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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Cultura | Publicada em 17/11/09 às 18h06

Crítica: Peça teatral relembra texto de Paulo Leminski

Peça 'Agora é que são elas' é confusa... No melhor sentido
Reportagem Marina Feldman
Edição Thaísa Carolina Moreira
Marina Feldman
Cena da peça 'Agora é que são elas', inspirada em romance de Paulo Leminski
Cena da peça 'Agora é que são elas', inspirada em romance de Paulo Leminski
Marina Feldman
Um dos momentos do espetáculo, que entra em cartaz em fevereiro de 2010 no Teatro Lala Schneider
Um dos momentos do espetáculo, que entra em cartaz em fevereiro de 2010 no Teatro Lala Schneider
Marina Feldman
O excelente elenco é formado pela  Metáfora Cia. de Teatro
O excelente elenco é formado pela Metáfora Cia. de Teatro

Poucos minutos depois de se sentar na cadeira de uma das salas do Teatro Lala Schneider já se suspeita: a peça é inusitada. Um homem circula em uma pequena cela como quem sofre a maior das angústias. Enquanto isso, o público ouve o disco Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, e se prepara para o que vem por aí. Com música de Raul Seixas e texto de Paulo Leminski, a peça 'Agora é que são elas' trata da insanidade e da angústia de um homem que se vê cercado de questionamentos, de situações absurdas e mulheres lindas.

'Agora é que são elas' não é recomendável para aqueles que gostam de histórias lineares, pois, como consta na contracapa do livro homônimo que a inspirou, se trata de uma “novela com começo, meio e fim (não necessariamente nessa ordem, é claro)”. Demora-se a entender que se trata da história de um homem com perturbações enormes por causa de um tratamento com seu psicanalista. É difícil distinguir o que é realidade e o que é fantasia, quem são os personagens reais e quem são os imaginários e, especialmente, que está são e quem está louco.

Essa confusão não é, porém, um erro, mas sim o diferencial do espetáculo. O uso do nonsense é claramente proposital para gerar estranhamento e questionamento – talvez o grande objetivo da arte contemporânea. A escolha de Leminski e Raul Seixas também não é por acaso. João Luiz Fiani, diretor da peça, afirma que os dois artistas são espécies de gênios incompreendidos, muito à frente de nosso tempo. O ‘Maluco Beleza’ e a ‘A Besta dos Pinheirais’, por denominação própria e acusação de outros, podem ser considerados loucos. Mas prefiro dizer que eles simplesmente apagaram a linha tênue que separa a genialidade da loucura.

O elenco, composto por atores locais da Metáfora Cia. de Teatro, não decepciona nem um pouco. Apesar de trágico, o se torna bastante divertido por fazer um bom uso do humor. A única grande falha é a duração: a peça tem duas horas e, em certos momentos, fica um pouco cansativa.

A peça 'Agora é que são elas' esteve em cartaz em outubro de 2009 e volta ao Teatro Lala Schneider em fevereiro de 2010, depois do Carnaval.



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