A Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) recebeu R$ 3 milhões do Fundo Tecnológico do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES Funtec) para investir em pesquisas com células-tronco. Tais células são como cartas ‘coringa’, que podem se transformar em qualquer um dos 200 tipos de células especializada do organismo, como, por exemplo, neurônio e epitélio (célula formadora da pele).
Responsável pela primeira aplicação brasileira de células-tronco no coração, o núcleo beneficiado foi o de Cardimioplastia. Segundo o médico Paulo Brofman, coordenador do programa, a verba será destinada a reformas e novos equipamentos para a abertura de um Centro de Tecnologia para Terapia Celular. “O Centro irá manipular as células-tronco e distribuí-las para pesquisas da Rede Nacional de Terapia Celular”, explica.
No ano passado, os Ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia criaram a Rede Nacional de Terapia Celular em uma estratégia de fomento a esse campo de conhecimento, o qual estava comemorando a primeira linhagem de células-tronco no Brasil . Tal qual como um supermercado vende alimentos, a rede distribui células-tronco para diversos pesquisadores. Dessa forma, eles tem a oportunidade de aprofundar o conhecimento sobre a área e também de fazer testes, tanto in vivo (em animais) quanto em in vitro (em laboratório, sem a utilização de cobaias).
A rede, coordenada pelo médico Antônio Carlos Campos de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, já é formada por oito centros. Na opinião de Brofman, essa área da medicina irá ocupar o cenário da saúde pública em um futuro muito próximo.
Carta na manga
Além da PUC-PR, só a fundação Hemocentro, de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, recebeu o incentivo. A fundação é centro de referência na coleta, processamento e distribuição de sangue e seus componentes.
Desde 2000, ela desenvolve pesquisas com foco nas propriedades das células-tronco, suas modificações e estudos de genoma. Esses estudos visam a criação de instrumentos de diagnóstico e tratamento no campo da terapia celular, a nova carta na manga da medicina.
Brofman conta que o centro paranaense se dedicará a pesquisas com células-tronco adultas, que são um pouco mais ‘velhas’ que as embrionárias e tem menor poder de diferenciação. “Essas células serão provenientes de diferentes tecidos do corpo humano, como sangue, músculos e tutano do osso (medula óssea)”, diz.
O futuro Centro paranaense irá pesquisar células mesenquimais e progenitoras endoteliais. As primeiras são promissoras como ferramentas terapêuticas por possuir papel importante na cicatrização, reconstituição de vasos sanguíneos e formação de ossos.
“Já as progenitoras endoteliais se diferenciam em células endoteliais, que formam a parede dos vasos sanguíneos e, portanto, têm papel relevante na regeneração” afirma o cientista. Ele garante que as células progenitoras podem ser a cura para todas as deficiências na circulação do sangue que irriga os órgãos, como doenças do coração e dos membros inferiores de pessoas que sofrem de diabetes – e, por isso, possuem problemas de circulação.