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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Comportamento | Publicada em 22/11/09 às 22h01

Ginástica sensual ajuda a elevar autoestima feminina

Exercícios físicos aliados à sensualidade ganham espaço entre mulheres de todas as idades
Reportagem Dalane Santos
Edição Luciane Belin
Dalane Santos
A bola utilizada para fazer pilates auxilia na prática de pompoarismo, uma das modalidades sensuais
A bola utilizada para fazer pilates auxilia na prática de pompoarismo, uma das modalidades sensuais

Quando a personagem Alzira, vivida pela atriz Flávia Alessandra, estreou na novela Duas Caras, da Rede Globo, fazendo pole dance, muitas mulheres se sentiram incentivadas a aprender danças sensuais e centenas de estabelecimentos passaram a ensinar técnicas como a apresentada na trama de Aguinaldo Silva. Quase dois anos após o fim da novela, porém, as academias e salões que abriram suas portas naquela época ainda espalham seus ensinamentos que aliam atividade física e sensualidade.

Em busca do desenvolvimento de confiança e autoestima, além de melhorar a forma do corpo, muitas mulheres se munem de velas aromatizantes, plumas, almofadas, postes e espelhos para aprender a famosa ginástica sensual.

Tímidas, desinibidas, senhoras e moças com todos os estereótipos praticam exercícios físicos insinuantes que vão do pole ou chair dance – no poste ou na cadeira – até performances no chão e na parede, com movimentos sensuais e ritmados.

Algumas técnicas são milenares, como o pompoarismo, que consiste em contrair e relaxar a musculatura vaginal; outras, como o próprio pole são mais recentes, com menos de três décadas de existência. O que as novas modalidades diferem das técnicas antigas? Segundo a avaliadora física e idealizadora da aula Sexy Fitness, Eliana Roman, a nova modalidade potencializa várias atividades para explorar a feminilidade e queimar calorias. “Nós mesclamos vários exercícios, com movimentos ritmados e suaves. Também usamos vários assessórios”, conta Eliana.

Exercício + sensualidade = bem-estar

Uma das justificativa para que muitas mulheres deixem de frequentar as academias tradicionais é a queixa de que são monótonas e não conseguem manter as alunas presas à aula. Este é o caso de Juliana (ela prefere não revelar seu nome verdadeiro, que começou a fazer ginástica sensual há cerca de dois meses. “Nunca gostei de musculação, já as danças sensuais são divertidas e gostosas, me sinto empolgada antes de cada aula”, afirma a aluna.

As atividades são baseadas na idade fisiológica da mulher. Segundo Eliana, existe procura de mulheres de 18 a 65 anos e, apesar das aulas serem coletivas, o trabalho é realizado individualmente com cada aluna. Concentração, percepção física, postura e respiração são analisadas durante a atividade sexy. “Cada aula tem um resultado diferente, cada exercício é acompanhado por uma música, seja sensual, rápida ou lenta. Quando a aluna se dá conta, a aula já acabou”, diz a avaliadora física.

Até o aquecimento pré-atividade física é especial para as alunas de ginástica sensual: exige tanto esforço quanto o normal, mas faz questão de manter cuidados femininos como trejeitos e jogadas de cabelo. Sócia de um centro integrado para mulheres de Curitiba, que oferece consultorias e aulas sensuais, Andréia Berté conta que o espaço existe há seis anos e que surgiu com o intuito de ajudar o universo feminino a se realizar pessoal, profissional e sexualmente. “Feito por mulheres e voltado para elas, são novidades que desenvolvem a feminilidade e a sensualidade, auxiliam na autoestima e incentiva que elas compreendam melhor o próprio corpo”, explica. A personal trainer do espaço, que prefere não se identificar, desenvolveu vários exercícios e coreografias que compõem diferentes aulas como a Bio Dança. Nesta técnica, segundo Andréia, a mulher trabalha exclusivamente com bloqueios psicológicos.

Para Eliana, as aulas de ginástica sensual não vão melhorar somente a relação a dois, mas sim, a vida. “Não tem como se sentir sensual quando não se está bem; durante as aulas, a aluna aprende a ter mais postura, a ter um olhar mais provocante, o andar fica mais sensual. É uma melhora na qualidade de vida”, garante. Juliana, além de praticar na academia, comprou um kit de pole dance para treinar em casa e sentiu a diferença logo no primeiro mês. “Eu era super travada; agora, só de colocar uma roupa mais decotada, a autoestima vai lá em cima”, aprova.

Apimentar a relação?

A psicoterapeuta e terapeuta sexual Lindamara França acredita que existem, basicamente, dois tipos de mulheres que procuram essas atividades: a bem resolvida e a tímida. “Quem lida bem com o corpo vai para aperfeiçoar a técnica, melhorar. Nem sempre pelo parceiro, mas por ela mesma. Já a tímida precisa de um incentivo e, geralmente, vai para satisfazer o parceiro”, coloca Lindamara.

A especialista em artes sensuais Leandra Piola afirma que existem vários motivos: para as casadas pode ser aquela apimentada na relação, sair da rotina; para as solteiras, serve como ferramenta para alcançarem seus objetivos, um meio para se tornarem mais atraentes. “Todas as mulheres estão em busca da deusa interior que existe em cada uma, e esses exercícios as tornam mais poderosas”, declara.

Gostar, conquistar, seduzir o outro ou a si mesma. Segundo Eliana, esse é o caminho ao qual o Sexy Fitness leva a mulher e, para Lindamara, não há contraindicação alguma. “É muito saudável, tudo aquilo que você busca para o seu desenvolvimento é valido. Antigamente a mulher não poderia nem cogitar essa hipótese. É preciso aproveitar esse espaço”, revela a psicoterapeuta.



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