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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Cultura | Publicada em 20/11/09 às 17h10

Uma câmera na mão e um festival na cabeça

Eventos gratuitos e comunicação compartilhada, no Festival de Cultura do Paraná a impressão é de que tudo é de todos
Reportagem Marina Feldman
Edição Thaísa Carolina Moreira
Marina Feldman
Festival de Cultura do Paraná leva arte para a rua
Festival de Cultura do Paraná leva arte para a rua
Marina Feldman
Os filtros dos sonhos decoram as tendas de shows e sua confecção é ensinada no evento
Os filtros dos sonhos decoram as tendas de shows e sua confecção é ensinada no evento

Neste ano o Festival de Cultura da UFPR sai dos muros do Centro Politécnico. ocupa outros cantos da cidade e passa a ser chamado de Festival de Cultura do Paraná. Na programação, que dura até sábado (21/11), há shows, peças de teatro, oficinas, exposições de arte, exibição de filmes e até mesmo meditação no chamado Corredor Cultural - que vai Largo da Ordem à Reitoria da UFPR, passando pela praça Santos Andrade.

Os ingressos são gratuitos e o ato de comunicar também é aberto a todos. A comunicação compartilhada é uma ideia que surgiu no Fórum Social Mundial em Porto Alegre, no ano de 2002. Tem como objetivo democratizar a informação e ampliar a cobertura de acontecimentos que a mídia tradicional muitas vezes deixa de lado.

No festival, a ação é coordenada pelos organizadores, que acompanham os veículos convencionais e publicam as matérias no blog, como explica Phillipe Trindade, estudante de jornalismo e colaborador da comunicação compartilhada do evento. Além disso, durante a realização, todos os participantes, desde artistas até espectadores, são convidados a dar sua colaboração para o blog. “A comunicação compartilhada não é só a forma de cobertura e divulgação, ela faz parte do Festival de Cultura do Paraná”, afirma Phillipe.

“Ei, depois passa na ilha de edição pra deixar as imagens que você fez!”, me falou um rapaz com uma filmadora na mão. Quando expliquei que a qualidade da filmagem não era boa ele esclareceu que o importante é todo mundo participar, mesmo com a câmera do celular.. Quem esteve presente nas primeiras edições do evento notou a importância dessa ideia. Muitas pessoas filmam e fotografam cada momento, o interessante é mostrar diferentes visões. São tantos olhares que grupos de fora do estado integram a programação. A organização não governamental (ONG) TV Ovo, de Santa Maria, no Rio Grande do Sul foi um dos grupos que emprestou sua voz ao projeto. A ONG trabalha com jovens de baixa renda e visa capacitar os jovens com oficinas de vídeo e atividades relacionadas à cidadania. Um dos membros da TV Ovo, Jonathan de Souza da Silva acredita que esse tipo de informação é uma forma de integração e de trazer novas perspectivas.

Uma das organizadoras do Festival de Cultura do Paraná, a jornalista Michele Torinelli diz que a ideia é que todos veiculem seu ponto de vista. Para isso, o projeto conta com um laboratório de texto e fotografia, um de áudio e um de audiovisual. Enquanto os eventos culturais democratizam a cultura, esse sistema democratiza a comunicação. “Comunicar é um direito humano e as pessoas não precisam de um intermediário para propagar pensamentos e discutir valores”, diz Michelle.

Ainda de acordo com ela, cada vez mais pessoas ajudam , seja com apresentações, oficinas, organização ou com vídeos e texto, o que torna o evento mais aberto. “O principal fator é o intercâmbio cultural”, conta.

Organizado pelo coletivo Soylocoporti em parceria com os centros acadêmicos, o festival já teve três edições dentro do Centro Politécnico. A iniciativa de ampliar segundo Michele, é para movimentar o ambiente da cultura popular na cidade.

A programação completa está no site. Os únicos eventos pagos são as festas, que acontecem nas noites de sexta e sábado.

Lembra do vídeo que eu falei no começo da matéria? Ele tá aqui embaixo. É uma demonstração lúdica da comunicação compartilhada no primeiro dia do festival.



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