Após quatro semanas acompanhando diariamente o Comunicação On-line, na coluna desta quinzena quero propor uma reflexão que não se restringe apenas a este jornal laboratório, mas que tangencia toda e qualquer produção jornalística direcionada para a internet. Aliás, uma discussão atual que, apesar de estar longe de atingir o consenso, pode iluminar inúmeras questões acerca dos rumos da produção jornalística. Segundo pontuam os teóricos do aclamado jornalismo on-line (ou webjornalismo, jornalismo digital, entre tantas designações), algumas de suas principais características – as mesmas que o diferenciam de outros segmentos – são a instantaneidade, a interatividade e a perenidade (que chamei ali no título de ‘as três –dades’).
A primeira delas é apontada por muitos como o critério que mais caracteriza e identifica o jornalismo on-line. A possibilidade (e porque não dizer oportunidade) de atualização contínua e da publicação das informações em um curto espaço de tempo – pois, com a internet, a espera pela impressão ficou em segundo plano – transformaram-se em grandes atrativos. Os portais de informações tornaram-se sinônimos de ‘notícia saída do forno’, possibilitando que os leitores acompanhem o desenvolvimento dos assuntos de maior interesse. Embora seja atribuída a esta mesma instantaneidade muitos dos erros jornalísticos, é impossível negar que tal agilidade não tenha alterado as rotinas produtivas e conseguido trazer o público mais para perto dos jornalistas.
Como consequêcia direta desta proximidade entre produtor e leitor das notícias está a segunda característica que elenco como principal do jornalismo on-line: a interatividade. É praticamente unânime entre os teóricos que o conteúdo informativo quando disponibilizado na internet propicia no público um sentimento de participação – seja pela possibilidade de troca de e-mails, comentários, fórum de discussão ou até mesmo pelo fato de que para chegar até à notícia foi preciso que o leitor executasse uma ação. Isso significa dizer que a interatividade que já existia nos jornais, por meio das cartas de leitores, ou no rádio, com telefonemas e participação ao vivo, atinge, no jornalismo on-line, níveis muito superiores. Nunca antes foi possível escolher com tanta independência o conteúdo, o tipo de mídia e até a empresa jornalística que será acessada.
Por fim, com perenidade (ou, como também é conhecida esta característica, memória ou arquivamento) quero ressaltar a facilidade de armazenar as informações jornalísticas – por tempo indeterminado e com baixo custo – gerada pela internet. Além de não estarem limitados ao espaço do papel-jornal ou ao tempo da televisão, tanto jornalistas como leitores podem ter acesso aos conteúdos produzidos anteriormente e, mais do que isso, podem ‘acumular’ da maneiram que julguem mais adequada o material de interesse.
Somando estas três características, chegamos, em um primeiro momento, a grandes desafios a serem enfrentados pelos jornalistas de internet: ser ágil sem esquecer do compromisso com a apuração confiável; atrair o leitor sem ter que utilizar de artifícios que comprometam seu trabalho; aproximar-se do público sem se ‘corromper’. Mas não se pode esquecer que aos desafios somam-se também muitas oportunidades. Como pontuam os estudiosos, cabe ao profissional da área, portanto, aliar a possibilidade de ampliar seu papel social efetivo com a responsabilidade e a ética exigidas. Quando se trata de um jornal laboratório – e, aqui, acentuo a definição de laboratório como um lugar em que as atividades desenvolvidas se baseiam na observação, no estudo teórico e na experimentação –, considero que esta união deva ser ainda mais explorada. Assim, com base nesta discussão (abordada de forma muito superficial nestes poucos parágrafos, pois merece ainda muita atenção de acadêmicos e profissionais), coloco uma questão para instigar a reflexão que estou propondo: o que o Comunicação On-line pretende e deseja alcançar com sua produção jornalística para internet?