
Teatro transcendental. Este é o termo utilizado pelo diretor teatral e ator Rodrigo D’Oliveira para descrever as apresentações realizadas no teatro que leva seu nome. As peças, que tratam do espiritismo, são adaptações de três livros do médium Chico Xavier: Nosso Lar, Missionários da Luz e Os Mensageiros.
Rodrigo D’Oliveira conta que decidiu montar um espetáculo espírita quando, em 2002, adaptou o livro Nosso Lar para o teatro. “Considero o Chico Xavier um grande médium. A obra dele traz uma grande reflexão sobre a vida, o que há depois da morte, e quero mostrar tudo isso à platéia”. Segundo o diretor, suas peças não possuem caráter religioso. Para ele, o mais importante é instigar no público uma reflexão sobre a vida. “O humor é bacana, mas a vida precisa de questionamentos”, afirma.
De acordo com o ator, os céticos são os que mais se impressionam com o teatro espírita. D’Oliveira garante que não se queixa da parte do público descrente no espiritismo. “Na verdade, são para eles [os céticos] que o grupo faz os espetáculos. Mostramos as situações complicadas da vida e da morte e deixamos o público pensar”. Contudo, ele afirma: “duvido que um descrente não se emocione quando assiste aqui ao reencontro de um personagem com a mãe no plano espiritual”.
Espíritos no palco
Rodrigo D’Oliveira revela que, por diversas vezes, espectadores enxergam espíritos no palco. “Todas as pessoas são acompanhadas pelo plano espiritual. Espíritos bons e espíritos maus estão por perto o tempo todo. Então, muitas pessoas têm a sensação de ver um espírito quando estão no teatro. É mais do que sensação: é presença real”. De acordo com o diretor, outras pessoas que possuem maiores mediunidade e sensibilidade e realmente enxergam a fisionomia e ouvem a voz daqueles que já desencarnaram.
O transcendental no FTC
“Obras psicografadas atraem o público”, afirma D’Oliveira. Conforme o diretor, as pessoas são curiosas em relação à vida após a morte e querem, de alguma forma, estabelecer contato com os mortos. Outros, ainda, acreditam que um espírito vai “baixar” no palco ou na platéia. “O fato é que muita gente de fora de Curitiba aproveita o festival para assistir ao nosso espetáculo”, orgulha-se.
O diretor ressalta que apenas Nosso Lar, Missionários da Luz e Os Mensageiros são obras psicografadas. As outras peças em cartaz no teatro Rodrigo D’Oliveira neste FTC não são espíritas. Contudo, essas outras peças retratam o amor, a solidão e a liberdade – temas próprios do espiritismo. “Elas falam sobre o amor e é isso que vale. Isso é transcendental”, finaliza.
O mais cético de todos
As peças Nosso Lar, Missionários da Luz e Os Mensageiros mostram experiências pós-morte do médico carioca André Luiz, falecido em 1930. Segundo D’Oliveira, o médico era bastante racional e, logicamente, não acreditava em vida após a morte. O diretor conta que o médico se surpreendeu com a descoberta do plano espiritual. “André Luiz fala que quer ser um pesquisador do plano espiritual. Ele também diz que não quer que acreditem nele, mas que ele vai falar, já que tem permissão”, explica Rodrigo.
Em Nosso Lar, André Luiz descreve uma cidade espiritual bem diferente do que é atribuído ao paraíso. Já em Missionários da Luz, o médico aborda a comunicação com os mortos. Em Os Mensageiros, André fala sobre o amor que une o plano terrestre ao espiritual.
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