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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Política | Publicada em 11/11/09 às 00h58

Disputas internas movimentam os partidos

Partidos já debatem para escolher candidatos às eleições de 2010
Reportagem Ariane Bellan
Edição Juliana Karpinski
Rodrigo Batista
Partidos têm até 5 de julho do próximo ano para fazer o registro dos candidatos escolhidos para as eleições de 2010
Partidos têm até 5 de julho do próximo ano para fazer o registro dos candidatos escolhidos para as eleições de 2010

Há menos de um ano para a população escolher os novos representantes políticos, partidos já começam a definir seus candidatos para as próximas eleições. Os pretendentes a candidatura tiveram até o dia 3 de outubro para realizarem filiações partidárias e, agora, começam a escolher os novos diretórios. Cada partido terá até o dia 5 de julho do próximo ano para fazer o registro de seus candidatos.

Entre 10 e 20 de junho de 2010 os partidos devem realizar convenções destinadas a definir coligações e escolher candidatos a presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, senador e respectivos suplentes, deputado federal, estadual ou distrital.

Os critérios para escolha de pré-candidatos variam de acordo com o partido. O presidente do PV no Paraná, Antonio Jorge Melo Viana, explica que o partido valoriza a história política do filiado. Já para o presidente estadual do DEM, Abelardo Lupion, o que pesa na decisão é o apoio da Executiva Nacional, além da expectativa de poder do candidato. No PPS, segundo o presidente do partido no Estado, Rubens Bueno, são avaliadas as propostas de campanha e de mandato, a participação do filiado nas reuniões do partido e sua representação popular.

No DEM, o filiado que pretende disputar cargo nas eleições é indicado por consenso dentro do partido. “Caso não haja acordo, o candidato é escolhido em convenção partidária”, afirma Lupion. Segundo o presidente do PMDB no Paraná, Waldyr Pugliesi, os pré-candidatos do partido devem divulgar suas intenções entre os filiados durante as convenções. “Os candidatáveis devem se esforçar para ganhar o voto dos filiados”, diz.

O PP realiza eleições internas para escolher seus pré-candidatos e a decisão final também é tomada no dia da convenção. “Se houver mais de um concorrente para a chapa majoritária, ganha quem estiver mais preparado e com boa aceitação perante aos eleitores”, afirma o presidente estadual, Ricardo Barros. O presidente também lembra que os candidatáveis devem estar atentos ao estatuto partidário e aptos perante a Justiça Eleitoral.

Correntes e campos

Para que os candidatos sejam escolhidos, as diferentes alas internas discutem entre si para escolher quais políticos representarão o partido nas eleições. Pugliesi afirma que o PMDB é um partido plural, com representantes de diversas correntes ideológicas em que todos têm direito de expressar seus conceitos, e quanto mais idéias nos debates, melhor é o resultado. Do mesmo modo, o PSOL permite que seus filiados se organizem em correntes, desde que elas respeitem as decisões do partido. “Também existem filiados que militam de forma independente, ou seja, que não se organizam em nenhuma corrente política”, conta o presidente estadual do partido, Luiz Felipe Bergman.

Já Bueno garante que não existe tendência no PPS. “Temos posições políticas legítimas que interessam à sociedade, e não a interesses particulares”. Segundo Melo Viana, o PV também não se divide em campos formados por ideologias ou objetivos distintos. “Respeitamos as opiniões divergentes dos nossos membros e propomos uma ampla discussão, mas as divisões internas não são necessárias”, diz.

A escolha

Os critérios para escolha de candidatos a senador, governador e deputados são basicamente os mesmos. “O partido deve apenas decidir se irá participar de eleições majoritárias e/ou proporcionais, com coligações ou não”, explica Bueno. Barros completa que o número de indicações é o que muda. “Para senador e governador, por exemplo, o PP vai indicar apenas um nome. Já para deputado, o limite de candidatos por cadeira é maior”, diz.

A lista de pré-candidatos a deputados federais e estaduais é grande. O PV indicará 81 candidatos a deputado estadual e 45 para deputado federal. O DEM visa à reeleição de alguns atuais deputados estaduais e federais do partido, como Elio Rusch e Alceni Guerra, respectivamente. O PP também busca reeleger os deputados estaduais Duílio Genari, Ney Leprevost e Antonio Belinati, e os deputados federais, Nelson Meurer e Dilceu Sperafico.

Pré-candidatos

Alguns partidos já definiram seus candidatos antes mesmo da realização da convenção de julho. Como candidato ao governo do Paraná, o PV indicará seu presidente estadual, Melo Viana, e o PMDB escolheu o vice-governador, Orlando Pessuti. O PSOL possui duas opções: o presidente estadual do partido, Luiz Felipe Bergman, ou Luis Piva, ambos da corrente interna Enlace.

O DEM não vai lançar candidato próprio ao governo do Estado devido à aliança firmada em 2006 com outros quatro partidos do Paraná (PSDB, PDT, PPS e PSB). “Naquele ano, buscávamos a reeleição do prefeito Beto Richa, e para o ano que vem esses mesmos partidos escolherão, em consenso, um candidato a governador do Estado”, explica Lupion.

O atual governador do Paraná, Roberto Requião, aparece como pré-candidato ao Senado pelo PMDB, e o PV indicará o ouvidor e ex-presidente do partido, Rubens Hering. O presidente estadual do PP, Ricardo Barros, e o presidente estadual do DEM, Abelardo Lupion, também sairão como candidatos a senadores.

Na disputa pela presidência da República, o PV tem a senadora Marina Silva como pré-candidata, mas seu nome ainda será submetido às convenções do ano que vem. “Ela é unanimidade no PV pelo seu histórico de luta pela preservação do meio ambiente e sua postura ética na política”, defende Melo Viana. A Direção Nacional do PMDB fechou um pré-acordo para apoiar o candidato do PT para presidente e indicar o vice do próprio partido. “Nas convenções ficará decidido se teremos candidatura própria ou vamos para uma coligação”, explica Pugliesi.

Calendário eleitoral para 2010

A partir de 1º de janeiro: as entidades ou empresas que realizarem pesquisas de opinião pública relativas às eleições ou aos candidatos ficam obrigadas a registrá-las na Justiça Eleitoral.

De 10 à 30 de junho: convenções partidárias para a escolha dos candidatos.

5 de julho: prazo máximo para os partidos apresentarem o registro de seus candidatos.

A partir de 6 de julho: a propaganda eleitoral será permitida.

17 de agosto: começa a veiculação da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, com o término previsto para 30 de setembro.

A partir de 30 de setembro: ficam proibidos debates e propagandas em páginas institucionais na internet.

1º de outubro: encerra o prazo para propagandas paga na imprensa escrita.

A partir de 2 de outubro (um dia antes do primeiro turno das eleições): não poderá haver a distribuição de material de propaganda política, assim como a realização de carreatas e passeatas.

3 de outubro: primeiro turno das eleições.

Onde houver segundo turno:

A partir de 5 de outubro: os candidatos poderão fazer propaganda eleitoral.

16 de outubro: começa a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.

29 de outubro: término da propaganda eleitoral gratuita.

31 de outubro: segundo turno das eleições.



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