RSS
Blog da Redação
Quem Somos
Expediente
Galeria
Fale Conosco
Impresso
Rádio
TV
Galeria






Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
21/05/09

Inclusão Educacional e Pedagogia Hospitalar – interseções possíveis e necessárias

por Célia Meiri Wiczneski Júlio*

Historicamente o Brasil tem lutado pela democratização do acesso das crianças e adolescentes ao sistema de escolarização formal. Especialmente nas últimas décadas, o número de crianças e adolescentes matriculados está em franco crescimento. Porém, numa situação paradoxal o número de evasão e repetência escolar tem crescido também, mas de maneira desproporcional ao número de matriculados.

A partir dessas e outras constatações buscam-se respostas às indagações que surgem para compreender as razões desse fracasso escolar e na tentativa comprometida de elaboração de estratégias para resolver ou ao menos amenizar tal complicador para a universalização do saber. Um dos fatores apontados tem sido o afastamento escolar para tratamento de saúde, o que acaba alterando ou interrompendo o ritmo de aprendizagem do aluno, levando-o muitas vezes a ser reprovado ou a evadir-se da escola.

Mesmo havendo toda uma legislação específica, que ampara o aluno e garante seus direitos em tais circunstâncias para que receba atendimento pedagógico diferenciado, muitas instituições de ensino não cumprem tal legislação por desconhecimento e/ou despreparo pedagógico para o enfrentamento de tal questão. Desde a efetivação do Estatuto da Criança e do Adolescente, lei federal 8.069/90, intensa tem sido a discussão sobre a necessidade de garantir o pleno exercício da cidadania por parte das crianças e dos adolescentes brasileiros.

Assim, atendendo a essa e a toda a legislação educacional vigente no país, tem havido significativo esforço pelo poder público e boa parte da sociedade, para a implantação de classes hospitalares. Fatos comprovados em respeitadas publicações que relatam experiências muito bem-sucedidas da significativa melhora dos alunos-pacientes, tanto no aspecto da continuidade do processo de construção do conhecimento quanto nos aspectos físicos e psíquicos dos mesmos. Embora muito se tenha falado e escrito sobre a necessidade de maiores e mais amplas discussões e ações, ainda falta referencial teórico para embasar uma prática pedagógica voltada para a formalização dos conteúdos apreendidos pelos alunos-pacientes e para o amparo metodológico dos profissionais da educação que enveredam sua prática educacional por esses novos caminhos.

Ressalta-se aqui a importância do aporte teórico para confrontar, embasar, justificar e ampliar a prática pedagógica em ambiente diverso do escolar, sem deixar de levar em conta o sujeito que não mais deve ser chamado de paciente, pois é sujeito ativo na continuidade de seu processo acadêmico, bem como serve de balizador para as ações propostas. De posse dos dados levantados a partir da experiência vivenciada no Hospital do Trabalhador, muito há que se discutir e ressignificar para uma prática pedagógica comprometida com a função social da escola, a despeito do ambiente em que essa escola esteja atuando. Esse novo olhar pedagógico tem comprovado que o profissional atuante em pedagogia hospitalar deve primar pela flexibilidade curricular e metodológica, além de ter domínio nas áreas em que atuará, utilizando-se de recursos diferenciados, além da competência ética imprescindível para o sucesso do trabalho pedagógico.

A nova modalidade de contato professor/aluno também precisa ser levada em conta, pois em ambiente educativo diverso do escolar, o aluno está sozinho, no leito e fragilizado, exigindo uma nova abordagem de contato. Cada profissional precisa reformular sua maneira de contatar o aluno até conseguir desenvolver uma maneira eficaz para esse primeiro contato, criando a empatia e o vínculo afetivo necessário para que o processo de ensino e aprendizagem ocorra de fato.

Na proximidade com a realidade hospitalar, percebe-se esse ambiente como sendo pedagógico também, e assim é que se pode pensar numa práxis educativa que atenda às reais necessidades desse aluno que se encontra hospitalizado e que continua plenamente capaz de aprender, construir conhecimentos e re-siginificá-los para compreender sua realidade e seu entorno, garantindo sua permanência na educação formal ou o seu retorno à mesma. Assim, é possível dizer que começa a ser atingido o ideal de universalização do saber de fato e de direito.

* Célia Meiri Wiczneski Júlio é pedagoga da Secretaria de Estado da Educação do Paraná


Enviar comentário


O conteúdo deste campo não será publicado.
*
Copyright © 2010 Comunicação. Desenvolvido por Célio Yano, Vítor Yano, Gabriel Brum e Tiago Capdeville
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização da equipe do Comunicação On-line | Login