes dos empregados dos transportes são outras, mas existem carros e vans especiais para eles”, afirma.



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