A Urbs, empresa que gerencia o sistema de transporte em Curitiba, realizou na última segunda-feira (27) uma audiência pública para discutir as diretrizes para elaboração do edital de licitação do Sistema Urbano de Transporte Coletivo de Curitiba. A audiência, o primeiro evento desse tipo no município, ocorreu no Teatro Londrina, no Memorial da Cidade, e contou com a presença de representantes de entidades governamentais, não governamentais e demais setores da população, totalizando aproximadamente 350 pessoas.
O presidente da Urbs e também anfitrião do evento, Marcos Isfer, afirmou que pretende concluir o edital de licitação até o início do segundo semestre deste ano. “Nós esperamos concluir a construção do edital em um prazo de 60 a 90 dias”, garantiu. “Queremos iniciar 2010 com a devida empresa escolhida e tudo pronto para um novo começo”. Até a audiência, segundo Isfer, nada havia sido decidido e pré-definido. “O edital está sendo construído e só tomará rumos certos com as sugestões dadas pela população”, garantiu.
O edital será lançado depois da discussão das diretrizes com a comunidade e atenderá a legislação nacional sobre concessões de serviços públicos. Os futuros contratos com as empresas vencedoras da licitação deverão descrever de forma completa e detalhada todos os direitos dos passageiros, especialmente em relação à segurança e a qualidade dos serviços.
A prioridade do transporte coletivo sobre o individual é uma das diretrizes da nova lei do transporte. De acordo com a lei, a participação da sociedade civil no planejamento, fiscalização e avaliação do serviço público deverá ser assegurada com o já criado Conselho Municipal de Transporte, órgão consultivo que promoverá a participação da comunidade nas decisões importantes do poder público. A nova lei também traz garantias de qualidade do serviço para os passageiros com exigências de rapidez, conforto, regularidade, segurança, entre outras.
Além disso, todas as informações e decisões relativas ao Metrô de Curitina estarão incluídas no edital. Segundo Isfer, o Metrô parece viável. “Uma linha fará toda a diferença”, conta.
O Conselho Municipal de Transporte é formado pelos vereadores Jairo Marcelino (PDT) e Denilson Pires (DEM); o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo, Rodrigo Corleto; o diretor de Transportes da Urbs, Fernando Ghignone; o professor da PUCPR, Fábio Duarte; a diretora de Trânsito da Urbs, Rosângela Battistella; o prefeito de Araucária, Albanor Gomes; o engenheiro do Ippuc Ricardo Bindo; e Luiz Antunes Rodrigues, que representa os usuários do sistema.
Preço da tarifa
Um dos critérios utilizados na escolha da empresa a ser licenciada, de acordo com informações apresentadas pelo gestor da área de operação do transporte, Luiz Filla, será o baixo custo da tarifa. Esse ponto é uma das principais reivindicações dos usuários e foi uma das perguntas mais recorrentes dirigidas à banca da Urbs – formada por Marcos Isfer, Luiz Filla, o gerente de fiscalização Edson Berleze e o diretor de transporte Roberto Ghignone – durante a audiência pública.
Para o administrador de empresas Gustavo de Castro, que acompanhou o evento, o aumento da tarifa no início desse ano não foi justo. “A Urbs deveria ter diluído o aumento no tempo, e não aumentar a tarifa de uma vez só, sem tempo suficiente de aviso”, afirma. A aposentada Lindalva Oliveira, 64, compartilha da mesma opinião. “Eles deveriam avisar com antecedência as mudança de tarifa”, diz.
Militantes do passe-livre também marcaram presença e discutiram a questão com o presidente da Urbs. Segundo Gustavo Silva, um dos integrantes do movimento, a capital paranaense deveria tem condições de adotar o sistema de passe-livre. “Em diversas cidades do Brasil e do mundo esse sistema funciona. Por que, então, em Curitiba não é possível, ainda mais com nosso sistema de transporte exemplar?”, questiona.
Segundo o diretor de transportes da Urbs, Roberto Ghignone, a entidade está constantemente buscando inovações tecnológicas para melhorar a qualidade dos transportes para os usuários. “Em pouco tempo teremos mapas das linhas na internet, como o Google Maps, e começaremos a usar biodiesel em 15 de nosso ônibus”, explica.
Um sistema deficiente?
Para o presidente da Associação Brasileira de Deficientes Físicos e diretor do Conselho Municipal de Direito, Mauro Nardini, embora o preconceito sofrido pelos deficientes seja grande, segundo ele, o sistema de transportes está melhorando. “Estamos em um processo de renovação. Então, muitas falhas, como também muitos acertos acontecem”. Mas Nardini ressalta que é necessário mudar as atitudes da população e dos gestores. “Eles pensam em números, só que nós somos seres humanos”.
De acordo com Nardini os exemplos dos sistemas de transportes que respeitam deficientes, como os de Maringá e Blumenau, devem ser copiados e aperfeiçoados. ”Nessas cidades não só as atitudes dos empregados dos transportes são outras, mas existem carros e vans especiais para eles”, afirma.