O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que seria realizado neste fim de semana – 3 e 4 de outubro – teve a data alterada após a notícia de vazamento das questões da prova. Porém, essas mudanças não devem causar grandes prejuízos ao calendário dos processos seletivos da UFPR e da UTFPR. “A princípio, a UFPR mantém as datas de provas exatamente como estão”, explica o coordenador do Núcleo de Concursos da UFPR, Raul Von Der Reich. A primeira fase do vestibular ocorre no dia 29 de novembro e a segunda nos dias 12 e 13 de dezembro.
Já a UTFPR, que aderiu ao Sistema de Seleção Unificado (SSU) e conta apenas com a nota do Enem para o resultado, poderá ter um atraso na divulgação das últimas chamadas complementares. “Havia uma pequena folga no prazo de inscrição e matrícula, portanto esse adiamento de tempo não deve afetar muito o processo seletivo”, declara o pró-reitor de graduação da UTFPR, Maurício Alves Mendes.
A princípio, a nova avaliação do Enem deverá ocorrer dentro de 45 dias e o resultado, previsto para 8 de janeiro, sairá apenas dia 8 de fevereiro. Mendes ressalta que o Ministério da Educação (MEC) vai remarcar o dia do exame em um período que não coincida com outros vestibulares. Além disso, ele acredita que o órgão deve se preparar um novo esquema de segurança para o processo. “A Secretaria de Educação Superior (Sesu) entrou em contato com a UTFPR e garantiu que a correção das provas vai ser feita no menor tempo possível para a divulgação mais rápida dos resultados”, diz. Segundo Von Der Reich, o MEC deve informar os gabaritos no dia 5 de janeiro. Com isso, a UFPR pode manter a data para a divulgação do resultado do vestibular para o dia 22 de janeiro. “Ainda não se pode garantir nada, pois dependemos do MEC”.
Em relação ao vazamento das questões, o pró-reitor de graduação da UTFPR se diz otimista e acredita que o MEC tem muitas possibilidades de refazer as provas, com base nas experiências dos outros anos. Mas admite que a quantidade de inscritos dificulta a organização do calendário. “São quatro milhões de testes, não é um número simples de se trabalhar”. Já Von Der Reich ressalta que a situação é desagradável, pois afeta a todos: alunos, MEC, universidades e colégios. Ele também fala que a confusão gerada pelo vazamento das questões interfere diretamente na realização dos próximos processos seletivos da UFPR. Isso porque a instituição adotou o Enem como apenas 10% da nota, mas estuda a possibilidade de aderir ao modelo SSU e eliminar a prova de vestibular. “Todas as repercussões serão avaliadas, pois não temos certeza nem de como nem o quê exatamente aconteceu. Somente quando tivermos um esclarecimento dos fatos poderemos pensar em mais mudanças”, conclui.