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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Ciência & Tecnologia | Publicada em 21/05/09 às 14h48

Apesar dos riscos, cirurgia plástica continua em alta

Para fins estéticos ou de saúde, esse tipo de intervenção é bastante procurado no Brasil
Reportagem Beatriz Giublin
Edição Guilherme de Souza
Guilherme de Souza
A grande variedade de técnicas disponíveis permite um grande número de intervenções no rosto e no corpo
A grande variedade de técnicas disponíveis permite um grande número de intervenções no rosto e no corpo

Entre setembro de 2007 e agosto de 2008 foram realizadas mais de 600 mil cirurgias plásticas no Brasil. Isso significa que, por hora, são feitas quase 70 intervenções, segundo dados de uma pesquisa encomendada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e realizada pelo Instituto Datafolha. Também de acordo com o levantamento, mais de 70% dos procedimentos são feitos para fins estéticos.

As duas cirurgias mais procuradas são lipoaspiração e prótese de silicone, nessa ordem. Segundo o cirurgião plástico André Tolazzi, nos últimos anos houve uma evolução considerável tanto do ponto de vista técnico e cirúrgico quanto dos materiais utilizados nas cirurgias.

No caso do silicone, o implante é introduzido a partir de um pequeno corte, que pode ser feito em três regiões: por baixo da mama (método mais simples, embora com cicatrização mais aparente), pela aréola (método que deixa cicatriz menos aparente, mas pode diminuir a sensibilidade da região) ou pela axila – método mais recente (oculta mais a cicatriz, mas exige maior cuidado no pós-operatório). Outro detalhe importante que mudou é a validade das próteses, que antigamente era de apenas dez anos. “Hoje em dia, se tudo ocorrer nos conformes, é possível ficar até 20 anos com a prótese”, assegura o cirurgião.

Na lipoaspiração também ocorreram evoluções. A técnica consiste na retirada da gordura que se encontra abaixo da pele, através de cânulas (pequeno tubos) que aspiram a gordura. “Atualmente essas cânulas são bem mais finas (2 a 4 mm) se comparadas àquelas utilizadas logo após o surgimento da técnica, causando menos irregularidades”, aponta Tolazzi.

Entenda melhor como são feitas as cirurgias mais buscadas pelos brasileiros:

Lipoaspiração

Técnica com o objetivo de melhorar o contorno corporal do paciente. Através de furos de aproximadamente 0,5 centímetro de diâmetro são introduzidas cânulas (pequenos tubos) que aspiram a gordura que se encontra no tecido celular subcutâneo.

Por questão de segurança, a SBCP limita o volume de gordura a ser retirado a aproximadamente 5% ou 7% do peso corporal total do paciente.

Próteses de mama

As próteses de silicone podem ser introduzidas por três vias. Para isso, são feitas incisões (cortes) de aproximadamente quatro centímetros.

Além do volume, a paciente, sob a orientação do médico, pode optar pela forma (redonda, anatômica ou cônica), pela projeção (perfil moderado, alto ou super-alto) e pela textura (lisa, texturizada ou revestida com poliuretano) da prótese.

Efeitos colaterais

Segundo a fisioterapeuta Juliana Rodrigues Santos, são comuns os efeitos colaterais indesejados depois de cirurgias plásticas. No caso da lipoaspiração, podem surgir fibroses – pequenas ondulações na pele – que precisam ser tratadas com massagem, ultrassom, manipulação e drenagem. “Elas podem aparecer como uma reação natural do organismo ou quando o médico retira gordura em excesso”, explica Juliana. “Logicamente não é a regra, mas acontece”.

Com relação aos implantes de silicone, caso o paciente não siga rigorosamente as recomendações, pode ocorrer o encapsulamento da prótese. O organismo entende a prótese como um corpo estranho e forma uma cápsula fibrosa em torno dela. “Nos casos mais graves a cirurgia precisa ser refeita”, alerta a fisioterapeuta.

Por outro lado, como se trata de intervenções, as cirurgias plásticas sempre devem inspirar certo cuidado. “Além disso, é raro haver complicações sérias”, ressalta a fisioterapeuta especializada em cuidados pré e pós-operatórios Leila Teixeira. Ela lembra que todo procedimento cirúrgico é um trauma e, consequentemente, gera um edema (inchaço) e dor. “Mas esses são considerados efeitos esperados das cirurgias plásticas”, completa.

O pós-operatório

Alguns pacientes reclamam que o pós-operatório é frustrante, porque não receberam informações suficientes dos médicos antes dos procedimentos. É o caso de Sônia da Silva, 51 anos, que retirou um nódulo do seio esquerdo e, no mesmo procedimento, se submeteu a uma mamoplastia de redução para igualar as duas mamas. Sônia afirma que tudo parecia muito fácil, mas depois da cirurgia viu que o procedimento não era tão simples. “Se fosse apenas por estética eu jamais teria feito”, diz. O pós-operatório foi demorado e a deixou bastante debilitada.

Na contramão desse processo estão os pacientes que são muito bem instruídos pelos médicos. Sulamita Bez dos Santos, 42 anos, procurou um cirurgião para fazer uma lipoaspiração. Ele alertou que o procedimento mais indicado para o caso dela seria uma abdominoplastia [vide box 2] e explicou todos os procedimentos da cirurgia e cuidados do pós-operatório. “Ao saber que precisaria dormir 15 dias sentada e levaria em torno de 45 dias para que eu pudesse andar totalmente reta, desisti”, conta Sulamita.

Segundo o coordenador do Serviço de Cirurgia Plástica e Reparadora do Hospital das Clínicas, Gilvani Azor de Oliveira e Cruz, o médico tem por obrigação esclarecer tudo que pode vir a acontecer no pós-operatório. “Se eventualmente não o faz é uma falha muito grande”, declara categoricamente.

Para muitos médicos, a frustração muitas vezes se dá pela falta de atenção dos próprios pacientes. “A maioria dos cirurgiões plásticos tem um termo de esclarecimentos com tudo o que pode acontecer na cirurgia”, afirma Cruz.

De acordo com o cirurgião plástico André Tolazzi, às vezes os pacientes menosprezam os procedimentos. No caso da lipoaspiração, por exemplo, por ser uma intervenção sem grandes cortes, os pacientes tendem a achar que o pós-operatório não requer tanta atenção. “A lipoaspiração é uma cirurgia e não deve ser menosprezada tanto em termos de repouso e cuidados, quanto em termos de estrutura hospitalar”, finaliza.

Bem-estar, acima dos riscos

Em seu estudo realizado com mais de 73 pacientes de cirurgias plásticas do Hospital de Clínicas da Unicamp, a antropóloga Andrea Tochio constatou que as intervenções proporcionam uma melhora considerável na vida dos pacientes. “É possível perceber felicidade e satisfação, juntamente com mudanças na vida pessoal e até profissional dos indivíduos”, confirma a antropóloga.

De acordo com Andrea, atualmente existe nas sociedades ocidentais a supervalorização de certas características corporais, como ‘magreza’, ‘beleza’ e ‘jovialidade’. “As cirurgias plásticas se apresentam como uma forma de adequação aos padrões estéticos e, consequentemente, de valorização social”, aponta. Segundo a antropóloga, na sociedade brasileira a associação ‘corpo e prestígio’ é um elemento fundamental, inclusive como meio de ascensão social.

Outros procedimentos bastante comuns nas salas de cirurgia:

Ritidoplastia: Cirurgia facial para suavização de rugas de expressão, sulcos e bolsas.

Rinoplastia: Correção de deformidades no nariz para melhorar a respiração ou a estética.

Otoplastia: Correção das ‘orelhas de abano’.

Abdominoplastia:Retirada de gordura e pele em excesso da região abdominal.

Mamoplastia de redução: Redução do volume das mamas.



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