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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Cultura | Publicada em 21/11/09 às 15h33

Um tributo a Claudio Seto e à arte japonesa

Homenagem ao artista que introduziu o mangá no Brasil reúne amigos e familiares na Praça do Japão, em Curitiba
Reportagem Marcela Varasquim
Edição Thaísa Carolina Moreira
Marcela Varasquim
As lendas japonesas que Seto escreveu para um jornal foram reunidas em livros
As lendas japonesas que Seto escreveu para um jornal foram reunidas em livros
Marcela Varasquim
A personagem Maria Erótica
A personagem Maria Erótica
Marcela Varasquim
Cláudio se vestiu de mulher no aniversário e fez muita gente dar risada
Cláudio se vestiu de mulher no aniversário e fez muita gente dar risada

Artista plástico, ilustrador, chargista, cartunista, quadrinista, professor, escritor e jornalista. Incomum atribuir tantas funções a apenas uma pessoa. Mas este não é o caso de Claudio Seto. De fundamental importância, Seto foi quem trouxe o mangá (histórias em quadrinhos japoneses) ao Brasil e o matsuri (festivais típicos do Japão) à capital paranaense. Um ano após sua morte, familiares e amigos homenagearam e expuseram sua vasta obra na Praça do Japão, em novembro.

Com exposições, cerimônias religiosas e palestras sobre mangá e haicai, o tributo atraiu não apenas admiradores de longa data, mas também curiosos da cultura oriental que viram uma boa maneira de aprofundar seus estudos. Para a organizadora do evento Maria Helena Uyeda, um dos motivos do tributo reside na inteligência artística de Seto. “Ele é um artista multimídia”, conta.

Criações

Criador da Maria Erótica na década de 80, o mais conhecido de seus personagens, Seto também carrega em sua bagagem artística certa carga de sensualidade. Para seu filho Noriyassu Seto, tudo não passava de um deboche. “Maria Erótica é uma gozação ingênua”, diz. Dedicado também ao público infantil, o artista criou a ‘Turminha do Seto’, tiras publicadas no extinto jornal Correio de Notícias. Como escritor, foi um forte adepto do haicai, além de se dedicar à elaboração de contos.

Seto era conhecido como o Mestre Samurai entre seus alunos, amigos e admiradores. Graduado em filosofia e artes plásticas, ele conseguiu unir as duas faculdades em sua obra. Segundo seu filho, Seto procurava sempre fugir do convencional. “Ele não se contentava com o comum. Ao invés de fazer um simples bonsai, fazia um bonsai de jabuticabeira”, afirma. Idêntico ao seu apelido foi o nome de uma de suas revistas de mangá. ‘Samurai’ é hoje considerada a primeira revista deste estilo feita no Brasil, fato que eterniza a figura de Seto na arte brasileira.

Bom humor

De acordo com Noriyassu, Seto era um homem dedicado. “Tudo o que ele fazia, entrava de cabeça”, diz o filho. Como pai, costumava ser liberal. Enquanto indivíduo, possuía uma dose cavalar de humor em seu cotidiano. Prova disso foi seu 60º aniversário. A festa, que era para ser surpresa, foi descoberta pelo artista, e quem surpreendeu os convidados foi o próprio aniversariante. Ao descobrir a trama, Seto se vestiu de mulher e foi à comemoração sem que ninguém percebesse. Impacientes com a presença da mulher desconhecida, os convidados perceberam então quem era a tal suposta convidada. O acontecimento hoje é motivo de risos para parentes e amigos.

Para homenagear o talento de Claudio Seto, será lançado em março de 2010 o documentário ‘O Samurai de Curitiba’, de Rober Machado e José Carlos Padilha. Segundo Rober Machado, a ideia do filme iniciou em função de seu interesse pela Grafipar – gráfica que publicava quadrinhos eróticos e policiais no final da década de 70. “No início a intenção era fazer um documentário sobre toda essa obra”, diz. Mas, as pesquisas referentes ao assunto conduziram Rober à Seto, artista de destaque na época. Com cenas gravadas enquanto o quadrinista ainda era vivo, ‘O Samurai de Curitiba’ promete capítulos inéditos da história desta grande personalidade.

Um pouco mais sobre Cláudio Seto:

- Aos nove anos foi para o Japão estudar num templo. Nos finais de semana ia até o estúdio de Osamu Tezuka, considerado o pai do mangá moderno.

- Depois de oito anos retornou ao Brasil e trabalhou com publicidade. No final da década de 60 integrou a recém-fundada Editora Edrel, onde foi o pioneiro ao utilizar o estilo mangá nos quadrinhos brasileiros e produzir sagas de samurais e ninjas. Também produziu histórias de conteúdo adulto, em plena ditadura militar.

- No final da década de 70 foi desenhista na editora curitibana Grafipar e editor de alguns títulos. Com o fim da Grafipar, Seto publicou poucas histórias em quadrinhos, entre elas destaca-se 'A História de Curitiba em Quadrinhos', feita em comemoração aos 300 anos da cidade.

- No fim da vida fez charges para os jornais Tribuna do Paraná e O Estado do Paraná e dedicou a organizar eventos culturais da comunidade japonesa. Também lançou um livro contando a história da imigração japonesa no Paraná e escreveu sobre lendas do Japão para o jornal Nippo-Brasil, que foram organizadas em livros.

Alguns de seus haicais:

“Verdejante

À mesa posta

Verde jante”

“Sinal vermelho

Não para o vento

No cruzamento”

“Noite sem lua

Na escuridão do quarto

Salário minguante”



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