Começa hoje (12), na cidade de Porto Alegre (RS), o 8º Fórum Internacional de Software Livre (FISL), com a presença de estudantes, pesquisadores e interessados em software livre em geral, e sob a bandeira “socialmente justo, tecnologicamente viável e economicamente sustentável”. Alunos e professores dos Departamentos de Informática e de Física da UFPR participarão do fórum por meio do Centro de Computação Científica e Software Livre (C3SL), apresentando o código-fonte do Programa Paraná Digital, que é totalmente baseado em software livre.
Cerca de 300 escolas da rede pública do Estado já estão se beneficiando com o Paraná Digital (PD), e esse número tende a aumentar: o plano é estender o programa para todas as escolas estaduais, atingindo a marca de 2100 laboratórios. Hoje, o PD, que prevê a instalação nas escolas públicas de laboratórios de informática com softwares livres desenvolvidos pelo C3SL e pela Companhia de Informática do Paraná (Celepar), visa possuir – até meados de 2007 – cerca de 44 mil computadores, atendendo mais de 1,5 milhão de alunos em 399 municípios do Estado.
O objetivo do Paraná Digital é possibilitar aos professores e alunos dessas escolas o uso de ferramentas de Internet, editores de textos, planilhas e diversos programas de software livre úteis para a educação, e, ainda, garantir o uso contínuo desses laboratórios.
Também dentro do programa, que é apoiado pela Celepar, pela Copel e pelas Secretarias de Estado da Educação, da Ciência e Tecnologia e de Assuntos Estratégicos, o C3SL desenvolveu a tecnologia dos Multiterminais, que permite a instalação de quatro monitores, mouses e teclados em um mesmo computador, permitindo que um laboratório de 15 computadores, por exemplo, seja o suficiente para comportar 60 usuários. Laboratórios assim chegam a custar a metade de um similar, permitindo assim gastos menores com compra e manutenção de equipamentos, e a conseqüente garantia de seu uso permanente.
Sobre os softwares livres
“Softwares livres” é uma expressão utilizada para designar programas de computador que possam ser compartilhados em sua estrutura. Isso porque costumam ter cunho educativo e humanitário, e não lucrativo. Assim, em fóruns como o FISL, compartilham-se os códigos-fonte desses softwares, ou seja, o que os programas ‘mandam’ o computador fazer, para que se os estude, modifique, experimente, aperfeiçoe, chegando cada vez mais próximo ao fim educativo e humanitário.
Mas nem tudo é livre nesse processo. Há algumas restrições: a principal delas é que qualquer pessoa interessada em estudar e colaborar para o aperfeiçoamento de algum programa possa ter acesso ao seu código-fonte (o original e o modificado por outros estudos sobre o original).
Até sexta-feira (14), quando termina o FISL, espera-se que muitos códigos-fonte sejam compartilhados, muitas experiências sejam trocadas e muitas lições sejam aprendidas. Assim, o fórum acaba por cumprir com sua bandeira.