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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Especial - FTC 2007
Especial - FTC 2007 | Publicada em 01/04/07 às 01h07

O que será o teatro do absurdo?

Gênero de várias peças ainda causa dúvidas na hora de escolher o espetáculo
Reportagem Carla Cursino
Edição Fernanda Trisotto
Diego Pisante/WEBCLIX
Ogre e Magri são dois <i>clowns</i> distraídos, embora não saibam disso
Ogre e Magri são dois clowns distraídos, embora não saibam disso
Diego Pisante/WEBCLIX
Em <i>O Longo Caminho</i>, o teatro do absurdo predomina
Em O Longo Caminho, o teatro do absurdo predomina

Cara de interrogação. Esta é a expressão de quem folheia o guia do Festival de Teatro de Curitiba e se depara com o gênero da peça do Grupo Delírio Cia .de Teatro, O Longo Caminho: “teatro do absurdo”. Além desta peça, várias outras seguem a mesma classificação. Para eliminar as dúvidas, o Comunicação On-line conversou com Edson Bueno, diretor da montagem do Grupo Delírio Cia. de Teatro.

Bueno explica que o teatro do absurdo é uma invenção de críticos literários e teatrais do século passado para classificar a linguagem variada de autores como Samuel Beckett. “O Longo Caminho é literário, não é teatral. Pegamos essa palavra – absurdo – dos dadaístas e dos surrealistas e encaixamos no teatro”, complementa. O diretor revela que classificou a peça como teatro do absurdo para evitar a decepção do público. De acordo com ele, quando espetáculo estreou, em meados do ano passado, as pessoas não o compreenderam. “Se o grupo não colocasse uma indicação que desse para a platéia uma idéia de que ela veria algo não-convencional do ponto de vista literário, iria sofrer o mesmo problema da temporada passada”, justifica.

A montagem de O Longo Caminho, conforme diz Bueno, foi bastante difícil. Ele conta que a idéia é de um dos atores da peça, Diego Marchioro. “O Diego me procurou querendo montar um espetáculo com vários autores que tiveram a preocupação com a busca pelo tempo, pelo espaço e pelo significado das coisas. Então, fui buscar minhas referências”. Para o diretor, a melhor referência é o escritor argentino Julio Cortazar e seu livro de contos Histórias de Cronópios e de Famas. Bueno acrescenta que, posteriormente, buscou outros autores cujas idéias se aproximassem das de Cortazar, que o grupo pretendia levar ao palco. “Escolhemos escritores como Oscar Wilde e Clarice Lispector. Para o público, as idéias não são muito articuladas, mas para mim e para os atores, tudo faz sentido. Aliás, encontramos um sentido novo todos os dias”.

Edson Bueno comenta que encontrou o público de O Longo Caminho durante o festival. “Agora as pessoas vão assistir ao espetáculo preparadas para ver o absurdo, algo diferente do normal. E elas gostam do que vêem. De todas as minhas peças, O Longo Caminho é a mais vista”, orgulha-se.

Personagens de sonhos

Os protagonistas de O Longo Caminho, Ogre e Maqui, são descritos como personagens de sonhos. Segundo Bueno, essa descrição vem do surrealismo – que é a linguagem dos sonhos transposta para a arte. O diretor cita o cineasta Orson Welles para ressaltar a importância do sonho na arte. “‘O sonho pode ser incompreensível, mas nunca é uma mentira. É uma verdade, pois é o seu sonho’. Então, para as pessoas aceitarem este espetáculo, elas devem pensar que estão sonhando”, explica.

Espetáculo non-sense

Para despertar sensação do sonho, chocolates para a platéia. Dois personagens dormindo no palco. Público e personagens sonham juntos em O Longo Caminho, o teatro do absurdo do Grupo Delírio Cia. de Teatro. A peça traz os personagens Ogre e Magri, dois clowns distraídos (embora não saibam disso), e suas reflexões sobre os mistérios da vida.

O Longo Caminho é um espetáculo em que começo, meio e fim não existe. É uma história não-linear, dotada de um enredo livre e poético. As idéias que trilham o caminho dos dois protagonistas são baseadas em grandes nomes da literatura universal, como Julio Cortazar, Lewis Carrol, Oscar Wilde, Franz Kafka e Clarice Lispector. Todos estes possuem em comum uma linguagem surrealista. O sonho é levado para o palco.

Um espetáculo non-sense em que o não-convencional predomina. Um excesso de subjetividade que, no entanto, abre diversas possibilidades de compreensão para o público. Uma série de esquetes que muda de significado de acordo com quem assiste a ela. Este é O Longo Caminho. É o teatro do absurdo.

Última chance

A peça O Longo Caminho faz sua última exibição no FTC neste domingo, às 18h. O espetáculo está sendo apresentado no Teatro Edson D'Ávila (Rua Treze de Maio) e tem 50 minutos de duração. No elenco, Diego Marchioro e Marcel Gritten.



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