
De quatro em quatro anos, seleções de futebol de diversos países se reúnem para disputar o segundo maior evento esportivo do planeta – a Copa do Mundo de Futebol. Até hoje, 27.499.092 pessoas assistiram às partidas nos estádios que já abrigaram a competição, e outras centenas de milhões acompanharam a transmissão do evento pela televisão ou pelo rádio; mas será que todo mundo sabe como funciona uma Copa?
A Copa do Mundo, como o nome sugere, abrange os cinco continentes do globo. Disputada desde 1930, a primeira edição contou apenas com seleções convidadas, e desde 1998, 32 países participam da competição, conquistando o direito de disputá-la em eliminatórias.
Com 18 edições já ocorridas, um seleto grupo de apenas sete países já obteve a glória de levantar a taça: três sul-americanos (Argentina, Brasil e Uruguai) e quatro europeus (Alemanha, Itália, França e Inglaterra). O Brasil, além de ser o único país que disputou todas as Copas, é a seleção com mais títulos conquistados: cinco – 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002.
Desde que começou a ser disputada por 32 seleções, a Copa do Mundo foi dividida em oito grupos estabelecidos por sorteio, com quatro equipes cada. Os times enfrentam-se uma única vez dentro de suas chaves. As duas melhores equipes avançam para as oitavas-de-final. Em caso de empate em pontos, os critérios de desempate são saldos de gols, gols marcados, confronto direto, saldo de gols em confronto direto, gols marcados no confronto e, como última alternativa, sorteio.
A partir das oitavas-de-final os jogos são eliminatórios e, caso o empate prevaleça ao fim dos 90 minutos, é disputada uma prorrogação de 30 minutos, dividida em dois tempos de 15. Persistindo a igualdade, ocorre disputa de pênaltis, com cinco alternados para cada lado.
As demais fases – quartas-de-final, semifinal, disputa de terceiro lugar e final – também são eliminatórias e obedecem aos mesmos critérios das oitavas.
Pré-copa
Para decidir quais seleções terão o direito de participar da Copa do Mundo ocorrem eliminatórias entre os países. Dorival Crispin, comentarista esportivo da rádio Transamérica, explica que atualmente o evento passou a ser mais disputado. “As eliminatórias, na forma como são realizadas hoje, tornam a Copa mais democrática”, afirma. Isso porque a última campeã não é mais automaticamente convidada a participar da competição, como acontecia antes de 1998.
As eliminatórias são disputadas por continente. São seis: Africanas, Americanas (Concacaf - América Central e América do Norte), Sul-Americanas, Européias, Asiáticas (da qual a Austrália participa) e eliminatórias da Oceania – e os melhores países se classificam. “Com isso, só os realmente qualificados integram o evento. Não existe mais indicação”, comenta Crispin. Antigamente, essas competições eram realizadas por fases. Hoje, nas Sul-Americanas, são por pontos corridos, ou seja, quem acumula mais pontos se classifica. “E as quatro melhores seleções vão direto, acho que ficou bem melhor, realmente mais democrático”, declara Crispin.
A Copa no Brasil em 2014
Segundo Luiz de Carvalho, integrante do comitê organizador da Copa do Mundo em Curitiba, as discussões sobre a realização do evento no país estão em fase inicial. “Não há muita informação definida. O que se discute atualmente é o encerramento das obras na Arena, e as questões de infra-estrutura”, afirma. Logística, venda de ingressos e cronograma são pontos que só serão pensados depois da Copa do Mundo da África, em 2010. “Isso é normativo da FIFA”, explica Carvalho.
Como cidade-sede, Curitiba será palco de jogos da Copa no Brasil. Segundo Crispin, seria “chute” qualquer afirmação de que receberá partidas importantes. “Mas eu afirmaria com convicção de que Curitiba verá jogar pelo menos uma seleção forte, talvez em partida contra uma seleção um pouco menos expressiva”, opina o comentarista esportivo.
Essa afirmação tem base na formação das chaves para os jogos. “Seleções fortes, pré-classificadas nas eliminatórias, são cabeças-de-chave dos grupos”, comenta. Sendo assim, cada uma das doze cidades-sedes veria pelo menos uma seleção principal jogar.
Apostas
“Acho muito legal receber uma competição como essa. Deixa o Brasil em evidência, entra dinheiro para o país, há uma conscientização da população, dentre outras coisas”, opina Crispin. “Ao meu ver, o único problema é a corrupção, obras super faturadas. Mas isso não é visto só no Brasil. Temos estrutura pra fazer uma grande Copa”, argumenta o jornalista esportivo que já cobriu nove Copas do Mundo, Edson Militão.
Tanto Crispin quanto Militão apostam no favoritismo do Brasil na competição de 2014. “Os nossos jogadores são os melhores, é uma questão de escalar o time certo”, afirma o comentarista. Militão concorda: “Dentro do possível, o Brasil é imbatível. Com o planejamento certo pode ser campeão”. Das cinco Copas conquistadas pelo Brasil, nenhuma foi em casa. E, por um fator histórico, a seleção da casa costuma ser campeã. Como o Brasil já foi sede em 1950 e perdeu sua primeira Copa, Militão considera quase obrigação ganhar a segunda. “O Brasil não pode perder! Eu apostaria que temos enormes chances”, finaliza sorrindo.
Para 2010, as chances do país estão nas mãos de Dunga. “Ele é um técnico teimoso, barra gente muito boa que poderia ter oportunidades. As críticas se devem ao fato dele insistir nos jogadores errados”, fala Crispin. O comentarista acredita falta juventude à seleção. Apesar de experiência ser um fator relevante, jogadores mais novos que atuam melhor não são escalados. O jornalista discorda. “Dunga tem o perfil do vencedor. Tem liderança, tem esse algo emocional que é necessário para motivar o time”, acredita Militão.
A Copa das Confederações é um campeonato realizado um ano antes da Copa do Mundo, no mesmo país-sede. Serve como “ensaio” para o grande evento. Os estádios e toda a estrutura para a Copa devem estar prontos até a data da Copa das Confederações, e os países que a disputam são os seis campeões continentais mais o país-sede e o último campeão mundial.
Este ano, na África do Sul, a Copa das Confederações contará com a participação das seleções da África do Sul (país-sede), Iraque (campeão da Copa da Ásia- AFC), Nova Zelândia (campeã da Copa das Nações da Oceania - OFC), Espanha (campeã da Eurocopa - Uefa), Brasil (campeão da Copa América - Conmebol), Estados Unidos (campeão da Copa Ouro da Concacaf), Itália (campeã da Copa do Mundo anterior) e Egito (campeão da Copa das Nações da África - CAF).